Dinheiro na mãozinha

Dinheiro na mãozinha

Atualizado: Segunda-feira, 22 Março de 2010 as 12

Ensinar o filho a usar o dinheiro é uma das tarefas mais importantes dos pais. E ela deve começar, concretamente, logo que a criança se alfabetiza e ingressa na escola fundamental. Nessa idade, ela já tem noções sobre o sistema financeiro: sabe que os bens têm valor, que o dinheiro é a moeda de troca dos bens, que há caro e barato. Mas não tem prática de lidar com o dinheiro nem maturidade para cuidar de somas altas a longo prazo, como exige uma mesada. O ideal é adotar a semanada, dando a ela a chance de administrar uma quantia razoável, destinada aos gastos de poucos dias.

Aprendizado

O tema rendeu um projeto didático na Escola Mobile, em São Paulo. "Primeiro, as crianças são estimuladas a pesquisar os preços da cantina. Depois, estudam combinações de lanches e os respectivos preços, calculando os gastos por dia e por semana", explica a vice-diretora pedagógica

Cleuza Vilas Boas Bourgogne. Os pais também são convidados a participar. "Dar apenas o dinheiro não é educativo. É preciso ajudar o filho a planejar os gastos da semana", diz Cleuza. É hora de explicar que o dinheiro tem uma função e é preciso ter objetivos para gastá-lo.

Pai aluno

Os pais têm mesmo muito o que aprender nessa hora, segundo a especialista em educação financeira Cássia D'Aquino. A primeira coisa é ter claro (e deixar claro para o filho) que a semanada é um exercício para que a criança aprenda a lidar com o dinheiro. "Ela não é símbolo de status nem instrumento de chantagem, que serve para recompensar tarefas domésticas ou ser cortada como punição por mau comportamento", alerta ela. Se é um exercício, é claro que um dia ou outro o cálculo da criança vai dar errado. E isso é bom. "As pequenas frustrações na hora da compra ensinam a importância do planejamento", observa Cleuza. É claro também que uma semana ou outra o planejamento vai dar errado e a criança irá à falência. "Ótimo", diz Cássia. "Essa é a hora de aprender, errando com pouco, para mais tarde não errar com muito. "Para as comprinhas extras, os pais podem acrescentar uma quantia à semanada, que a criança usará desde que planeje, até fazendo poupança, se necessário. A dentista Ana Maria Mendes adotou essa prática com o filho Marco, de 8 anos. "Os lanches na escola custam cerca de R$ 13 por semana e o Marco recebe R$ 15. Ele junta o troco para comprar badulaques de criança", conta a mãe.

Não às dívidas

Uma armadilha para pais e filhos é a abertura de conta na cantina da escola. "Cria-se uma situação mágica para a criança, em que basta ela pedir o que quiser, sem relação com o dinheiro", diz Cássia D'Aquino. "Os pais pensam que é confortável, pois não precisam lidar com o dinheiro no dia-a-dia. Mas, no fim do mês, a criança se sente vítima, pois não se lembra de ter consumido tudo aquilo. E ainda leva bronca!" Portanto, nada de dívidas. A criança só deve gastar o dinheiro que de fato possuir.

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