Demonstrar o amor ensina o valor do sentimento aos filhos

Demonstrar o amor ensina o valor do sentimento aos filhos

Atualizado: Segunda-feira, 5 Dezembro de 2011 as 3:43

Ver um filho adulto que não sabe demonstrar afeto ou respeito ao próximo é algo que pode entristecer os pais. Muitos deles se responsabilizam por não ter ensinado o amor. Mas até onde os pais influenciam na personalidade e no caráter do filho?

Segundo a psicóloga Luciana Reis, especialista em psicologia hospitalar, a personalidade de um indivíduo é formada até os 6 anos, tudo o que ele aprender durante estes anos ficará para a vida toda. “A personalidade não muda. O que é possível é tentar ‘reensinar’, caso fique algum desvio de comportamento, através de terapia ou por uma experiência na vida”, explica.

Trazer para si a responsabilidade do que o filho se tornou é algo automático para pais que se esforçam para dar a educação ideal. Porém, a desobediência, a falta de afeto, entre outras atitudes, não são consequências somente da ação dos pais, mas também da genética e do espaço onde vive a criança. “Se os pais demonstram carinho e amor entre si, a criança também terá isso nela. Há pais que não dizem o quanto amam o seu filho, que ainda têm dificuldade de mostrar o que sentem. O amor só é ensinado exercitando com o filho”, conta Luciana.

O jeito de ser de cada um É claro que não há uma cartilha para se educar um filho, se fosse assim, o mundo teria menos tragédias e notícias ruins. Para a psicóloga, os valores e o preconceito não vêm da criança, são passados através das atitudes dos pais. “Cabe a eles direcionar e dizer o que é certo e errado, dar limites”.

Para ela, por mais que os pais ensinem o que é correto, cada criança vai processar aquela informação de um modo particular. É por isso que há pais que dizem que dão a mesma educação para todos os filhos, mas cada um ficou de um jeito. “Os pais educam, impõem limites e fazem tudo certinho. Mas há o fator interno de cada um. Há crianças que não precisam de tantos limites e sabem respeitar os pais, enquanto outros recebem a mesma orientação e são diferentes”, enfatiza Luciana.

É natural que os pais se culpem e se sintam responsáveis por ver o filho desrespeitoso e indo para caminhos que não foram indicados pela educação deles. “Isso acontece porque os adultos pensam que as crianças são extensões deles, mas não são. Elas são indivíduos diferentes, com suas próprias características, que entendem o mundo de uma outra forma”.

É importante ressaltar que essa troca de carinho entre os pais não deve ser exagerada na frente da criança. “Ela vai entender que há um sentimento entre os pais apenas com abraços e beijos, mas uma atitude com caráter sexual pode ser demais. O problema é a criança pensar que pode ter o que os pais têm entre eles. Ela tem que entender e diferenciar este amor entre homem, mulher e filho”, esclarece a psicóloga.

Para ela, a separação não é um agravante para que a criança entenda o amor. “É melhor que ele perceba o respeito que existe entre os pais que vivem separados, do que viver vendo brigas, gritarias e falta de afeto”, diz.

O importante mesmo é entender que o amor não é racional e não pode ser ensinado de forma teórica. “O amor deve ser estimulado e nunca podado, para que a criança cresça sabendo qual é o valor deste sentimento”, finaliza Luciana.    

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