Em "Inventem-se Novos Pais", psiquiatra desvenda mistérios da adolescência

Em "Inventem-se Novos Pais", psiquiatra desvenda mistérios da adolescência

Atualizado: Quinta-feira, 8 Julho de 2010 as 10:11

Acompanhar as mudanças decorrentes da adolescência dos seus filhos pode parecer uma missão impossível, mas não para psiquiatra português Daniel Sampaio. Em "Inventem-se Novos Pais", o médico indica caminhos para que pais modernos, que quase não têm mais tempo, ocupados com tarefas profissionais, acompanhem o processo de transformação de suas crianças em adultos no século em que "não se manda calar facilmente um adolescente", como define o autor.

Baseado em figuras comuns do imaginário adolescente, como os "filhinhos da mamães", os "cê-dê-efes" e a "turma do fundão", o psiquiatra detalha alguns dos problemas mais comuns que chegam junto com essa faixa etária e demonstra como evitar que esses comportamentos transformem os jovens em adultos problemáticos.

Com o apoio de histórias reais, colhidas em suas consultas, Sampaio reflete sobre questões cruciais como a faltas às aulas, as saídas noturnas, a alimentação, os namoros e as mentiras. A ideia final é que os pais se reinventem de acordo com a situação que estão enfrentando e não se restrinjam apenas a "pais autoritários" ou "pais-irmãos".

Com prefácio do psiquiatra Içami Tiba e a colaboração da educadora portuguesa Eulália Barros, a obra teve mais de 80 mil exemplares vendidos somente em Portugal.

Leia trecho:

"Os pais de adolescentes são aqueles que mais se confrontam com as dificuldades. Homens e mulheres de meia-idade, quase sempre muito ocupados profissionalmente, têm pouco tempo para estar com os filhos, num momento que exigiria uma presença mais intensa. Educados de modo geral sob modelos rígidos, em que eles como filhos tinham pouco espaço para emitir opiniões, confrontam-se agora com uma geração jovem habituada a discutir e exigir sem medo. Mas muitas vezes é uma série de equívocos sobre a adolescência que torna essa época da vida tão complicada para pais e filhos.

O primeiro equívoco consiste em ignorar as transformações que a família tem experimentado. Todos parecem esquecer que parte dos pais de agora foram adolescentes no início dos anos 60, época em que se pretendia resolver qualquer problema indo para as ruas de mãos dadas. Os pais deles (os avós dos atuais adolescentes) tinham convicções firmes, a sua palavra constituía aparentemente lei que os filhos receavam em contestar. Apregoava-se a fidelidade conjugal, mesmo que o pai tivesse uma amante e a mãe um encontro secreto com o vizinho. A contracepção dava os primeiros passos e, por isso, as famílias eram numerosas, cheias de regras implícitas e de valores tradicionais. O pai não tirava férias nem a família curtia o sol na praia. No fim de semana todos iam à casa dos avós para almoçar ou ficavam em casa dormindo e se empanturrando com as iguarias maternas. Os pais determinavam quase tudo: quando os filhos saíam, quando estudavam e quando podiam "ir brincar", os assuntos falados à mesa ou nas "conversa sérias" com os filhos, muitas vezes a escolha da profissão dos descendentes e até mesmo a do futuro cônjuge. As famílias tinham limites hierárquicos definidos sem hesitação: quem mandava eram os pais e quem tratava dos assuntos dos filhos era a mãe, porque o pai só intervinha de vez em quando, a pedido, para dar uns tabefes em um filho malcriado ou para ter uma conversa de homem para homem sobre o custo-benefício da prostituição ou sobre a necessidade de manter a virgindade"

"Inventem-se Novos Pais"

Autor: Daniel Sampaio

Editora: Gente

Quanto: R$ 39,90

Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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