Deixa chorar?

Deixa chorar?

Atualizado: Quinta-feira, 7 Outubro de 2010 as 2:46

A psicóloga inglesa Penelope Leach afirma, em novo livro, que deixar a criança chorando, sozinha, na hora de dormir prejudica o desenvolvimento cerebral dela. Veja aqui o que dizem os especialistas e um plano de duas semanas para seu filho aprender a dormir sozinho – e sem estresse

Às vezes parece que tudo o que você faz não está certo. Se antes o melhor jeito de colocar o bebê para dormir era de lado, a recomendação hoje é de barriga para cima. Dormir na cama com os pais nem pensar e nem com a televisão ligada. Não bastassem esses "nãos", o recém-lançado The Essential First Year (O Primeiro Ano Essencial, em tradução livre), acrescenta mais um à lista: nada de deixar a criança chorar, sozinha, por muito tempo. A autora, a psicóloga inglesa Penelope Leach, afirma que essa é a única maneira dela se comunicar. Se quando faz isso não tem resposta nenhuma, como a presença e o carinho dos pais, pode ter problemas emocionais no futuro. Mas ela vai além: chega a dizer que deixar chorar pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral. Isso aconteceria porque o hormônio do estresse, o cortisol, liberado em altas quantias (o que ocorre em choros compulsivos), seria "tóxico" ao cérebro. Os especialistas brasileiros ouvidos por CRESCER discordam. Eles são unânimes ao afirmar que não existem provas científicas comprovando essa relação. Portanto, se você já passou por uma situação dessas, pode respirar aliviado.

Deixar chorar não é uma recomendação que passou de geração em geração, apenas. Esse método é mais que conhecido. Chamado Nana Nenê, do médico espanhol Eduard Estivill, o livro ganhou notoriedade internacional muitos anos atrás e até hoje há quem garanta que funciona, sim. Mas quando você pergunta aos médicos se tudo bem deixar chorar, aí não há mais consenso.

Para os especialistas, a hora de dormir deve ser um momento de tranquilidade, então não faz sentido deixar a criança estressada. Um estudo publicado recentemente em uma publicação internacional mostrou que a sua presença e a disponibilidade para ajudar seu filho são diferenciais importantes. Eles acompanharam as mães para saber como elas colocavam os filhos para dormir. Aquelas que respondiam aos questionamentos, as mais pacientes e que percebiam quando estavam entediado, conseguiram que o bebê dormisse antes.

Se você nem quer tentar deixar seu filho chorando – ou se já tentou e não funcionou –, calma. Há outras opções. CRESCER preparou, com ajuda de especialistas, um programa de 15 dias para seu filho dormir bem. São várias etapas. Não existe uma quantidade de dias para ficar em cada uma. A ideia é que você avance à medida que ele se acostume com as novas regras. Bom para o sono dele, e para o seu também, não é?

3 passos para seu filho dormir sem "chororô"

1. Antes de deitar

A primeira dica é uma que provavelmente você já escutou: organizar a rotina. Esse planejamento vai ajudar seu filho a sentir sono no momento certo. A partir das 18 horas nosso cérebro começa a avisar o organismo que é hora de descansar.

Pergunte a você mesmo se está pronto. A mudança vai exigir resistência e paciência. Se desistir, vai ser mais difícil da próxima vez porque seu filho já sabe que você pode voltar atrás. Ele precisa aprender a dormir por muitos motivos: os hormônios do crescimento são liberados durante o sono, inúmeras pesquisas já comprovaram que ele pode ter problemas de aprendizado e porque você precisa de noites bem dormidas para ter mais disposição.

Se seu filho tiver menos de um ano, saiba que ele vai acordar para as mamadas da madrugada. Depois, você pode combinar com seu pediatra de reduzi-las até conseguir dar uma mamada no fim da noite.

Conforme seu bebê vai crescendo, cuide para que o sono da tarde não comece depois das 15 horas. Pode atrapalhar o sono da noite. Depois, tente mantê-lo acordado.

