Cuidado com o que fala do marido; ele pode se transformar nisso

Cuidado com o que fala do marido; ele pode se transformar nisso

Atualizado: Quinta-feira, 12 Novembro de 2009 as 12

Uma terapeuta norte-americana chamada Susan assistiu a um seminário sobre casamentos e ouviu do palestrante a frase: "Seu marido se tornará aquilo do que for chamado". Na saída do evento, ela e o marido fizeram piada com a informação e Susan o chamou de "magro" e ele disse que ela era "sexy".

Mas a terapeuta levou a coisa a sério e passou a chamá-lo de "magro" e "fino" sempre que encontrava oportunidade. Durante mais de uma década, seu marido beirou os 100 kg e não conseguia emagrecer, até que desistiu de vez de tentar perder peso. Pois apenas dois meses após os novos adjetivos aplicados pela mulher, ele havia eliminado 8 dos seus 97 kg.

A experiência real de Susan faz parte do livro The Woman Men Adore...and Never Want to Leave (As mulheres que os homens adoram e nunca querem deixar), do terapeuta americano Bob Grant, também conhecido como Dr. Relacionamento.

A mensagem é clara: os homens devem ser treinados. Segundo ele, o que fez a terapeuta foi aproveitar uma oportunidade para influenciar o parceiro a se tornar aquilo que ele gostaria, aumentando sua autoconfiança. "Ela tomou uma decisão e a manteve de maneira proativa e consistente até que enxergasse os resultados que queria - no caso, deixar o marido mais magro", disse em seu blog.

O que aconteceu com Susan e o marido encontra explicação numa teoria conhecida como profecia autorrealizadora. "Aquela história de falar que uma criança não vai dar certo pode acabar não dando mesmo, pois se adapta às expectativas", disse a psicóloga e professora da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Claudia Sodré.

Ela usa esse exemplo para afirmar que é mais comum em crianças e mais raro em adultos. "Não é possível prever um comportamento por apenas um estímulo, mas é verdade que as pessoas se acostumam a funcionar de um determinado jeito", afirmou.

A mulher que fala que o marido é desatento pode se antecipar e sair fazendo as coisas prejulgando que ele não irá cumpri-las e criar assim uma condição, reforçando o comportamento que critica no outro. "Então fala que ele é desatento, mas nem deu chance para que tentasse mudar", afirmou Claudia.

"Em alguns casos, o homem gostaria de fazer algo diferente, mas não consegue, pois não existe tempo. A mulher está sempre à frente dele", disse a terapeuta paulistana Eliana Alcauza. "Homem não tem bola de cristal. Mulher está sempre se antecipando; homem atua dentro da realidade. Uma das principais reclamações é que ele não faz surpresas. Mas isso acontece porque não encontra espaço." Eliana usa a teoria para resolver outra questão que muito incomoda o sexo feminino. "É mais fácil falar para ele o que quer ganhar de presente e pronto."

Segundo Claudia Sodré, a experiência também se repete quando uma característica ficou marcada em determinada época do relacionamento, como ser ciumento. "A pessoa não é mais assim. Às vezes mudou, amadureceu, mas continua sendo julgada dessa maneira pelo parceiro. Acontece também em relação aos pais, que nos vêem como éramos quando solteiros, mesmo depois de casados."

Mulher maravilha

"Não se pode ser mulher maravilha para dar espaço ao homem", disse Eliana. "A figura do masculino é idealizada e, quando ela não é apropriada, começamos a ver defeitos. Faz parte da exigência do feminino que trabalha, cuida dos filhos, casa, marido e não encontra um ideal fora delas mesmas." A terapeuta condena esse comportamento. "Assim a mulher se torna mãe. E homem precisa de mulher, não de mãe."

"O aprendizado é perceber que as pessoas reagem àquilo que fazemos", afirmou Claudia. Para o terapeuta Bob Grant, melhor do que reclamar é usar o poder presente nos sentimentos. Ele ressalta que não se trata de mágica, mas de uma característica masculina: querer ser influenciado por uma mulher.

"Alguns homens não são bons em receber ou ceder poder, mas quanto mais longo o casamento, mais a mulher molda e modela o homem", disse. A diferença entre um bom e mau resultado está na maneira como isso é feito. "Homens não se importam em ser influenciados por suas mulheres, mas odeiam as cobranças. Esperam que elas saibam como fazer isso, mas não de maneira ameaçadora."

E ele alerta: a resposta será favorável, mas em alguns momentos negativa. "Porém, se a mulher persistir, será vencedora, pois nenhum homem pode competir com os sentimentos de uma mulher."

Mito

Antes de lançar mão da sugestão, as terapeutas afirmam que é necessário lidar com conceitos errados. "Algumas mulheres demonstram conformismo, acham que os maridos sempre foram assim e que não vão mudar, alimentando o mito de que são obrigadas a viver solitárias", diz Eliana Alcauza.

"Percebo muitos casais que trazem problemas cristalizados. Tentaram tudo o que podiam, mas não conseguiram mudar e as coisas ficam se repetindo", afirmou Claudia Sodré.

As reclamações, segundo ela, no começo do relacionamento, estão mais ligadas a questões práticas. Briga por diferentes expectativas, não saber o que esperar do relacionamento e divisão de tarefas, principalmente depois da chegada do primeiro filho. Com o aumento do tempo de convivência, as queixam são mais frequentes sobre falta de compreensão, solidão e falta de respeito.

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