Drogas na adolescência: a importância da presença masculina

Drogas na adolescência: a importância da presença masculina

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2011 as 8:59

A figura paterna é que carrega a maior responsabilidade

O papel do casal na criação dos filhos é de igual importância para os dois. Contudo, quando o assunto envolve drogas, podemos dizer que recai sobre a presença paterna a maior parte da responsabilidade. “O pai é aquele que introduz a lei, as regras da sociedade, de convívio, aquele que coloca o limite em relação ao próprio prazer. O pai é muito importante para que o jovem passe a incorporar os ‘não’ da vida”, afirma o psicólogo Wagner Abril Souto, responsável pelo grupo de jovens do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), em São Paulo. Essa relação se refere tanto ao filho homem quanto à filha mulher.

A maioria dos adolescentes que se envolvem com drogas, porém, é do sexo masculino. “Em relação aos garotos, nós podemos falar mais da figura paterna como modelo de identificação, como aquele que vai apresentar as regras e normas de convívio, o que é certo e errado”, diz Souto. Há uma explicação para esse fenômeno. Em um levantamento realizado pelo Cratod, somente um terço dos adolescentes atendidos do sexo masculino convivia com os pais, e mesmo para esses garotos, o contato não era muito próximo, ou seja, os pais deles eram presentes fisicamente, mas ausentes afetivamente.

Caso agravante

Nas favelas, esse complicador se agrava. O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Escola Paulista de Medicina, tem um trabalho de tese nas favelas de São Paulo, que procura relacionar a família com o uso de drogas. “Nem sempre a figura paterna é presente, se tem muito mais a mãe. Ela tem uma influência muito maior do que na classe média, por exemplo. Há uma dinâmica muito curiosa nas favelas do Brasil, o pai sai de casa para tentar arrumar uma condição de vida melhor para aquela família e fora de casa ele faz um segundo relacionamento, então, a mulher fica sozinha com o filho”, aponta o diretor do Cebrid, Elisaldo Luiz Carlini.

Para essa situação, o filho de mãe solteira, seja por morte ou abandono, tende a se identificar, por exemplo, com o traficante ou amigo que pertença ao grupo de usuários, pessoas que tem o consumo de drogas como valor positivo na vida, ou com o novo companheiro da mãe. Contudo, o padrasto, assim como o pai fez anteriormente, também pode vir a abandonar a família. De acordo com Carlini, a presença do padrasto nem sempre é tão segura. “Quando a mulher arruma um segundo companheiro e possivelmente, um segundo filho, a mesma história se repete. Então, essa mulher é a grande heroína da família nas regiões onde o recurso é muito pouco”, destaca.

Souto endossa a gravidade da ausência masculina e paterna, no caso das mães solteiras. “O menino vai ter que se identificar com o sexo semelhante ao dele para construir identidade, não só sexual, mas masculina, o que é e como ser homem no mundo. E ele, não vai poder se espelhar na mulher, terá que se diferenciar mesmo”, diz o psicólogo, acrescentando que outra figura masculina presente e adequada como um avô, um tio ou um professor, pode ter a oportunidade de ajudar o menino a desenvolver uma identidade através dessa relação. Caso contrário, o filho vai construir o modelo de identificação fora de casa.    

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