Como viver com a tirania das exigências estéticas da sociedade

Como viver com a tirania das exigências estéticas da sociedade

Atualizado: Sexta-feira, 16 Dezembro de 2011 as 1:21

A empresa Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) realizou uma pesquisa com mais de 10 mil jovens brasileiros que mostrou dados preocupantes: boa parte de nossa juventude sofre por não corresponder aos estereótipos de beleza propagados. Os participantes poderiam falar de aspectos como sexo, altura, peso, rosto e idade. O estudo foi interessante por não somente mostrar o problema, mas também elencar especialistas que ajudaram, com a análise dos dados, os entrevistados a procurarem a solução certa para cada caso, além de aconselhá-los sobre sua autoestima.

O peso foi o tópico com que os jovens mais mostraram descontentamento: 45,51% manifestaram vontade de emagrecer ou de ganhar alguns quilos. Segundo o treinador pessoal Fábio Medina, deve-se tomar muito cuidado com as maneiras “fáceis” de se alcançar ganho ou perda de peso que a todo momento aparecem na mídia. Soluções mais “pé no chão” fazem mais sentido e trazem mais benefícios. “Optar por refeições balanceadas de 3 em 3 horas é uma excelente alternativa. Assim, nos pratos principais a fome será menor, podendo ser consumidos em quantidades reduzidas.” E disciplina faz muita diferença: “Para se livrar de uma vida desregrada é fundamental investir em proteínas e carboidratos, e substituir o fast-food por verduras, por exemplo.” Além disso, ele aconselha alongamentos a cada 30 minutos, pelo menos.

A segunda posição na insatisfação ficou com o quesito idade (23,12%), seguido pela altura (19,86%). Logo em seguida, os que não gostam do próprio rosto, com 1.032 jovens que mudariam algo nos olhos, testa, bochechas ou boca. No fim, o gênero: 215 entrevistados (1,98% deles) revelaram que gostariam de ter nascido com o sexo oposto.

O que fazer? Outras pesquisas parecidas também apresentam dados interessantes. A empresa Sophia Mind revelou uma em que 21% das mulheres estão descontentes com o próprio visual – mas 30% dessa parcela não realizam nenhuma atividade física para melhorá-lo.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) mostrou um resultado incrível em um estudo do mesmo tipo: 100% das mulheres confessaram insatisfação com o próprio corpo. Mesmo as muito magras alegaram querer perder pelo menos 3 quilos. Quanto aos homens, 98% dos pesquisados desejam ser mais fortes.

Henrique Tadeu Ohl, psicólogo da área de treinamento do Nube, diz que a adolescência é o período e que a pessoa assume sua identidade e seu novo papel na sociedade, prepara-se para tornar-se um adulto. E, para isso, os jovens avaliam tudo: “Conhecem várias tribos e religiões, fazem vários amigos, idolatram artistas, modelos e políticos para obter o maior número possível de experiências. Com base nelas, dão início à estruturação de sua identidade.”

Ohl revela que tais associações têm algumas consequências, como a frustração da pessoa por não corresponder às expectativas da sociedade. Para essas, e mesmo para quem não entrou nessa fase ainda, o psicólogo dá algumas dicas:

- Procurar pessoas com ideologias e gostos parecidos com os seus;

- Valorizar as próprias características positivas; - Reservar algumas horas da semana para se dedicar aos cuidados com a saúde e com a aparência; - Ter consciência de algo muito importante: não existem duas pessoas iguais. Portanto, ninguém vai atingir 100% das expectativas da sociedade e da mídia mal usada.

Para o especialista, o jovem deve avaliar os reais motivos de querer promover uma mudança estética com duas questões simples: a quem realmente deseja atender e por quê?

Via Arca Universal

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