Se for maior, diga que agora todo mundo vai mais cedo para cama. Explique que no dia seguinte ele não vai ficar com sono quando acordar, que vocês vão poder brincar juntos. Ele pode chorar, fazer birra... aguente firme. A criança não tem capacidade para discernir o que é bom ou não para ela.

Pelo menos duas horas antes dele dormir, evite brincadeiras que estimulem demais (isso vale para bebês também) ou games e desenhos – eles espantam o sono. Se você chega em casa nesse horário, proponha uma brincadeira mais relax, como contar histórias com os bonecos. Se for um bebê e ele já estiver dormindo, resista à vontade de acordá-lo.

Banho também ajuda, mas não pouco antes de a criança se deitar. Faça isso com pelo menos uma hora de antecedência. Nosso corpo relaxa em altas temperaturas, mas cerca de uma hora depois, quando a temperatura vai voltando ao normal, começamos a sentir sono. Isso funciona superbem com bebês pequenos, mas os maiores podem perceber que isso faz parte de um plano (nunca subestime a inteligência da criança). Ele pode dizer que não quer ir. Então, em vez de falar "hora de tomar banho", você pode propor "vamos tomar banhos juntos?". Vai muito da sua sensibilidade para saber o que vai provocar interesse nele ou não.

2. Dentro do quarto

Uma vez no quarto, sempre no quarto. De pijama, coloque seu filho na cama. Se ele não tinha o costume de dormir ali, espere resistência, e choro. Converse com ele, diga que você vai esperar o sono dele chegar ali ao lado. Apague a luz – pode deixar a do corredor acesa.

Seu filho tem de sentir que a cama é um espaço seguro. Se ele tiver um objeto de transição (como um paninho ou um brinquedo), ponha ali também e conte para o seu filho que aquele amigo vai ajudá-lo a dormir.

De imediato (assim ele não tem tempo de sair da cama ou do berço), leia um livro – quantas vezes precisar ser lido. Algumas crianças pedem que os pais contem muitas vezes a mesma história. Em alguns casos, porque gostaram do enredo. Em outros, para testar a sua resitência e ver se você desiste de colocá-lo para dormir.

Quando você perceber que ele está com os olhos semicerrados, faça uma despedida e saia.

3. Ainda não acabou

Seu filho pode começar a chorar, de novo. Respire (bem) fundo e conte até dez. Deixe ele chorar por alguns minutos – esse tempinho não faz mal. Em alguns casos, a criança volta a dormir rapidinho. Se ele não parar, volte ao quarto dele sem acender a luz e diga que está tudo bem, que você vai esperar ele dormir de novo. Coloque-o no berço, segure a mão dele para que ele sinta sua presença, converse um pouco. O importante é não sair do quarto. Vale ler outra história também.

Outra tática das crianças é começar a chamar "mamãe" ou "papai" (e eles podem fazer isso por muito tempo). Vá até lá e converse com ela. Diga que amanhã vocês conversam mais e que ela precisa descansar.

Se ele souber andar, irá até a sua cama. E a vontade de desistir e aninhá-lo no meio de vocês dois vai ser imensa. Mas, se você quer que sua cama seja um passeio esporádico, e não o destino diário, levante, pegue ele no colo e volte até o quarto. Não custa lembrar: pai e mãe devem fazer um revezamento, OK?

A psicóloga inglesa Penelope Leach afirma, em novo livro, que deixar a criança chorando, sozinha, na hora de dormir prejudica o desenvolvimento cerebral dela. Veja aqui o que dizem os especialistas e um plano de duas semanas para seu filho aprender a dormir sozinho – e sem estresse

Às vezes parece que tudo o que você faz não está certo. Se antes o melhor jeito de colocar o bebê para dormir era de lado, a recomendação hoje é de barriga para cima. Dormir na cama com os pais nem pensar e nem com a televisão ligada. Não bastassem esses "nãos", o recém-lançado The Essential First Year (O Primeiro Ano Essencial, em tradução livre), acrescenta mais um à lista: nada de deixar a criança chorar, sozinha, por muito tempo. A autora, a psicóloga inglesa Penelope Leach, afirma que essa é a única maneira dela se comunicar. Se quando faz isso não tem resposta nenhuma, como a presença e o carinho dos pais, pode ter problemas emocionais no futuro. Mas ela vai além: chega a dizer que deixar chorar pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral. Isso aconteceria porque o hormônio do estresse, o cortisol, liberado em altas quantias (o que ocorre em choros compulsivos), seria "tóxico" ao cérebro. Os especialistas brasileiros ouvidos por CRESCER discordam. Eles são unânimes ao afirmar que não existem provas científicas comprovando essa relação. Portanto, se você já passou por uma situação dessas, pode respirar aliviado.

