Economia para o cotidiano da famíla

Economia para o cotidiano da famíla

Atualizado: Quarta-feira, 11 Maio de 2011 as 11:21

"Uma das grandes ideias da economia é que a união é uma coisa boa. Em vez de tentarmos fazer tudo sozinhos, devemos compartilhar a carga. Isso economiza tempo, dando-nos a oportunidade de nos dedicar mais tempo a coisas que realmente fazemos bem. Essa ideia me preocupava durante as seis longas horas que passei sentado, assistindo às aulas do curso de parto...A reação de muitas grávidas ainda é: ‘Como se ele pudesse me ajudar em algo’ e ‘ Boa! Como podemos garantir que ele compartilhe o meu sofrimento?’ para um economista, essa é uma reação perfeitamente razoável. Lembre-se, devemos

compartilhar a carga. O problema óbvio era: como?Aparentemente, descobrir isso era a função do curso de parto.”

Desse jeito bem-humorado, as histórias e estratégias de Joshua Gans para criar a Filha Nº1, o Filho Nº2 e a Filha Nº3 divertem quem lê Parentonomics (Ed. Cultrix), primeiro livro do autor sobre paternidade. O economista conta que quando teve sua primeira filha, em 1998, passou a usar histórias de sua vida como pai em suas aulas de gestão na escola de negócios da Universidade de Melbourne, na Austrália, e viu que eles divertiam os alunos e os aproximavam das situações. Então resolveu compilar “a criação dos filhos de maneira criativa e divertida na visão de um pai economista” em um livro.

Mesmo já estando com 13 anos, não pense que a Filha N.1 leu o que o pai escreveu sobre ela: “Meus filhos até começaram a ler, mas não acharam muito interessante, eles já conheciam todas as histórias!”, disse o autor em entrevista à CRESCER. “Mas vai ser interessante ver como eles reagirão a tudo daqui uns dez, anos”.

A proposta de Joshua passa por usar na educação e administração do dia a dia em família princípios como o da negociação, lucro e da sociedade (como no trecho acima). E não teve medo de falar de temas polêmicos como as cadeirinhas infantis para uso em carros e as palmadas. Mas sempre de um jeito bastante irônico e racional, como o capítulo sobre alimentação:

“É fácil você ficar preso à ideia de que está vendendo saúde aos filhos (pela alimentação), mas esse caminho leva a uma campanha de marketing pelas ervilhas e cenouras. Não funciona. Em vez disso, veja a si mesmo como vendedor de comida não saudável: chocolate e sorvete. E tem de ser esperto nisso. É preciso tentar fazer os clientes (seus filhos) lhe pagarem o melhor preço possível por suas mercadorias. Com preço não quero dizer dinheiro, mas uma dieta saudável, é claro. Eles fornecem esse produto. Assim, do mesmo modo que um fazendeiro pode ir ao mercado e trocar uns bois por um arado, você pode oferecer aos filhos comida não saudável em troca de hábitos alimentares saudáveis.”

Então perguntamos a ele como foram as reações de educadores e psicólogos diante do livro. Ele nos disse que “a maioria pensa que a teoria dele é bem consistente com o que se pensa hoje sobre o tema crier filhos.Um psicólogo me disse que você deve recompensar crianças com amor e abraços em vez de dinheiro ou coisas materiais quando eles se comportam bem ou cumprem alguma tarefa. Mas eu pessoalmente acho isso péssimo, pois o que ele está dizendo é que você deve negar-lhes amor quando eles se comportam mal. E eu prefiro que o amor seja incondicional e as coisas materiais condicionais.”

Parentonomics é um livro para ser lido sem preconceitos e para se divertir com as situações vividas por este pai cheio de bom humor.

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