Dividindo a responsabilidade para resolver conflitos

Dividindo a responsabilidade para resolver conflitos

Atualizado: Domingo, 31 Janeiro de 2010 as 12

Em 1999 passamos por um conflito familiar, e vale aqui definir a palavra conflito. Gosto especificamente desta definição: conflito é a oportunidade para resolver diferenças. Ele é caracterizado sempre por, no mínimo, duas posições diferentes que são incompatíveis: ou você segue uma direção ou a outra.

Eu e nossa família estávamos com uma viagem marcada para visitar um irmão que morava no Canadá. Cinco passagens compradas, estadia, etc., etc. Minha mãe ficou muito doente três meses antes da viagem. Ela era viúva e não havia ninguém dos filhos que pudesse cuidar dela para que eu pudesse fazer esta viagem descansada. Os médicos haviam-na desenganado. Eu não queria ir, pois tinha medo de que ela morresse no período em que estivesse fora. Meu marido, na época, exercia a medicina e achava que devíamos viajar. Estava caracterizado um conflito. É importante ressaltar que pelo fato de termos opiniões diferentes sobre determinada situação não implicava que um estava certo e outro estava errado.

Este conflito tornou-se um relacionamento saudável, pois aprendemos então a pedir ajuda. Podíamos ter desenvolvido uma raiva ou ódio um pelo outro; uma capacidade de brigar e argumentar; uma disputa para ver quem venceria ou quem era mais forte; um sentimento de vingança e ressentimento. Pedindo ajuda para alguém de fora tivemos a oportunidade de desenvolver uma boa comunicação, responsabilidade, respeito e principalmente aprender a ter uma percepção diferente de nosso conflito. Pedimos para um casal maduro que viesse depois do serviço intermediar este desentendimento. Sentávamos na cozinha, nós quatro, e conversávamos sobre este conflito.

Muitas razões nos serviram de estímulo para procurar ajuda (na multidão de conselheiros há sabedoria) e os resultados foram: tivemos a oportunidade de expandir o nosso próprio ponto de vista e conseguimos entender as razões do outro; aprendemos a ser mais flexíveis e consequentemente a discuti-las com a outra parte; eu e meu marido fomos mais atenciosos um com o outro; aprendemos a ter autocontrole e equilíbrio entre a razão e a emoção. Estávamos mais confiantes e esperançosos.

O mais importante de tudo foi que estávamos ocupados demais em nossas argumentações para resolver o conflito, e trazendo um casal de fora tudo se tornou mais fácil. Eles nos ajudaram a não achar que o problema é o outro, a não fazer do outro uma lata de lixo e tratamos o que precisava ser tratado de forma objetiva e transparente.

O conflito foi resolvido Querido leitor: quando não se chega a um consenso em uma situação de conflito, existem diversas alternativas para procurar uma terceira pessoa, um mediador de conflitos. Há situações em que procurar um professor é sábio, pois este, com o seu conhecimento, pode resolver um problema.

Procurar o árbitro ou o juiz em determinados contextos pode mostrar o que é justo e estaria de acordo com a lei. Estou sugerindo um mediador ou conselheiro. Ele não pode ser visto como um solucionador de problemas. Ele também não faz o papel de advogado. Esta pessoa ou casal vai ajudá-lo a alcançar uma solução satisfatória para resolver suas diferenças. Mediação é facilitar uma negociação e a comunicação para que os envolvidos cheguem a um acordo. É um processo voluntário (a pessoa decide espontaneamente participar da mediação depois de convidada) e neutro (imparcial), ou seja, o mediador não favorece qualquer lado.

No texto de João 8 envolvendo a mulher adúltera e a turma que queria apedrejá-la o mediador é Jesus Cristo. A sabedoria de Jesus, quando afirma "se alguém de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela", fez a atitude dos homens ser questionada e a vida da mulher ser salva. Sem a presença de Jesus podemos imaginar o que teria acontecido. Em Atos 15 temos o relato do concílio de Jerusalém. Paulo e Barnabé foram designados no papel de mediadores entre os apóstolos, presbíteros e a igreja. Eles puderam distinguir o problema e no final chegar a uma solução.

