Dois Natais, dois Anos Novos

Dois Natais, dois Anos Novos

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 1:13

O cenário é típico: os pais se separam e não sabem ao certo com quem os filhos devem passar o Natal, o ano novo e as férias, gerando ansiedade nas crianças, caso as negociações não sejam bem conduzidas. “Exceto em casos de divórcio litigioso, no qual o juiz decide todas as visitas, cabe aos pais exercer o bom senso e definir estas questões de forma que ninguém se sinta prejudicado”, explica Maria Helena Marzabal Paulino, psicoterapeuta familiar das Associações Brasileira e Internacional de Terapia Familiar.

Segundo a especialista, é saudável a criança viver e entender a separação, afinal de contas hoje o divórcio é uma realidade. A maioria lida muito bem com a situação. Por isso, é preciso colocar em primeiro lugar o bem-estar delas, e a definição do calendário de final de ano é apenas a ponta do iceberg para esta prática. Portanto...

Levante a bandeira branca

Festas e férias devem ser agradáveis para todos. “Então não transforme esta época em mais uma ocasião de disputa com o ex. Por mais que tente disfarçar, a tensão será percebida pelos filhos, o que pode provocar reações adversas”, diz Ely Harasawa, psicóloga e gerente de programas da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Os pequenos poderão se sentir sobrecarregados ou culpados por serem alvo de disputa.

Faça acordos práticos

Quando as brigas ficam em segundo plano ou já existe uma boa convivência, os pais devem dividir os planos e chegar a um acordo. “Quem tem guarda compartilhada precisa dialogar sobre todas as questões que envolvem os filhos”, ressalta Maria Helena. A sugestão de Ely Harasawa é marcar um programa com ambos os pais, fora dos momentos das comemorações tradicionais, para que a criança se sinta parte de um pequeno núcleo. Se o pai e a mãe passarão a ceia separados, que tal criar um café da manhã de Natal, no dia 24, para pai, mãe e filho?

Até os 6 anos, não deixe a decisão para as crianças

Os pais precisam definir para então contar a criança tudo o que acontecerá, nos mínimos detalhes. “Quanto mais claro estiver para os adultos, mas fácil ficará para os menores. Perguntar para uma criança muito pequena não ajuda porque ela não pode escolher entre o pai e a mãe, ambos são importantes demais”, conta Eliana Moreira, terapeuta familiar. “Apenas a partir dos 6 anos as crianças manifestam sua vontade mais especificamente, e ela poderá ser levada em consideração”, acrescenta Maria Helena.

Entenda que o começo é mais difícil

Logo após a separação a família ainda precisa se adaptar. O ideal é fazer divisões “inclusivas”. “É nesse momento que os filhos sentem mais a falta de quem não está presente, por isso negocie a tarde com um e a noite com o outro”, sugere Maria Helena. A psicoterapeuta dá o exemplo de um caso no qual o ex-casal decidiu passar o primeiro Natal juntos. “No ano seguinte, a mãe chamou os filhos para conversar, disse que ficou desconfortável ao passar a festa com a família do pai. Eles decidiram juntos que passariam o dia todo com o pai e a ceia com a família materna”, arremata.

Jamais desrespeite a rotina

Evite ansiedade e estresse, respeitando horários de alimentação e das sonecas. De acordo com Ely, esta regra é válida para os menores de 4 anos. “A criança vai se sentir segura, esteja com quem estiver”, explica.

Lembre-se de que haverão outras situações

Não é apenas no final do ano que o casal parental deve existir. As especialistas alertam para festas como batizado, formaturas e até casamento. Nessas ocasiões, os pais deverão estar juntos e bem, para o conforto e a felicidade dos filhos.

Amplie o horizonte infantil

Aproveite a ocasião para o estreitamento de laços e real confraternização – incluir na programação avós, tios e primos com quem seus filhos não passam muito tempo pode ser enriquecedor. “Desde que não represente sobrecarga para ninguém”, ressalva Ely.

Esteja presente mesmo longe

Se o pai ou a mãe não puderem passar o Natal perto do filho, por viagem ou mudança de cidade, um telefonema ou um chat com câmera pela internet é imprescindível. “Mande um cartão ou um presente, explique porque não está lá e demonstre que gostaria de dividir este momento”, diz Maria Helena. Faça isso mesmo com os bebês. Eles gostam de ser lembrados.

Não crie uma imagem ruim do outro

Vocês combinaram algo e o pai não apareceu? “Quem está com filho não pode de maneira nenhuma falar mal do outro. As ausências ressentem a criança, que elabora a situação sozinha”, fala Maria Helena. “Demonizar” o ausente é pior, afinal a criança precisa aprender a conviver com a frustração e com os pais que tem.

Seja transparente

Para Eliana, se as crianças ficarem ansiosas, converse e assegure que tudo sempre será feito da melhor forma possível, levando em conta os sentimentos todos. Se errou, peça desculpas e volte atrás.

Dê o exemplo

“Os pais são a primeira e mais importante referência de uma pessoa. Por isso, compartilhar com os filhos momentos de alegria, em harmonia com o ex, será um excelente presente de Natal e uma inestimável lição de tolerância e compreensão”, reforça Ely.

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