Deixar chorar não é uma recomendação que passou de geração em geração, apenas. Esse método é mais que conhecido. Chamado Nana Nenê, do médico espanhol Eduard Estivill, o livro ganhou notoriedade internacional muitos anos atrás e até hoje há quem garanta que funciona, sim. Mas quando você pergunta aos médicos se tudo bem deixar chorar, aí não há mais consenso.

Para os especialistas, a hora de dormir deve ser um momento de tranquilidade, então não faz sentido deixar a criança estressada. Um estudo publicado recentemente em uma publicação internacional mostrou que a sua presença e a disponibilidade para ajudar seu filho são diferenciais importantes. Eles acompanharam as mães para saber como elas colocavam os filhos para dormir. Aquelas que respondiam aos questionamentos, as mais pacientes e que percebiam quando estavam entediado, conseguiram que o bebê dormisse antes.

Se você nem quer tentar deixar seu filho chorando – ou se já tentou e não funcionou –, calma. Há outras opções. CRESCER preparou, com ajuda de especialistas, um programa de 15 dias para seu filho dormir bem. São várias etapas. Não existe uma quantidade de dias para ficar em cada uma. A ideia é que você avance à medida que ele se acostume com as novas regras. Bom para o sono dele, e para o seu também, não é?

3 passos para seu filho dormir sem "chororô"

1. Antes de deitar

A primeira dica é uma que provavelmente você já escutou: organizar a rotina. Esse planejamento vai ajudar seu filho a sentir sono no momento certo. A partir das 18 horas nosso cérebro começa a avisar o organismo que é hora de descansar.

Pergunte a você mesmo se está pronto. A mudança vai exigir resistência e paciência. Se desistir, vai ser mais difícil da próxima vez porque seu filho já sabe que você pode voltar atrás. Ele precisa aprender a dormir por muitos motivos: os hormônios do crescimento são liberados durante o sono, inúmeras pesquisas já comprovaram que ele pode ter problemas de aprendizado e porque você precisa de noites bem dormidas para ter mais disposição.

Se seu filho tiver menos de um ano, saiba que ele vai acordar para as mamadas da madrugada. Depois, você pode combinar com seu pediatra de reduzi-las até conseguir dar uma mamada no fim da noite.

Conforme seu bebê vai crescendo, cuide para que o sono da tarde não comece depois das 15 horas. Pode atrapalhar o sono da noite. Depois, tente mantê-lo acordado.

Se for maior, diga que agora todo mundo vai mais cedo para cama. Explique que no dia seguinte ele não vai ficar com sono quando acordar, que vocês vão poder brincar juntos. Ele pode chorar, fazer birra... aguente firme. A criança não tem capacidade para discernir o que é bom ou não para ela.

Pelo menos duas horas antes dele dormir, evite brincadeiras que estimulem demais (isso vale para bebês também) ou games e desenhos – eles espantam o sono. Se você chega em casa nesse horário, proponha uma brincadeira mais relax, como contar histórias com os bonecos. Se for um bebê e ele já estiver dormindo, resista à vontade de acordá-lo.

Banho também ajuda, mas não pouco antes de a criança se deitar. Faça isso com pelo menos uma hora de antecedência. Nosso corpo relaxa em altas temperaturas, mas cerca de uma hora depois, quando a temperatura vai voltando ao normal, começamos a sentir sono. Isso funciona superbem com bebês pequenos, mas os maiores podem perceber que isso faz parte de um plano (nunca subestime a inteligência da criança). Ele pode dizer que não quer ir. Então, em vez de falar "hora de tomar banho", você pode propor "vamos tomar banhos juntos?". Vai muito da sua sensibilidade para saber o que vai provocar interesse nele ou não.

