Dar segurança ao filho

Dar segurança ao filho

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 9:04

Existem certas situações em que só o colo do pai consegue dar aquela segurança que a gente precisa. Seja porque ele é homem, tem voz grossa etc. e tal, o pacote todo, ou porque representa mesmo uma figura de autoridade na casa, as crianças vêem o pai muito maior, mais forte e mais inteligente – e não importa muito se, na realidade, ele é realmente assim. Para a criança, seu pai é seu herói, uma fortaleza. E os pequenos depositam nele seus sonhos de crescimento e o desejo de vir a ser como ele (para os meninos), ou encontrar alguém como ele para amar e ter como companheiro (para as meninas).

Os psicanalistas explicam que isso vem desde as origens, quando o bebê nasce e sua ligação com a mãe é tão forte que mãe e filho são como quase um só corpo. É o que os psicólogos chamam de simbiose, uma relação de fusão que geralmente dura até os 3 meses de vida do bebê. Até que chega o momento em que o pequenino tem de se separar da mãe, ganhar o mundo, crescer... Essa separação começa a acontecer quando o bebê percebe a existência de um “outro” além dele mesmo e de sua mãe. Esse outro, sim, é o pai, despontando para estabelecer-se como a figura tão importante que é e vai se tornar nos próximos anos e para a vida toda. Não é à toa que, ao perder o pai, mesmo já adultos, nos sentimos um pouco desnorteados, sem referência mesmo, sem esse porto seguro ao qual sabemos que podemos voltar depois de nos aventurarmos pelo mundo. Se a mãe abre espaço para a entrada desse outro, o bebê passa a ver que existe um jogo de convivência, com regras, limites e obediência. Se a mãe está nesse jogo, respeitando as regras e convivendo obedientemente com o pai, a criança se vê obrigada a entrar também. Assim, o pai representa para o filho a autoridade, transmitindo- lhe o significado do limite, do “não” e das leis da civilização, em que todos respeitam as regras.

E quando uma criança cresce reconhecendo que, para viver em sociedade, existem leis e regras, ela se sente muito mais segura. Segura de que, respeitando e obedecendo os limites desse jogo, os outros vão respeitá-la também. E é o pai, com toda a sua autoridade, que ensina o filho a trilhar esse caminho das pedras. Claro que a mãe também entra na história. Se ela não reconhecer e respeitar a figura de autoridade do pai e marido, o filho, por tabela, não vai aceitar todas essas leis e regras que o pai lhe apresenta. Segundo o psiquiatra e psicanalista Catulo Magalhães, quando a mulher não estabelece uma relação de obediência com o marido na casa e não mostra ao filho que ela também se submete às regras do tal jogo, esse pai não será reconhecido pela criança, que, no limite, pode crescer com um certo grau de perversão, usando os outros como instrumento de seu interesse – e não vendo-os como seus semelhantes, que deve respeitar. Outra coisa óbvia, mas que não custa repetir: também de nada adianta ensinar regras e limites aos pequenos se os próprios pais não os seguem. Aquilo que a gente diz e ensina tem de ser demonstrado no dia-a- dia, ali na lida, por pai e mãe, sempre.

CONSULTORIA: ANGELA CLARA CORRÊA, MÃE DE VINÍCIUS, PSICÓLOGA, TEL.: (11) 5575-6300 * CATULO CESAR PESTANA DE BARROS MAGALHÃES, PAI DE FILIPE, DIMITRIOS E VINICIUS, PSIQUIATRA, PSICANALISTA E PROFESSOR DOUTORADO PELA UNIFESP, TEL.: (11) 3283-3305. * SILVIA LOBO, MÃE DE ADRIANA, SUZANA E MAURÍCIO, PSICANALISTA, TEL.: (11) 3064-1694.

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