Dicas podem auxiliar os pais a identificar tal problema e como solucioná-lo

Depressão pós-férias escolares

Atualizado: Terça-feira, 7 Fevereiro de 2012 as 1:08

Quando inicia o recesso escolar é hora de aproveitar os dias em casa, viajar para a casa dos avós, usar o tempo livre para jogar bola, chamar as amigas para brincar de boneca ou esconde-esconde, dormir até mais tarde, comer alguns quitutes e guloseimas a mais do que o habitual e não ter uma rotina tão regrada durante o dia. Essa é a realidade da maioria das crianças que saem de férias. Mas, será que com tantos momentos agradáveis é fácil voltar às aulas e enfrentar uma maratona de desafios e compromissos?
“Para a criança – com idade até 12 anos – é complicado se adaptar a uma rotina escolar com horários diferentes ou até mesmo se readequar à de costume. Geralmente, eles não querem voltar às aulas e nem às atividades extracurriculares depois de ficar tanto tempo em casa. Cabe aos pais ou responsáveis perceber a melhor maneira de conduzir qualquer situação para não deixar que a criança fique estressada ou deprimida”, comenta a psicóloga Luciana Lino Santiago.
Segundo a profissional, o melhor modo de ser menos doloroso e traumático é que a criança comece a ser avisada da volta para a escola com uma semana de antecedência, assim ela vai acostumando gradativamente com a ideia. “Fale dos benefícios, da importância de estudar, fazer amigos, brincar e praticar atividades, aos poucos eles começam a aceitar. Não fale – nem de brincadeira – que está triste por ficar longe da criança durante o dia todo, pois ela vai se recusar a ir achando que ficar em casa é uma maneira de lhe agradar. Explique que ao fazermos o que gostamos e com vontade a hora passa rapidamente”, comenta.
Ela ainda esclarece e alerta também que nenhuma criança deve ser pressionada e condicionada a uma situação, por exemplo, dizer que querendo ou não ela tem que estudar, caso contrário vai apanhar. Isso só faz com que ela fique traumatizada e com medo dos pais ou até faça mais birra para não ir. Caso ela insista dizendo que não gosta, pergunte carinhosamente o porquê e tente entender o motivo da reação. Ouça e não saia brigando no primeiro momento.
“A inserção da criança à rotina tem que partir dos responsáveis, mas, o educador também pode ajudar. Quanto mais eles fizerem com que o aluno se sinta à vontade dentro da sala de aula, mais ele se identificará com o ambiente e vai querer sempre estar presente. Por mais que a criança tenha feito algo de errado, o ideal é que ela não seja chamada a atenção na frente dos demais. Peça para que não faça mais e depois explique o motivo individualmente. A criança passa, muitas vezes, mais tempo na escola que em casa, então, o ambiente tem que ser algo agradável e prazeroso, isso sim faz com que ela queira voltar sempre para a escola”, diz a pedagoga Catarina Carvalho.
Quando a criança se recusa a voltar para a aula
Segundo a comerciante Ana Leite, de 38 anos, mãe de Maria Eduarda Leite, de 8, o retorno às aulas sempre se torna uma momento difícil para a filha, porém, em uma única vez ela se recusou a voltar para a escola. “Fui aos poucos mostrando que não deveria ter segredos comigo, até que depois de uma semana ela pegou confiança e resolveu me contar o porquê. O motivo não foi muito bom. Ela relatou que a professora elogiava demais alguns alunos e não fazia o mesmo com ela e com outros. Minha primeira atitude foi conversar com a diretora da escola, que me ouviu prontamente na época e pediu que a professora desse mais atenção à Maria”, lembra.
De acordo com a psicóloga a depressão pós-férias escolares, apesar de parecer simples, pode se agravar se não for identificada no começo. Não ache que seu filho é realmente introvertido ou envergonhado demais a ponto de se manter distante dos demais. “Um dos primeiros cuidados que podem ser tomados pelos pais é em relação à percepção dos sinais corporais ou comportamentais da criança e, principalmente, nos comentários que ela faz. Caso seu filho tenha ficado triste no horário de ir para a escola, pergunte para a professora se ele tem participado das atividades em grupo e se consegue prestar atenção nas matérias. Acompanhar os passos da criança é fundamental. Caso perceba alguma atitude estranha, procure um especialista”, finaliza.

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