Da brincadeira de boneca à realidade de ser mãe

Da brincadeira de boneca à realidade de ser mãe

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 11:47

Campanhas a favor do uso de preservativos e pílulas anticoncepcionais, além de orientações dadas por pais e professores parecem não ser o bastante para evitar a gravidez precoce. Às vezes, um pequeno deslize pode mudar completamente a vida de uma adolescente. Fernanda Rozé, 17 anos, passou por uma situação como esta e hoje é mãe de Maria Clara,  dois anos. A princípio não foi nada fácil encarar o fato, mas pior do que o susto inicial foi ter que dar a notícia para o ex-namorado e os pais.

“Fiquei grávida com 15 anos. Estava no final da oitava série no colégio, não esperava que isso acontecesse comigo, porque sempre fui muito preocupada e cuidadosa”. Fernanda acredita que o deslize ocorreu pela falta de disciplina na hora de tomar as pílulas anticoncepcionais daquele mês.  A jovem explica que a gravidez ocorreu justamente quando ela havia terminado o namoro com o rapaz, três anos mais velho que ela. Por isso a aflição foi maior.   O desespero fez com que ela escondesse por cinco meses a notícia de todos, com exceção da irmã mais velha. “Eu deixei o tempo passar, fiquei sem saber o que fazer. Depois da minha irmã, a primeira a descobrir foi minha mãe que percebeu uma barriguinha que nunca tive”.

A mãe reagiu com espanto e muita preocupação, e no mesmo dia decidiu contar para o pai e a família dele. O resultado foi a surpresa e a retomada do namoro, que durou todo o período da gravidez.

Quanto ao rendimento escolar, Fernanda afirma que só perdeu duas semanas de aula por causa do período pós-parto. Todos os outros dias em que ela esteve na instituição muitos colegas deram força, poucos foram os que fizeram brincadeiras de mau gosto. As amigas ficaram surpresas, mas depois se acostumaram com a ideia, e até gostaram.

“Minha vida mudou depois que tive Maria Clara, principalmente, porque tudo que eu faço depende de mais alguém. Mas continuo saindo com minhas amigas. Faço tudo o que quero fazer e tenho o apoio da minha família que sempre me ajuda, cuidando dela quando não posso”. A relação da jovem com o pai da criança é complicada e ela explica que a menina é sustentada apenas pela família dela.

Fernanda adora sair para passear com a filha. Quando as pessoas olham as duas,  logo pensam que são irmãs. “Já estou acostumada. Ninguém acredita que Maria Clara é minha filha, já cansei de dizer e ver as pessoas espantadas”. Para ela é difícil definir em palavras o que é ser mãe. “Só quem é mãe consegue entender”, explica.    

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