Criança feliz é criança segura

Criança feliz é criança segura

Atualizado: Quinta-feira, 16 Abril de 2009 as 12

Crianças são imprevisíveis quando o assunto é acidente. "Se distraiu, a criança apronta", é o que dizem os pais. Isso é verdade. É necessário estar sempre alerta. Segundo dados de mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) do Ministério da Saúde, desde 2002, os acidentes e a violência (são chamados em conjunto de causas externas nas estatísticas de mortalidade) representam a principal causa de morte em crianças maiores de um ano.

"Como sabemos que as crianças, nos primeiros anos de vida, passam a maior parte do tempo no ambiente doméstico, muitos acidentes que lá ocorrem são graves e, se não levam à morte, podem deixar seqüelas incapacitantes e permanentes", revela a presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renata Waksman.

Quedas, queimaduras, intoxicações, asfixia (aspiração de corpo estranho), afogamentos e choque elétrico são os acidentes domésticos mais comuns. A drª Renata afirma que para evitar esses "imprevistos" são necessárias duas medidas: as ativas, que consistem em educar e supervisionar a criança visando à prevenção de acidentes, em grau crescente de complexidade e respeitando sua capacidade de compreensão, para que ela mude de comportamento e passe a identificar as situações perigosas, evitando-as; e as passivas, que consiste em ter o ambiente protegido com barreiras físicas, como grades ou redes nas janelas e sacadas, portões nas escadas, corrimão bilateral, quinas de móveis arredondadas ou protegidas.

É bom que os pais tenham noções de primeiros socorros para ajudar o filho. Entretanto, o melhor, claro, é que os acidentes não ocorram e, para isso, é necessário que se tenha consciência de que esses eventos são previsíveis. "Os pais devem examinar o ambiente em que os filhos vivem e eliminar os possíveis fatores de risco", alerta a pediatra.

Segundo o Doutor Wilson Maciel, pediatra de São Paulo, os seis mandamentos para os pais da segurança infantil são:

1- Sejam modelos para seus filhos;

2- Ensinem as crianças a distinguir os riscos que podem assumir daqueles que devem evitar;

3- Mostrem a melhor maneira de enfrentar os riscos que não podem ser evitados;

4- O objetivo é conhecimento e cautela, não o medo;

5- Usem o bom senso - não superestimem seus filhos, considerando-os mais inteligentes do que de fato são, mas também não os subestimem, julgando que não têm capacidade de pensar por si mesmos;

6- estejam sintonizados com seus filhos - aquilo que eles não são capazes de fazer hoje, poderão fazê-lo em breve.

Brinquedos

Os brinquedos merecem atenção especial quando o assunto é segurança. A prática de segurança com esses objetos relaciona-se a quatro princípios básicos: seleção, supervisão, manutenção e armazenamento.

"As crianças devem utilizar somente brinquedos apropriados para sua idade, devem ser supervisionadas enquanto brincam; além disso, pais e responsáveis devem assegurar um ambiente seguro e adequado. Há uma maior incidência de lesões na cabeça e na face, por isso deve-se evitar brinquedos que arremessem ou lancem componentes - devido ao grande risco de aspiração, engasgo e sufocação. Brinquedos que destaquem partes ou componentes devem ficar longe do alcance de crianças pequenas", explica.

O Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria desenvolveu o livro "Crianças e Adolescentes Seguros", da editora Publifolha, onde há dicas para os pais e responsáveis que se preocupam com o assunto.

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