Crianças passam cada vez mais tempo na internet

Crianças passam cada vez mais tempo na internet

Atualizado: Sexta-feira, 24 Julho de 2009 as 12

Seu filho gosta navegar na internet? Pois saiba que, além de não estar sozinho nesse mundo virtual (são 16 milhões de crianças na web), ele pode estar passando ainda mais tempo online. De acordo com uma pesquisa da Nielsen, o número de horas que os internautas de 2 a 11 anos gastam na rede aumentou 63% nos últimos 5 anos.

Além disso, a Nielsen constatou algumas diferenças no comportamento de meninos e meninas. Enquanto eles gastam 7% a mais de tempo na internet, elas vêem 9% a mais de páginas. Já em relação aos vídeos online, os garotos lideram. Eles passam 57% mais tempo assistindo a seus vídeos preferidos do que elas.

Número de crianças em comunidades virtuais deve aumentar

Se você ainda não se familiarizou com os diversos mundos virtuais que existem para crianças - como o Club Penguin, o Nicktropolis ou o site do Cartoon Network, por exemplo, entre outros -, já está na hora de conhecer um pouco mais sobre as comunidades que seus filhos visitam. Como indica uma pesquisa do site E-Marketer, especializado em marketing digital, a presença das crianças nesse universo deve aumentar ainda mais.

De acordo com um levantamento do site, nos Estados Unidos, em 2008, a estimativa era de que oito milhões de crianças entre três e 11 anos visitavam mundos virtuais. Com base nesses dados, a projeção é de que até 2013 esse número chegue a 15 milhões - ou seja, quase o dobro do atual.

Como diz Rosa Farah, psicóloga e coordenadora do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática), da PUC, as crianças sempre inventaram novos personagens, histórias e brincadeiras. Com a internet, o que mudou foi apenas o meio. As conversas virtuais, para ela, também ajudam no desenvolvimento das crianças. "O bate-papo pode ser considerado um ensaio das habilidades sociais, desde que o hábito seja levado para o mundo real", diz.

Rosa diz que muitos adultos - principalmente os pais - ainda têm preconceito em relação à internet. "Eles precisam lidar melhor com o mundo virtual. Tem muita coisa construtiva e estimulante para as crianças", diz. O jornalista (e usuário de blog e twitter) Marcelo Tas concorda com Rosa. Para ele, a falta de conhecimento é o que atrapalha. "Ferramentas como orkut, twitter, blog, são parte da vida das crianças como foi o Autorama ou o soldadinho de chumbo em gerações anteriores. Então, o melhor é que os pais, ao menos, se informem sobre o mundo virtual. Só ao se aproximar dessa realidade eles vão tirar os ruídos que são espalhados pela própria mídia. Tem muita coisa legal acontecendo na internet", diz.

Com três filhos de 20, 8 e 4 anos - Luiza, Miguel e Clarice - Tas diz que a saída é não tentar controlar ou espionar - o que não impede, entretanto, de definir limites. "Em casa, tem muita negociação. Eu digo que é hora de descansar, de ir para o parque...ou então, de jogar junto (o que eu faço bastante)...", diz. Para Tas, bloquear sites ou usar softwares para espionar o que as crianças fazem não é a melhor saída. "Isso é uma cilada. Seus filhos sabem mais do que você nessa área. O que precisamos é de flexibilidade para conviver com eles em uma era de tantas transformações", afirma.

Rosa afirma que o papel dos pais é justamente o de dar uma ponte entre a criança e a vida "presencial", ou seja, o mundo fora da internet. Ela acredita que o desafio, na vida familiar, é conseguir essa harmonia. "Os pais devem oferecer alternativas, estimular o contato social com outras crianças e adultos...Eles podem, por exemplo, jogar um game de futebol com o filho e depois ir ao campo com ele. Outra coisa importante: eles não devem ter vergonha de perguntar sobre os sites que a criançada visita", diz.

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