Como fazer com que as crianças prefiram a bola ao computador?

Como fazer com que as crianças prefiram a bola ao computador?

Atualizado: Sexta-feira, 25 Março de 2011 as 11:43

Quando criança, eu era uma negação em qualquer   esporte . Tentei o vôlei, aos 15 anos, achando que ia passar de 1,53m de altura, mas fiquei na tentativa. Não cresci nenhum centímetro a mais.   Bola, pra mim, era um objeto com vontade própria. Por mais que eu desse as ordens, ela teimava em me contrariar. Ainda tentamos nos entender até hoje. Procurei algumas de menor circunferência e passei a me relacionar um pouco melhor com elas. Agora, bolas de tênis.   Entre backhands, forehands, smashes, aces e tal, dei uma boa melhorada no meu inglês.   Não herdei de minha família a tradição esportiva.   Educação física   era algo apenas para cumprir as obrigações no boletim escolar e nada mais. E, apesar da minha inaptidão para o esporte, sempre tive por ele uma atração enorme, tanto que se tornou minha ferramenta de trabalho.   Obviamente, meu filho, Daniel, receberia uma herança esportiva bem mais rica do que a minha.   Aos 3 aninhos, deu as primeiras braçadas nas aulas de natação e, aos poucos, foi experimentando outros esportes: futebol, tênis, tae-kwon-do.   Lembro que sua primeira aula de   futebol , aos 7 anos, foi um drama. Queria desistir, voltar pra casa. Ninguém lhe passava a bola. Quando isso acontecia, ele, assim como a mãe, não sabia exatamente o que fazer com ela.   Pois bem, todas as crianças têm o direito de ter medo. Mesmo nós adultos que já tivemos várias oportunidades de vencê-los, também temos. O medo é essencial para a sobrevivência do indivíduo, mas a socialização também.   É preciso melhorar a autoconfiança, estimular na criança a ideia da superação. E isso só é possível com algumas tentativas. Sozinha, no primeiro obstáculo, ela vai desistir e é por isso que pais e professores têm o papel fundamental de mostrar os caminhos, dar as oportunidades, mas sempre respeitando seus limites, sem jamais pressionar.   A metáfora do esporte é perfeita para que nossos filhos aprendam, desde cedo, a vencer obstáculos.   Grande parte dos elementos da vida cotidiana está presente em quatro linhas, ou numa raia de piscina, ou numa pista de corrida: o desafio, a disciplina, o tempo para cumprir tarefas, o respeito, a conquista.   Existem 33 modalidades esportivas olímpicas, fora a capoeira, surf, dança etc. Dificilmente a criança não vai se identificar com alguma dessas atividades.   Daniel voltou para a segunda aula de futebol, a terceira, quarta...   Sete anos e muitos gols se passaram sem que as aulas despertassem nele o sonho de se tornar atleta. Apenas fizeram desse esporte o seu lazer preferido, o lugar das novas amizades, o ponto de encontro da molecada do colégio.   Bem, sob esses aspectos, a Internet é uma forte concorrente, mas é por isso mesmo que nessa tarefa de maternidade não dá pra descansar.   Meu esporte preferido é verbal e eu recomendo: “queda de braço”, todo dia, para que ele não perca os melhores anos da vida em frente à tela de um computador.  

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