Crianças problemáticas, paciência em dobro

Crianças problemáticas, paciência em dobro

Atualizado: Quarta-feira, 21 Maio de 2008 as 12

Crianças problemáticas, paciência em dobro

Pirraças matinais, lutas na hora das refeições, birras em público, guerras com os trabalhos de casa são comportamentos que podem ser considerados quesitos polêmicos na educação dos filhos. Nestas situações, o desafio é diário para os pais e a palavra chave é paciência. Algumas crianças representam uma tarefa maior do que outras. Seu filho é problemático porque não quer dormir, não quer comer, briga com as crianças na escola, não para quieto, não quer sair de casa, quer jogar no computador o dia inteiro, não respeita os adultos, não faz os deveres na escola. Tantas podem ser as queixas.

De acordo com a psicóloga infantil, Ana Beatriz Reis, a primeira coisa que os pais devem fazer é apurar o que está acontecendo e quais são as atitudes de seu filho, para avaliar se existe algum problema. "Será que em casa as coisas não estão bem? A mãe e/ou o pai tem tido dificuldades com o filho, a avó, os amigos, os colegas de turma, a professora na escola, a coordenadora pedagógica, de onde vêem a queixa", explica.

Ana afirma que os problemas existem para todos, não é "privilégio" de ninguém. "Todos temos dificuldades e momentos confusos, não há vacina contra esse mal. Em cada etapa do desenvolvimento da criança podem ocorrer diferentes situações tais como: dificuldades com o desmame, a retirada das fraldas, a adaptação à escola. A questão primordial é encararmos a situação, tentar não fugir. Pois, por trás de uma "criança problema" pode estar uma pessoinha que está sofrendo. O sofrimento é o ponto chave. É preciso se perguntar por que seu filho sofre", salienta.

Toda criança tem vontades, assim como os adultos. Ela vê aquela boneca ou aquele jogo no anúncio da TV, assim como você vê aquele carro bacana, uma geladeira que você pega a água geladinha ou o gelo na porta sem precisar abri-la. Que ótimo, não? As vontades, os desejos, os sonhos fazem parte da vida. Mas, a realidade é um fato e pode se contrapor a isto. Não há problema em ter vontades, o problema está em achar que tudo deve ser satisfeito isso é realmente impossível. A especialista orienta aos pais para estes não atender a todas as vontades dos filhos. "Sentar e conversar sobre a vida é mais importante que atender a tudo, pois do contrário você está deseducando e criando uma pessoa que no futuro não saberá lidar com as frustrações e com os limites que a vida impõe", conclui.

Filhos de famílias numerosas podem ser tanto ou mais mimados que um filho único. Na opinião da psicóloga, a questão está em querer satisfazer todas as vontades, não deixando espaço para as frustrações que fazem parte da vida e que nos fazem crescer. Querer evitar a qualquer preço o sofrimento, superprotegendo o filho, é prejudicial. É claro que ninguém gosta de ver o filho sofrer, mas nem tudo é possível, os pais não podem dar conta de tudo. É preciso deixar espaço para os erros, para as falhas, afinal somos humanos.

Muitas famílias vêm o limite como um bicho de sete cabeças, não é assim, pelo menos não deveria ser assim. Alguns pais têm muita dificuldade, talvez até porque muitos tiveram uma educação severa, ou tenham sofrido agressões, mas isso é diferente do que estou querendo transmitir. O limite não é algo que deve inibir a espontaneidade, o lúdico, o brincar, a criatividade da criança, que são características muito preciosas da infância. Uma coisa você pode ter certeza seu filho não vai deixá-lo de amar porque você dá limites, pelo contrário isso pode melhorar e muito a relação de vocês, à medida que ele te respeita e você o respeita. Limite é amor, também.

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