Cuidado com o ciúme

Cuidado com o ciúme

Atualizado: Terça-feira, 26 Maio de 2009 as 12

O fato de uma esposa exigir atenção do marido é mais do que normal, afinal, ela casou para tê-lo perto dela. Não é comum a mulher se adaptar a um segundo lugar; isso é bíblico. Esposas que ocupavam o segundo lugar, como Hagar, Léia e Penina, se sentiam altamente infelizes por saberem que seus maridos manifestavam uma evidente atração pela esposa preferida.

O ciúme foi o primeiro crime da história da humanidade. Caim matou seu irmão Abel envenenado, motivado pelo ciúme. Esse sentimento tem destruído lares, amizades e laços familiares. Uma pessoa ciumenta duvida de tudo o que dizem a ela e de todos. O pior pavor de quem tem ciúme é perder.

Ciúme doentio nada tem a ver com amor. O amor jamais é possessivo (1 Coríntios 13.4-5). A pessoa que é ciumenta certamente começou com esse comportamento lá na infância, com as bonecas, as panelinhas, na relação com os pais e com as amiguinhas.

De acordo com o professor Thiago de Almeida, psicólogo e pesquisador do Instituto de Psicologia da USP - Departamento de Psicologia Clínica - e autor do livro "Ciúme e suas conseqüências para os relacionamentos amorosos", dentre as mais diferenciadas emoções humanas, o ciúme é uma emoção extremamente comum.

"Uma das definições mais aceitas para o entendimento desse tema é a de que ele é um complexo de pensamentos, sentimentos e ações que se seguem às ameaças para a existência ou a qualidade de um relacionamento, enquanto estas ameaças são geradas pela percepção de uma real ou potencial atração entre um parceiro e um (talvez imaginário) rival", comenta.

De acordo com o psicólogo, todos nós cultivamos certo grau de ciúme, afinal, quem ama cuida. Mas, como este desvelo pode variar na interpretação de uma pessoa para a outra, de forma análoga, o ciúme também o variará. O especialista explica que o ciúme se desenvolve quando uma pessoa percebe, que uma outra não está tão estreitamente conectada com ela como gostaria.

"O ciúme surge quando um relacionamento diádico valorizado é ameaçado devido à interferência de um rival e pode envolver sentimentos como medo, suspeição, desconfiança, angústia, ansiedade, raiva, rejeição, indignação, constrangimento e solidão, dentre outras, dependendo de cada pessoa", afirma.

O especialista esclarece que é possível a pessoa ter ciúme até mesmo em relacionamentos platônicos. Segundo Almeida, o conceito de ciúme mórbido ou patológico, também chamado de Síndrome de Otelo, em referência ao romance shakeasperiano, compreende várias emoções e pensamentos irracionais e perturbadores, além de comportamentos inaceitáveis ou bizarros.

O especialista relata que esses casos estão cada vez mais comuns dentro das clínicas. "É provável que o aumento do número de casos nos consultórios relacione-se ao desassossego provocado pelo ciúme, bem como o desejo de aplacá-lo, em nome de uma vida psíquica mais saudável", diz.

De acordo com o psicólogo, o termo ciúme patológico engloba uma ampla gama de manifestações (de reativas a delirantes) e diagnósticos psiquiátricos. Inclui os casos de ciúme sintomático, ou seja, quando é parte de outro transtorno mental (ex.: alcoolismo, demência, esquizofrenia). Nessas circunstâncias, o foco do tratamento seria o processo principal subjacente.

O professor afirma que frequentemente ocorre de o parceiro infiel colocar o outro em dúvida sobre suas próprias percepções e memórias. "O que mais incomoda o indivíduo ciumento é seu parceiro negar a existência de outra pessoa e fazer com que acredite que ele está imaginando coisas e que sempre foi fiel", diz.

O profissional chama a atenção para os casos em que após o parceiro ciumento descobrir que de fato foi traído irritar-se mais com a mentira, com a negativa do outro, que o fez acreditar que ele próprio estava errado, ou, ainda, que estava doente por imaginar coisas, do que com a própria infidelidade.

"A infidelidade pode não ser a pior coisa que o parceiro faz ao outro. Ela é apenas uma das mais perturbadoras e desorientadoras porque é capaz de destruir um relacionamento - não necessariamente pelo ato sexual -, aliada às mentiras e aos segredos que passam a distanciar o casal", declara.

O pesquisador lembra que muitos são os comportamentos que revelam que uma pessoa pode estar se excedendo em seu ciúme. "Comportamentos tais como examinar bolsos, carteiras, recibos, contas, roupas íntimas e lençóis, ouvir telefonemas, abrir correspondências, seguir o cônjuge ou mesmo contratar detetives particulares para fazer isso costumam não aliviar e ainda agravar sentimentos de remorso e inferioridade nas pessoas que padecem de ciúme excessivo", finaliza.

Quando uma pessoa reconhece a sua falha diante de Deus, Ele não só perdoa, mas limpa o coração do homem de toda impureza, transformando-o em uma nova criatura. Está escrito em 1 João 1.9: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." Esse é o grande segredo para tratar de um espinho no ninho. O ciúme é um pecado e deve ser tratado como tal.

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