Crescer pode doer

Crescer pode doer

Atualizado: Quinta-feira, 17 Junho de 2010 as 10:06

Já ouviu falar em dor do crescimento? Lá pelos 4 ou 5 anos, a criança começa a reclamar de dores nas pernas. Até 20% das crianças de 3 a 12 anos sofrem das chamadas "dores do crescimento", que é o incômodo nos membros inferiores causados pelo crescimento físico.

Não há exame que detecte a incidência, mas, geralmente, os médicos se preocupam em excluir a possibilidade de um trauma ortopédico mais grave por meio de um exame feito em consultório, exame de sangue ou radiografia. No exame, o médico confere se está tudo bem com músculos, tendões e articulações e observa em quais pontos a dor se manifesta. "A dor de crescimento é benigna", afirma Clovis Artur Almeida Silva, filho de Amadeu e Vane, chefe da reumatologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP. Se os pais da criança sofreram desse mal, a chance de a criança repetir a dose é de 40%. O melhor remédio para dores do crescimento é massagem e carinho. Se a dor incomodar muito na hora de dormir, até vale dar um analgésico fraquinho para o seu filho. Antes, converse com o médico, sempre. O uso de antiinflamatórios não é recomendado, porque pode ocasionar efeitos colaterais.

NÃO DÁ PARA ATRIBUIR TODA DOR AO CRESCIMENTO. SÓ O MÉDICO PODE DIZER SE ELA É CONSEQÜÊNCIA DO PROCESSO OU NÃO. ALGUMAS DOENÇAS QUE PODEM CONFUNDIR UM POUCO O DIAGNÓSTICO SÃO A HIPERMOTILIDADE ARTICULAR, A FIBROMIALGIA OU DOENÇAS REUMÁTICAS.AS DORES SE LIMITAM ÀS PERNAS, E A INCIDÊNCIA É POUCO MAIOR NOS MENINOS.

Em 30% dos casos, a dor vem por algum tipo de distúrbio psicológico, um estresse causado pela mudança de escola, a separação dos pais ou a chegada de um irmãozinho. Só não dá para ficar pondo a culpa de tudo no psicológico, né? Antes de decidir que é manha, converse com o médico. "Quando envolve dor, não dá para ignorar", diz a pediatra Maria Cristina Korbage, mãe de Mariana e Juliana.

Segundo o ortopedista Roberto Guaniero, pai de José Roberto e Francisco, a dor do crescimento não é doença e não provoca efeito conjunto, como inchaço nas articulações. A dor geralmente é tão fraca que as crianças não mancam. Embora não tenha idade certa para passar, geralmente some até os 12 anos. Por isso, a atividade física não deve ser desestimulada; só é bom dar uma diminuída às vezes.

Consultoria: * Clovis Artur Almeida Silva, professor livre docente do HC-FMUSP e chefe da reumatologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP. * Roberto Guarniero, chefe da disciplina ortopedia pediátrica e professor associado de ortopedia do HC-FMUSP. Tel. * Maria Cristina Korbage, pediatra da saúde suplementar do Instituto da Criança do HC-FMUSP.

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