De cada três engenheiros, apenas um trabalha na área

De cada três engenheiros, apenas um trabalha na área

Atualizado: Sexta-feira, 26 Fevereiro de 2010 as 12

No title De cada 3,5 engenheiros formados no Brasil, apenas um está formalmente empregado na área. Isso mostra que o país tem um número suficiente de engenheiros para dar conta dos novos postos que devem surgir com o crescimento econômico. No entanto, é necessário que a proporção de profissionais dedicados às áreas específicas da engenharia aumente para acompanhar os cenários mais otimistas no território nacional.

A avaliação é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada na sexta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Segundo o instituto, o estudo foi motivado pela possibilidade de não haver número suficiente de engenheiros no país para dar conta da demanda que deverá surgir com o crescimento econômico.

Segundo o Ipea, isso poderia resultar em um "apagão de mão de obra qualificada", caso a economia cresça ou por conta de mudanças tecnológicas, principalmente em alguns setores, como o do pré-sal.

A demanda tem superado o aumento de oferta de mão de obra no mercado, de acordo com o Ipea. O ponto que mais preocupa o órgão de pesquisa é a baixa proporção de formados que estão formalmente empregados no setor.

Crescimento do PIB

Para realizar o estudo, o Ipea identificou o requerimento técnico por engenheiro – quantidade de profissionais com essa competência requerida tecnicamente para atender a um determinado nível de produção – para formação do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, projetou a quantidade de engenheiros potencialmente necessários a cada ano, entre 2009 e 2022.

Em 2008, o estoque de graduados em engenharia foi de cerca de 750 mil, enquanto o requerimento técnico por esses empregados foi de 211.713 profissionais. No ano anterior, o total de graduados foi de 188.654 e o número de 2006  ficou em 174.183.

Três cenários distintos foram analisados em relação ao crescimento anual do PIB: 3%, 5% e 7%. Baseadas nos números de pessoas que concluíram os cursos das engenharias, na produção e na construção no Brasil, além da projeção dos formandos, o Ipea estima que em 2015 haverá 1,099 milhão de engenheiros disponíveis no mercado.

O estudo constata também que, à primeira vista, a disponibilidade de engenheiros seria suficiente para enfrentar a demanda, desde que o crescimento do PIB se mantenha em 3% ao ano e a proporção entre formados, na comparação com os formalmente empregados, caia para três por um - no quadro atual, a cada 3,5 engenheiros formados apenas um está empregado formalmente.

Oferta e demanda do mercado

Nesse novo quadro (patamar de três por um), a demanda estaria em 1,001 milhão de profissionais em 2015. Número abaixo dos 1,099 milhão de engenheiros que deverão atuar no mercado, segundo o Ipea.

Caso o crescimento do PIB fique a 5% ao ano, serão necessários 1,155 milhões de profissionais - número ligeiramente maior do que o previsto. E, com crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de engenheiros.

Já a projeção para 2022 aponta que haverá 1,565 milhões de engenheiros trabalhando na área - número suficiente para dar conta da demanda, caso o PIB cresça de 3% a 5% ao ano. Mas, para isso, será necessário que a proporção de profissionais dedicados à profissão aumente - de cada dois formados, um deverá estar no mercado.

Caso se mantenha o quadro atual - de 3,5 para um -, a demanda será de 1,861 milhão de engenheiros, com o PIB de 3% ao ano; e de 2,48 milhões de engenheiros para o caso de se registrar crescimento em 5% ao ano do PIB.

Em 2022, a demanda e a oferta de profissionais ficarão bem próximas diante da relação três por um. Nesse caso, serão necessários 1,595 milhão de engenheiros para um mercado que deverá ser de 1,565 engenheiros, com o PIB a 3% ao ano. Caso cresça 5%, serão necessários 2,125 milhões de engenheiros; e 3,405 milhões, com o PIB em 7%.

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