2. Dentro do quarto

Uma vez no quarto, sempre no quarto. De pijama, coloque seu filho na cama. Se ele não tinha o costume de dormir ali, espere resistência, e choro. Converse com ele, diga que você vai esperar o sono dele chegar ali ao lado. Apague a luz – pode deixar a do corredor acesa.

Seu filho tem de sentir que a cama é um espaço seguro. Se ele tiver um objeto de transição (como um paninho ou um brinquedo), ponha ali também e conte para o seu filho que aquele amigo vai ajudá-lo a dormir.

De imediato (assim ele não tem tempo de sair da cama ou do berço), leia um livro – quantas vezes precisar ser lido. Algumas crianças pedem que os pais contem muitas vezes a mesma história. Em alguns casos, porque gostaram do enredo. Em outros, para testar a sua resitência e ver se você desiste de colocá-lo para dormir.

Quando você perceber que ele está com os olhos semicerrados, faça uma despedida e saia.

3. Ainda não acabou

Seu filho pode começar a chorar, de novo. Respire (bem) fundo e conte até dez. Deixe ele chorar por alguns minutos – esse tempinho não faz mal. Em alguns casos, a criança volta a dormir rapidinho. Se ele não parar, volte ao quarto dele sem acender a luz e diga que está tudo bem, que você vai esperar ele dormir de novo. Coloque-o no berço, segure a mão dele para que ele sinta sua presença, converse um pouco. O importante é não sair do quarto. Vale ler outra história também.

Outra tática das crianças é começar a chamar "mamãe" ou "papai" (e eles podem fazer isso por muito tempo). Vá até lá e converse com ela. Diga que amanhã vocês conversam mais e que ela precisa descansar.

Se ele souber andar, irá até a sua cama. E a vontade de desistir e aninhá-lo no meio de vocês dois vai ser imensa. Mas, se você quer que sua cama seja um passeio esporádico, e não o destino diário, levante, pegue ele no colo e volte até o quarto. Não custa lembrar: pai e mãe devem fazer um revezamento, OK?

A psicóloga inglesa Penelope Leach afirma, em novo livro, que deixar a criança chorando, sozinha, na hora de dormir prejudica o desenvolvimento cerebral dela. Veja aqui o que dizem os especialistas e um plano de duas semanas para seu filho aprender a dormir sozinho – e sem estresse

Às vezes parece que tudo o que você faz não está certo. Se antes o melhor jeito de colocar o bebê para dormir era de lado, a recomendação hoje é de barriga para cima. Dormir na cama com os pais nem pensar e nem com a televisão ligada. Não bastassem esses "nãos", o recém-lançado The Essential First Year (O Primeiro Ano Essencial, em tradução livre), acrescenta mais um à lista: nada de deixar a criança chorar, sozinha, por muito tempo. A autora, a psicóloga inglesa Penelope Leach, afirma que essa é a única maneira dela se comunicar. Se quando faz isso não tem resposta nenhuma, como a presença e o carinho dos pais, pode ter problemas emocionais no futuro. Mas ela vai além: chega a dizer que deixar chorar pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral. Isso aconteceria porque o hormônio do estresse, o cortisol, liberado em altas quantias (o que ocorre em choros compulsivos), seria "tóxico" ao cérebro. Os especialistas brasileiros ouvidos por CRESCER discordam. Eles são unânimes ao afirmar que não existem provas científicas comprovando essa relação. Portanto, se você já passou por uma situação dessas, pode respirar aliviado.

Deixar chorar não é uma recomendação que passou de geração em geração, apenas. Esse método é mais que conhecido. Chamado Nana Nenê, do médico espanhol Eduard Estivill, o livro ganhou notoriedade internacional muitos anos atrás e até hoje há quem garanta que funciona, sim. Mas quando você pergunta aos médicos se tudo bem deixar chorar, aí não há mais consenso.