Procure um mediador ou conselheiro cristão. Estou certa de que um cristão deve proclamar as boas-novas da paz. Viver como um pacificador pode contribuir para ajudar a encontrar um mediador cristão ou conselheiro.

Fernanda e Carlos Glasser também ajudam pessoas a resolverem seus conflitos. Eles têm quatro filhos e uma larga experiência no aconselhamento. Veja o que dizem:

a) Resolvam o passado, identifiquem as falhas do passado. É fácil ver o erro dos outros e não o nosso (Mateus 7:1-5).

b) Confessem suas falhas e admitam ter magoado outras pessoas.

c) Aprendam a perdoar. Perdão não é sentimento, perdão é mandamento (Mateus 18:21-22).

d) Semeiem bênção nas situações de conflito. Tenham sempre palavras, atitudes e ações positivas. Aquilo que pensamos influencia o que fazemos. Podemos dizer que as nossas ações influenciam nossas emoções.

e) Tenham habilidade de falar e ouvir. É fundamental saber conversar e ouvir. Ouça com seu físico (olhos, mãos, pés etc.), com atitude de compreensão e não de julgamento. Resista à vontade de compartilhar sua opinião antes de ouvir tudo e mesmo que não concorde tente imaginar o que está se passando.

f) Tenha sempre uma atitude positiva de resolver o conflito. ESCOLHAS POSITIVAS LEVAM A AÇÕES POSITIVAS, QUE RESULTAM EM SENTIMENTOS POSITIVOS.

g) Procure a ajuda de um conselheiro ou um mediador cristão, mas lembre-se de que temos um livro que explica e ensina como viver uma vida plena: a Bíblia, a Palavra de Deus.

Eu e meu marido costumamos reunir noivos e namorados em um curso de preparação para o casamento. Nesse curso falamos sobre conflitos atuais e futuros, com sogro e sogra, namorados, chefes, vizinhos etc.

Aqui estão algumas perguntas que fazemos para eles e agora para você també. Veja se pode respondê-las:

Você procura entender o ponto de vista do outro em uma relação de conflito? Você deixa de trabalhar em um conflito acreditando que com o tempo ele vai deixar de existir?  Costuma colocar panos quentes no problema, achando que esta é a forma de ser um cristão? Como suas emoções se manifestam em uma situação de conflito? Por que é tão difícil ouvir o outro quando discordamos? O que é preciso fazer para se expressar corretamente quando você conversa com uma pessoa que tem opiniões diferentes das suas? Você tem humildade e disposição para se expor, procurando um mediador ou conselheiro cristão, visando transformar uma batalha em triunfo para todos? Que haja transformação e crescimento em seus relacionamentos. Certamente isto requer a presença da graça e da misericórdia de Deus. Contudo, também requer obediência, esforço e perseverança na resolução dos conflitos.

Lembre-se de que nunca sabemos de quanto tempo dispomos para amar nosso cônjuge, amigos, filhos, pais, vizinhos da maneira honrosa que eles merecem ser amados. Aprenda então a resolver seus conflitos!

P.S.: Se você quiser saber como terminou o nosso conflito, escreva para [email protected]

Dora Bomilcar de Andrade é formada em Pedagogia e Teologia. É casada, tem três filhos e é coordenadora do movimento Desperta Débora para Sul e São Paulo, movimento que já conta com 70 mil mães cadastradas que oram 15 minutos por seus filhos. Atualmente apresenta o programa Entre Amigas na Rádio Transmundial.

O texto de Dora Bomilcar faz parte da primeira edição de 2010 da Revista Lar Cristão, que aborda o tema "Crise, conflitos e estresse" - Aprendendo a lidar com as situações .

Nessa edição, você ainda confere:

Quando um filho não sobrevive aos pais, de Jaime Kemp; Controlando sua raiva, de Alcindo Almeida; Aprendendo a comunicar sem causar ferimento, de Magno Paganelli; Como lidar os diferentes ponto de vista diferentes, de Ramon Tessmann; Quem toma as decisões?, de Aécio Ribeiro; Celebrando o final de conflitos, de Carlos Alberto de Quadros Bezerra. A revista traz também a seção Finanças para a família, por Paulo de Tarso, discutindo: Não consigo pagar tudo e agora?. E ainda um espaço para crianças com Mig e Meg. Assine já!

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