Elas são mães por profissão!

Elas são mães por profissão!

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 11:52

Ser mãe é o maior comprometimento que uma mulher pode assumir. Ter um filho exige paciência, cuidado e muito tempo disponível. Mas e quando, por opção, se escolhe cuidar de uma criança que você não colocou no mundo e nem adotou?  É o caso das profissionais que têm a maternidade como ofício. E esse talvez seja o emprego que mais exija dedicação e competência : as “mães sociais”  cuidam, educam e zelam pelas crianças que vivem em abrigos e que, por algum motivo,  já não têm quem faça isso por elas.

No Orfanato Ajuda Social à Criança, são cerca de doze funcionários: cozinheira, lavadeiras, terapeuta, assistente social e secretárias contribuem para que os orfãos estejam fora dos perigos das ruas e bem protegidos dentro dos limites do abrigo, que é mantido por convênios com orgãos públicos e doações. “As crianças aqui têm entre 5 e 17 anos. A partir daí, não podemos mais ficar com elas. É sempre ruim quando chega essa hora”, diz Rosângela Santos, assistente do local.

Rosângela passa o dia com as crianças e tem contato frequente com a correria do dia-a-dia do orfanato. “Mas quem se apega mesmo aos meninos sãos as “tias”, as mães sociais é que cuidam deles e suportam os rojões”, conta. Pela correria, os gritos e o clima super agitado do ambiente, parece que as “mamães” têm bastante trabalho. ” Eles são muito carentes, passam o tempo todo querendo chamar atenção. É uma cambalhota pra lá, alguém chorando do outro lado. A gente não tem sossego não” diz J. C*., uma das mães sociais.

As funcionárias que cuidam dos pequenos trabalham por turnos. Duas delas ficam com as crianças durante o dia e outras duas acompanham durante a noite. Elas têm como missão supervisionar a bagunça dos meninos, dar banho nos menores, trocar as roupas e estar atentas aos horários certos das refeições, brincadeiras e do sono.” Tenho dois filhos, que ficam em casa com a avó quando venho pra cá. Eles sentem, é o único momento que estão em casa e não no colégio. Mas eu explico, que eles têm o que têm porque eu estou aqui”, diz  S.N.*, rodeada pelos meninos que não desgrudavam dela um minuto.   A responsável por tudo isso é dona Otília Fiuza, que construiu essa filial do Orfanato Ajuda Social à Criança, oficialmente criado por um grupo de senhoras pertencentes à sociedade baiana em 1962.  O orfanato é um associação beneficiente civil, destinada a amparar as crianças a partir de 4 anos que esteja em situação de risco social e pessoal, orfão ou que esteja impossibilitado do convívio familiar.

É fácil perceber que o que as crianças precisam mesmo é de atenção, coisa que não falta sob o olhar cuidadoso das mães sociais. Qualquer demonstração de preocupação ou zelo, aquieta os ânimos e conforta os pequenos moradores do orfanato.” Não tem como não se apegar à eles. Quando um sofre, já é como se eu estivesse sofrendo também”, emociona-se S. N.* . De longe é perceptível que o trabalho feito pelas funcionárias-mães não é pra qualquer um. O ofício é dos mais admiráveis, afinal elas dedicam seu tempo e boa parte do seu instinto maternal àquelas crianças que, com certeza,  ao lado delas perdem um pouco do peso  ao qual a palavra “órfão” remete.

* Os nomes das funcionárias não podem ser divulgados.

Para doar:

O Orfanato fica na Rua Wanderley de Pinho, Itaigara, n 3. Salvador – Ba

email para contato: ajudasocialacrianç[email protected]    

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