Para os especialistas, a hora de dormir deve ser um momento de tranquilidade, então não faz sentido deixar a criança estressada. Um estudo publicado recentemente em uma publicação internacional mostrou que a sua presença e a disponibilidade para ajudar seu filho são diferenciais importantes. Eles acompanharam as mães para saber como elas colocavam os filhos para dormir. Aquelas que respondiam aos questionamentos, as mais pacientes e que percebiam quando estavam entediado, conseguiram que o bebê dormisse antes.

Se você nem quer tentar deixar seu filho chorando – ou se já tentou e não funcionou –, calma. Há outras opções. CRESCER preparou, com ajuda de especialistas, um programa de 15 dias para seu filho dormir bem. São várias etapas. Não existe uma quantidade de dias para ficar em cada uma. A ideia é que você avance à medida que ele se acostume com as novas regras. Bom para o sono dele, e para o seu também, não é?

3 passos para seu filho dormir sem "chororô"

1. Antes de deitar

A primeira dica é uma que provavelmente você já escutou: organizar a rotina. Esse planejamento vai ajudar seu filho a sentir sono no momento certo. A partir das 18 horas nosso cérebro começa a avisar o organismo que é hora de descansar.

Pergunte a você mesmo se está pronto. A mudança vai exigir resistência e paciência. Se desistir, vai ser mais difícil da próxima vez porque seu filho já sabe que você pode voltar atrás. Ele precisa aprender a dormir por muitos motivos: os hormônios do crescimento são liberados durante o sono, inúmeras pesquisas já comprovaram que ele pode ter problemas de aprendizado e porque você precisa de noites bem dormidas para ter mais disposição.

Se seu filho tiver menos de um ano, saiba que ele vai acordar para as mamadas da madrugada. Depois, você pode combinar com seu pediatra de reduzi-las até conseguir dar uma mamada no fim da noite.

Conforme seu bebê vai crescendo, cuide para que o sono da tarde não comece depois das 15 horas. Pode atrapalhar o sono da noite. Depois, tente mantê-lo acordado.

Se for maior, diga que agora todo mundo vai mais cedo para cama. Explique que no dia seguinte ele não vai ficar com sono quando acordar, que vocês vão poder brincar juntos. Ele pode chorar, fazer birra... aguente firme. A criança não tem capacidade para discernir o que é bom ou não para ela.

Pelo menos duas horas antes dele dormir, evite brincadeiras que estimulem demais (isso vale para bebês também) ou games e desenhos – eles espantam o sono. Se você chega em casa nesse horário, proponha uma brincadeira mais relax, como contar histórias com os bonecos. Se for um bebê e ele já estiver dormindo, resista à vontade de acordá-lo.

Banho também ajuda, mas não pouco antes de a criança se deitar. Faça isso com pelo menos uma hora de antecedência. Nosso corpo relaxa em altas temperaturas, mas cerca de uma hora depois, quando a temperatura vai voltando ao normal, começamos a sentir sono. Isso funciona superbem com bebês pequenos, mas os maiores podem perceber que isso faz parte de um plano (nunca subestime a inteligência da criança). Ele pode dizer que não quer ir. Então, em vez de falar "hora de tomar banho", você pode propor "vamos tomar banhos juntos?". Vai muito da sua sensibilidade para saber o que vai provocar interesse nele ou não.

2. Dentro do quarto

Uma vez no quarto, sempre no quarto. De pijama, coloque seu filho na cama. Se ele não tinha o costume de dormir ali, espere resistência, e choro. Converse com ele, diga que você vai esperar o sono dele chegar ali ao lado. Apague a luz – pode deixar a do corredor acesa.

Seu filho tem de sentir que a cama é um espaço seguro. Se ele tiver um objeto de transição (como um paninho ou um brinquedo), ponha ali também e conte para o seu filho que aquele amigo vai ajudá-lo a dormir.

De imediato (assim ele não tem tempo de sair da cama ou do berço), leia um livro – quantas vezes precisar ser lido. Algumas crianças pedem que os pais contem muitas vezes a mesma história. Em alguns casos, porque gostaram do enredo. Em outros, para testar a sua resitência e ver se você desiste de colocá-lo para dormir.

Quando você perceber que ele está com os olhos semicerrados, faça uma despedida e saia.

