Dinheiro é assunto de criança, sim!

Dinheiro é assunto de criança, sim!

Atualizado: Quinta-feira, 31 Março de 2011 as 10:39

O que é educação financeira para crianças? Se você perguntar isso a dez especialistas, terá dez respostas diferentes. Porém, todas elas com uma essência muito parecida: é ensinar a se relacionar com o dinheiro de maneira saudável, responsável e inteligente. Mas o que isso significa? Para Cássia D´Aquino, educadora com especialização em crianças e coordenadora do Programa de Educação Financeira em inúmeros países, é aprender a ganhar dinheiro, gastar, poupar e doar (não só grana, mas também tempo, talento, sabedoria, etc) de forma equilibrada e que resulte, futuramente, na conquista da autonomia e da estabilidade financeira. Não seria ótimo garantir isso aos filhos? Sem dúvida. Mas é importante frisar que concretizar esse objetivo leva tempo e exige empenho. Não é algo que se ensine em um cursinho intensivo qualquer. É uma lição para a vida toda que os pais vão passar para os filhos ao longo da infância e da adolescência, aproveitando as situações do dia a dia para exemplificar as condutas mais interessantes.

Como ensinar se eu não sei

Um desafio e tanto, especialmente para os pais que cresceram nas últimas décadas - quando a política econômica era instável demais para ser entendida pelas crianças da sociedade. Como explicar, por exemplo, por que uma moeda valia X numa semana e –X na outra? “Só após a estabilização da economia brasileira foi possível se planejar e ensinar na infância conceitos sobre dinheiro”, pondera Cássia D´Aquino. Ou seja, a geração que hoje quer educar financeiramente os filhos provavelmente não recebeu essa “lição” quando pequenos. “É mais fácil se você lembra como foi que a sua mãe falou com você sobre o assunto. Eu sempre recorro a isso ao conversar com o Lucas e com a Sofia. Como não tive uma educação financeira quando criança, confesso que me sinto meio perdida quando eles me perguntam sobre dinheiro”, conta Adriana Couto, 34 anos, mãe de Lucas, 7 e Sofia, 5.

Para não ficar numa situação pouco confortável, Adriana está decidida a fazer o mesmo que os especialistas recomendam: se autoeducar, lendo sobre economia e educação financeira. O segundo passo, de acordo com os especialistas, é entrar num acordo com o parceiro sobre quais valores o casal acha importante passar para os filhos. Ter essas respostas alinhadas vale mesmo para pais separados. “Estabelecer as prioridades e perseguir uma harmonia no que vai se falar é fundamental para que os filhos entendam e criem uma relação nada conflituosa com finanças”, reforça Elaine Toledo, consultora financeira.

Por fim, o mais importante (e também mais difícil) é comportar-se no dia a dia de acordo com os princípios escolhidos. Quando estiver fazendo compras, indo ao banco, conversando sobre gastos e ganhos, não tenha dúvida de que você está sendo atentamente observada. É nessas situações cotidianas que o real aprendizado se dá. Portanto a dica é: as premissas que selecionou para educar seus filhos têm de ser verdadeiras para você. Só assim suas atitudes reforçarão as valiosas lições alardeadas em casa.  

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