Crianças e a fascinação por coisas nojentas

Crianças e a fascinação por coisas nojentas

Atualizado: Quinta-feira, 17 Junho de 2010 as 10:04

Durante os últimos sete dias, "melecas" encheram a minha casa. Não, ninguém teve um resfriado. Meu filho, Darren, decidiu que ia ser "a semana da meleca". Ele criou histórias sobre melecas doces, melecas voadoras e melecas-mães. Até tirou algumas fotos nojentas para usar em seus contos.

Não faço ideia de como isso começou, mas acho que sua obsessão é muito normal. "Dos 4 aos 7 anos, muitas crianças ficam fascinadas pelas coisas nojentas", diz Michelle P. Maidenberg, psicoterapeuta e diretora clínica do Westchester Group Works, em Nova York. "Eles também estão tentando impor controles e limites. Ver o quão desagradáveis podem ser é uma maneira de testar limites”. Bem, cheguei ao meu limite. Então, perguntei a especialistas em desenvolvimento infantil como lidar com essa situação complicada. Veja o meu plano de limpeza.

* Banque o professor

Veja o lado positivo desse interesse: coisas grudentas podem incentivar projetos científicos criativos e discussões sobre o corpo humano e o reino animal. "Se seu filho traz uma minhoca para dentro de casa, vocês dois poderiam dar uma olhada no bicho com uma lupa", diz Charlotte Reznick, psicóloga de educação infantil e autora de The Power of Your Child's Imagination (“O poder da imaginação de seu filho”, em tradução livre; disponível no Brasil apenas em inglês). "Ou, ao vê-lo brincar com o catarro, você poderia falar sobre como o corpo reage aos vírus".

E se seu filho estiver obcecado com os barulhos do corpo? "Explique a fisiologia por trás disso", ela sugere. Por exemplo, ele vai achar o arroto menos estranho quando descobrir que os gases surgem quando os ácidos do estômago digerem a comida.

* Finja que não se importa

Para algumas crianças, o mais legal das coisas nojentas é quando a reação dos pais começa. Se você pirar quando seu filho arrotar o alfabeto ou ficar constrangido se sua filha falar sobre "chá de xixi", eles vão pensar que te incomoda e repetir, diz a dra. Reznik. O segredo é agir como se não estivesse nem aí. Você pode ignorá-lo completamente ou dizer "ah, legal", num tom entediado, e mudar de assunto.

* Dê espaço

Se você ouvir seu filho e um amigo falando sobre o vômito do cachorro, cera de ouvido ou outro assunto desagradável, não se apresse em reprimi-los, diz Betsy Brown Braun, especialista em desenvolvimento e comportamento da criança e autora de You're Not the Boss of Me: Brat-proofing Your Four-to-Twelve-Year-Old Child  (“Você não é meu chefe: educando seu filho de 4 a 12 anos para não ser um mimado”, em tradução livre; disponível no Brasil apenas em inglês). "Eles não estão fazendo isso para incomodá-lo, estão se divertindo", diz ela. Mas você precisa definir alguns limites. Diga a seu filho que esse tipo de humor não é adequado em alguns lugares, como na escola ou na igreja – nem quando tiver visitas em casa, porque nem todo mundo gosta de ouvir essas coisas.

* Assalte a geladeira

Se seu filho gosta de brincar na lama, imite a sensação tátil com massa de biscoito ou de pizza. Você também pode tentar receitas deliciosas e nojentas, misturando as guloseimas que tem na geladeira. Exemplo: misture iogurte de chocolate com migalhas de biscoito e balas de gelatina em formato de minhoca. Faça o que sua imaginação permitir e saboreie. Hummm, eca!

Por: Tamekia Reece

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