3. Ainda não acabou

Seu filho pode começar a chorar, de novo. Respire (bem) fundo e conte até dez. Deixe ele chorar por alguns minutos – esse tempinho não faz mal. Em alguns casos, a criança volta a dormir rapidinho. Se ele não parar, volte ao quarto dele sem acender a luz e diga que está tudo bem, que você vai esperar ele dormir de novo. Coloque-o no berço, segure a mão dele para que ele sinta sua presença, converse um pouco. O importante é não sair do quarto. Vale ler outra história também.

Outra tática das crianças é começar a chamar "mamãe" ou "papai" (e eles podem fazer isso por muito tempo). Vá até lá e converse com ela. Diga que amanhã vocês conversam mais e que ela precisa descansar.

Se ele souber andar, irá até a sua cama. E a vontade de desistir e aninhá-lo no meio de vocês dois vai ser imensa. Mas, se você quer que sua cama seja um passeio esporádico, e não o destino diário, levante, pegue ele no colo e volte até o quarto. Não custa lembrar: pai e mãe devem fazer um revezamento, OK?

A psicóloga inglesa Penelope Leach afirma, em novo livro, que deixar a criança chorando, sozinha, na hora de dormir prejudica o desenvolvimento cerebral dela. Veja aqui o que dizem os especialistas e um plano de duas semanas para seu filho aprender a dormir sozinho – e sem estresse

Às vezes parece que tudo o que você faz não está certo. Se antes o melhor jeito de colocar o bebê para dormir era de lado, a recomendação hoje é de barriga para cima. Dormir na cama com os pais nem pensar e nem com a televisão ligada. Não bastassem esses "nãos", o recém-lançado The Essential First Year (O Primeiro Ano Essencial, em tradução livre), acrescenta mais um à lista: nada de deixar a criança chorar, sozinha, por muito tempo. A autora, a psicóloga inglesa Penelope Leach, afirma que essa é a única maneira dela se comunicar. Se quando faz isso não tem resposta nenhuma, como a presença e o carinho dos pais, pode ter problemas emocionais no futuro. Mas ela vai além: chega a dizer que deixar chorar pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral. Isso aconteceria porque o hormônio do estresse, o cortisol, liberado em altas quantias (o que ocorre em choros compulsivos), seria "tóxico" ao cérebro. Os especialistas brasileiros ouvidos por CRESCER discordam. Eles são unânimes ao afirmar que não existem provas científicas comprovando essa relação. Portanto, se você já passou por uma situação dessas, pode respirar aliviado.

Deixar chorar não é uma recomendação que passou de geração em geração, apenas. Esse método é mais que conhecido. Chamado Nana Nenê, do médico espanhol Eduard Estivill, o livro ganhou notoriedade internacional muitos anos atrás e até hoje há quem garanta que funciona, sim. Mas quando você pergunta aos médicos se tudo bem deixar chorar, aí não há mais consenso.

Para os especialistas, a hora de dormir deve ser um momento de tranquilidade, então não faz sentido deixar a criança estressada. Um estudo publicado recentemente em uma publicação internacional mostrou que a sua presença e a disponibilidade para ajudar seu filho são diferenciais importantes. Eles acompanharam as mães para saber como elas colocavam os filhos para dormir. Aquelas que respondiam aos questionamentos, as mais pacientes e que percebiam quando estavam entediado, conseguiram que o bebê dormisse antes.

Se você nem quer tentar deixar seu filho chorando – ou se já tentou e não funcionou –, calma. Há outras opções. CRESCER preparou, com ajuda de especialistas, um programa de 15 dias para seu filho dormir bem. São várias etapas. Não existe uma quantidade de dias para ficar em cada uma. A ideia é que você avance à medida que ele se acostume com as novas regras. Bom para o sono dele, e para o seu também, não é?

3 passos para seu filho dormir sem "chororô"

1. Antes de deitar

A primeira dica é uma que provavelmente você já escutou: organizar a rotina. Esse planejamento vai ajudar seu filho a sentir sono no momento certo. A partir das 18 horas nosso cérebro começa a avisar o organismo que é hora de descansar.

