Como escolher o pediatra do seu filho?

Como escolher o pediatra do seu filho?

Atualizado: Sexta-feira, 16 Julho de 2010 as 3:14

Escolher o pediatra do seu filho pode parecer uma questão prática, mas não é. Não é como escolher a cor do quarto ou o modelo do carrinho. Empatia e confiança absoluta são fundamentais. É claro que as questões práticas devem ser levadas em consideração, mas o mais importante nessa hora é seguir o coração, a intuição. E não adianta levar seu filho no pediatra mais badalado se você não for com a cara dele... Pense que essa deve ser uma relação duradoura e de muita cumplicidade.

Carolina D'Elia e o marido, Luciano, por exemplo, levaram mais de um ano para achar o pediatra certo para Ricardo, de 3 anos, e Pietra, de 1. "A primeira pediatra foi a que acompanhou o finzinho da gravidez da Carol. O Ricardo nasceu prematuro, exigindo mais cuidados, e não sentíamos nenhuma firmeza nela. Então mudamos para um dos pediatras mais conceituados de São Paulo, mas ele nunca estava disponível, nunca podia nos atender nos finais de semana. E como era nosso primeiro filho, nós tínhamos um monte de dúvidas, queríamos ligar sempre e levar o Ricardo no consultório toda hora", lembra.

Só depois de uma peregrinação por vários consultórios, eles foram atrás das indicações de amigos que também têm filhos e encontraram, há dois anos, a pediatra que consideram ideal. "Conversando com outros pais, descobrimos que essa via sacra é muito comum e costuma trazer dúvida e insegurança." Afinal, o pediatra é o profissional que estará mais perto da família nos primeiros meses de vida da criança. Escolhê-lo bem significa ter alguém com quem contar nos momentos difíceis, e a quem recorrer na hora das dúvidas, tão comuns nos primeiros anos de vida do bebê.

"O pediatra precisa estar presente a qualquer hora, muitas vezes para questões que não estão necessariamente relacionadas a doenças. Precisa ser um médico que vá além da patologia, que tenha uma visão ampla do desenvolvimento da criança e que respeite as condutas de cada família", explica Renata Garcia Alloza, fonoaudióloga, que desde o nascimento de Tomas, há quatro anos, tem o mesmo pediatra. Seu caçula Téo, de 8 meses, também já é paciente.

Cara e coração

Nessa escolha, o conhecimento médico pesa, é claro, mas não é tudo. "Nossa pediatra sabe lidar com as crianças. Quer coisa pior do que ver um pediatra tratando seu filho friamente? Além disso, ela demonstra que realmente se preocupa. Ano passado, o Ricardo estava com um febrão na véspera de Natal e ela nos recebeu em sua casa, durante a ceia, para examiná-lo", lembra Luciano.

"O que eu mais gosto na pediatra do Alexandre é que ela se preocupa com o bem-estar da família inteira", diz Leila Cristina Montanha, 36 anos, economista, que tem um filho de 10 meses. Leila e seu marido, Luís, escolheram a médica entre uma lista de nomes indicados pelos amigos e familiares. Da lista, o casal selecionou os médicos com consultório mais próximo de onde moram e marcaram consulta com dois deles. "Avaliei o tempo de consulta, a forma como eles trataram o bebê na primeira vez, a paciência, a disponibilidade e a segurança que eles me passavam. Logo depois de sair da maternidade, a mãe está numa insegurança imensa e precisa de alguém com paciência", diz. Hoje Leila está satisfeita com sua escolha. "No Carnaval tive de ligar para ela e ela teve a maior paciência do mundo. Me passa confiança, nunca titubeou num diagnóstico."

A primeira consulta do recém-nascido deve acontecer aos 15 dias de vida. Por isso, o melhor é decidir qual será o pediatra antes do parto. Algumas dicas práticas: conheça o consultório, observe o tempo de espera, verifique se o médico trabalha com outros pediatras na equipe (que poderão substituí-lo caso esteja viajando, por exemplo) e, principalmente, converse muito com ele e pergunte tudo o que for importante para você. E se mesmo assim depois de um tempo vocês não estiverem satisfeitos e seguros, não pense duas vezes antes de procurar outro médico.

Particular ou convênio

As visitas ao pediatra geralmente são mensais. Aí entra outro fator importantíssimo na escolha do médico: optar pelos pediatras do convênio ou pelos particulares? Cheque se o médico do convênio estará disponível para atender chamados no meio do dia e da noite, ou se encaminha os casos de urgência para um pronto-socorro.

Não é uma regra, mas, geralmente, médicos de convênio são mais impessoais do que os particulares e requerem ainda mais cuidado na escolha. O tempo na sala de espera também costuma ser maior, o que pode ser desconfortável para quem tem uma criança pequena e muitas vezes adoentada.

Outra opção é o plano de saúde que ofereça reembolso de consultas. Assim você tem a comodidade de contar com o atendimento de um pediatra particular sem ter de gastar mais com isso. Se não, prepare-se para desembolsar de R$ 150 a R$ 250 em consultas mensais. Se tudo estiver bem com seu bebê, não haverá gastos extras com exames, já que os principais são feitos na maternidade.

Faça suas opções, escolha com calma e cuidado e não hesite em perguntar e exigir o tratamento e atenção que você e seu filho merecem. Você deve sentir o pediatra quase um integrante da família. "Acho que nosso pediatra será o médico dos meninos até eles terem 18 anos", ri Renata.

AS QUALIDADES DO PEDIATRA PERFEITO

Confiança

A relação de confiança entre os pais e o médico é a mais importante na escolha do pediatra. Comece sua procura pedindo indicações aos amigos que têm filhos pequenos e ao obstetra que está acompanhando sua gravidez. Marque consultas pré-natais com dois ou três pediatras para conhecê-los pessoalmente.

Conveniência

O consultório não deve ser muito longe de sua casa.Você não quer ter que dirigir uma hora com um bebê doente para ser atendida, quer? Também é importante saber quais hospitais o pediatra costuma usar em casos de emergência.

Disponibilidade

Seu pediatra deve estar disponível para telefonemas a qualquer hora, e sempre retornar suas ligações.Você deve se sentir confortável para ligar para ele sempre que for preciso.

Filosofia

É importante que vocês concordem em questões-chave como amamentação e uso ou não de antibióticos, por exemplo. Existem os pediatras que seguem a linha alopata tradicional, os homeopatas e também os antroposóficos, que tratam a criança como um todo, cuidando do corpo e da energia.

Qualificação

O seu pediatra deve ter o certificado da Sociedade Brasileira de Pediatria.Esse certificado garante que ele completou a especialização em pediatria.

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