Consumo consciente se aprende na prática

Consumo consciente se aprende na prática

Atualizado: Quinta-feira, 31 Março de 2011 as 10:48

Uma ida ao supermercado, manter os combinados mesmo diante da birra, pesquisar sobre o produto antes de fazer a compra. Em situações como essas, no dia a dia, ensinamos aos filhos o verdadeiro valor dos objetos. Valéria Rodrigues Garcia, diretora de estudos e pesquisas do PROCON, em São Paulo, coordena cursos de educação para o consumo responsável em ONGs, escolas e instituições. Abaixo, ela dá 7 preciosas dicas.

Não evite as situações de conflito

Muitas vezes dá preguiça quando pensamos em levar as crianças para fazer o supermercado. Quase sempre é complicado. Mas a dica é levá-las, sim! Pelo menos quando for uma compra menos importante com poucos itens. A ideia é aproveitar o momento para que os filhos a vejam checar os preços, comparar os produtos, avaliar os benefícios e optar por um. Ao longo do processo, comente com eles porque ficou com esse e não com aquele, sobre as vantagens em termos de data de validade, qualidade, quantidade ou mesmo preferência.

Estabelecer propósitos

Independentemente de qual será o programa, antes de sair de casa, deixe claro com eles qual será a intenção do passeio, o que será permitido e o que não será. Por exemplo, vocês combinam que vão ao shopping exclusivamente para ir ao cinema e não para fazer compras (e que cada criança terá direito a um saquinho de pipoca). Ou que vão à livraria, mas desta vez apenas para selecionar o presente do amigo. Seja firme para que o combinado se cumpra – mesmo diante de uma cena de birra. 

A informação precede a escolha

Sua filha está maluca para adquirir o novo castelo da princesa X? Então, juntas, informem-se sobre o brinquedo, não fiquem apenas com os dados que a propaganda traz sobre o produto. O que o castelo tem? Qual é o tamanho? Tem móveis? Eles se mexem? Se for preciso, vão até uma loja para averiguar, esclarecendo que primeiro vão avaliar se é legal mesmo para só depois pensar se vale a pena levar para casa.

Não subestimar o entendimento da criança

Se ela tiver mais de 2 anos, já pode entender que dinheiro é algo finito, que não se multiplica na carteira da mãe, e que não é possível ter tudo que se quer (muito menos todos os lançamentos da loja de brinquedo). Dizer não e esperar que o seu filho entenda é o normal. A negativa dos pais não deve gerar sempre birras, choros ou dramas. Se isso ocorrer, não dê muita importância nem sirva de plateia para o espetáculo. Lembre-se de que pequenas frustrações são importantes para o crescimento.

Reforçar a autoestima para não sucumbir às imposições sociais

Em algum momento da vida você vai ouvir na sua casa que o seu filho precisa ter o tênis tal porque todos os amigos têm. Talvez seja difícil fugir dessa pressão e competição social. Porém, mais importante do que isso, é reforçar a diferença entre ter e ser e não se esquecer de enaltecer as pessoas (inclusive seus filhos) pelas qualidades e não pelos bens que possuem.

Incentivar o pensamento crítico

Diante de tantos brinquedos incríveis até mesmo nós, adultos, ficamos tentados. Mas exercite o seu filho a pensar: por que eu quero isso? É um brinquedo que eu posso jogar sozinho ou preciso de muitas outras pessoas para me divertir? Por quanto tempo ele vai durar? Será que eu já não tenho algo parecido? É frágil e quebra rápido? É realmente para a minha idade? Será que eu não encontro esse mesmo item por um preço melhor em outra loja ou um produto similar, porém ainda mais ajustado ao que eu quero? Fazendo-o refletir você o treinará para evitar compras por impulso.

Resgatar momentos de lazer que não incluam gastos

Mostre que é possível se divertir sem gastar. Há inúmeras atrações culturais gratuitas e diversos passeios públicos que proporcionam momentos divertidos sem precisar colocar a mão na carteira. Praças, parques, exposições e, às vezes, peças de teatros que não cobram ingresso são comuns nas grandes cidades. Busque na internet opções na sua região. Outra alternativa é programar jogos, gincanas, oficinas de artes, aulas de culinária em casa etc. Invente e ensine que ter prazer vai além da possibilidade financeira.  

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