Pergunte a você mesmo se está pronto. A mudança vai exigir resistência e paciência. Se desistir, vai ser mais difícil da próxima vez porque seu filho já sabe que você pode voltar atrás. Ele precisa aprender a dormir por muitos motivos: os hormônios do crescimento são liberados durante o sono, inúmeras pesquisas já comprovaram que ele pode ter problemas de aprendizado e porque você precisa de noites bem dormidas para ter mais disposição.

Se seu filho tiver menos de um ano, saiba que ele vai acordar para as mamadas da madrugada. Depois, você pode combinar com seu pediatra de reduzi-las até conseguir dar uma mamada no fim da noite.

Conforme seu bebê vai crescendo, cuide para que o sono da tarde não comece depois das 15 horas. Pode atrapalhar o sono da noite. Depois, tente mantê-lo acordado.

Se for maior, diga que agora todo mundo vai mais cedo para cama. Explique que no dia seguinte ele não vai ficar com sono quando acordar, que vocês vão poder brincar juntos. Ele pode chorar, fazer birra... aguente firme. A criança não tem capacidade para discernir o que é bom ou não para ela.

Pelo menos duas horas antes dele dormir, evite brincadeiras que estimulem demais (isso vale para bebês também) ou games e desenhos – eles espantam o sono. Se você chega em casa nesse horário, proponha uma brincadeira mais relax, como contar histórias com os bonecos. Se for um bebê e ele já estiver dormindo, resista à vontade de acordá-lo.

Banho também ajuda, mas não pouco antes de a criança se deitar. Faça isso com pelo menos uma hora de antecedência. Nosso corpo relaxa em altas temperaturas, mas cerca de uma hora depois, quando a temperatura vai voltando ao normal, começamos a sentir sono. Isso funciona superbem com bebês pequenos, mas os maiores podem perceber que isso faz parte de um plano (nunca subestime a inteligência da criança). Ele pode dizer que não quer ir. Então, em vez de falar "hora de tomar banho", você pode propor "vamos tomar banhos juntos?". Vai muito da sua sensibilidade para saber o que vai provocar interesse nele ou não.

2. Dentro do quarto

Uma vez no quarto, sempre no quarto. De pijama, coloque seu filho na cama. Se ele não tinha o costume de dormir ali, espere resistência, e choro. Converse com ele, diga que você vai esperar o sono dele chegar ali ao lado. Apague a luz – pode deixar a do corredor acesa.

Seu filho tem de sentir que a cama é um espaço seguro. Se ele tiver um objeto de transição (como um paninho ou um brinquedo), ponha ali também e conte para o seu filho que aquele amigo vai ajudá-lo a dormir.

De imediato (assim ele não tem tempo de sair da cama ou do berço), leia um livro – quantas vezes precisar ser lido. Algumas crianças pedem que os pais contem muitas vezes a mesma história. Em alguns casos, porque gostaram do enredo. Em outros, para testar a sua resitência e ver se você desiste de colocá-lo para dormir.

Quando você perceber que ele está com os olhos semicerrados, faça uma despedida e saia.

3. Ainda não acabou

Seu filho pode começar a chorar, de novo. Respire (bem) fundo e conte até dez. Deixe ele chorar por alguns minutos – esse tempinho não faz mal. Em alguns casos, a criança volta a dormir rapidinho. Se ele não parar, volte ao quarto dele sem acender a luz e diga que está tudo bem, que você vai esperar ele dormir de novo. Coloque-o no berço, segure a mão dele para que ele sinta sua presença, converse um pouco. O importante é não sair do quarto. Vale ler outra história também.

Outra tática das crianças é começar a chamar "mamãe" ou "papai" (e eles podem fazer isso por muito tempo). Vá até lá e converse com ela. Diga que amanhã vocês conversam mais e que ela precisa descansar.

Se ele souber andar, irá até a sua cama. E a vontade de desistir e aninhá-lo no meio de vocês dois vai ser imensa. Mas, se você quer que sua cama seja um passeio esporádico, e não o destino diário, levante, pegue ele no colo e volte até o quarto. Não custa lembrar: pai e mãe devem fazer um revezamento, OK?

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