Entrevista: Abigail Rosário

Entrevista: Abigail Rosário

Atualizado: Quarta-feira, 7 Maio de 2008 as 12

Por Myrian Rosário

O Dia das Mães é uma das datas mais especiais do ano para a maioria das famílias brasileiras. Todos querem homenagear e retribuir o amor daquela que dedica sua vida para criar e educar os filhos. Mas o que dizer de uma mãe com 45 filhos e 21 netos? Na casa dela é festa todos os dias. Com dedicação, fé e muita luta, Abigail Isaura do Rosário, a mãe Abigail, tem feito a diferença na vida de meninos e meninas excluídos pela sociedade.

Casada há 35 anos com o pastor Carlos Roberto, Abigail planejava ter três filhos, constituindo uma família menor do que a de seis irmãos, modelo na qual ela e o marido foram criados. Depois de superar problemas financeiros e matrimoniais e de dar a luz seus três filhos - Roberta, Caroline e Carlinhos, Abigail se sentia realizada como esposa e mãe. Porém, seu coração bateu mais forte pela pequena Marina, que logo passou a integrar a família. Um ano depois, a família Rosário já contabilizava oito filhos, todos legalmente adotados, e vem se multiplicando desde então.

Com tantos filhos para criar, Abigail abriu mão do trabalho na floricultura da qual era proprietária e se especializou em outras áreas. "Minha profissão?", indaga ela. "Posso te dizer que sou formada em Psicologia, Terapia Ocupacional, Enfermagem, Pedagogia e Administração, pois 21 anos de experiência valem muito mais que qualquer Faculdade", declara. Conheça um pouco da história dessa família imensa formada por Deus.

Guia-me: Como e por que você decidiu adotar o primeiro filho?

Abigail: Eu estava visitando uma amiga que havia adotado uma menina negra já com 6 anos. A menina já estava na sua quinta experiência de adoção e mais uma vez não estava dando certo.  Ela estava prestes a voltar para o orfanato. Eu estava lá e ela falou pra mim: "Eu quero ir embora com essa mãe". Foi ai que tudo começou. Falei com meus três filhos biológicos e com meu esposo. Ele falou faça o que estiver em teu coração que estarei ao teu lado.

Guia-me: Como seus outros filhos se sentiram com a chegada da primeira irmã do coração?

Abigail: Eles me deram o maior apoio e aceitaram a Marina com muito amor e carinho repartindo o que tinha com ela.

Guia-me: Quanto tempo depois veio o segundo? E o terceiro? E o quarto?

Abigail: Dentro de seis meses veio a segunda menina, chamada Suzana, com 7 anos. A terceira e quarta - Marilene, com 7 anos, e sua irmã Marciane, com 8 - vieram no semestre seguinte.

Guia-me: Quando você percebeu que a sua família seria enorme?

Abigail: A partir da quinta adoção entendemos qual era a nossa tarefa. Sentimos um verdadeiro chamado para adoção de crianças que não tinham a mínima chance de serem adotadas.

Guia-me: Que critérios vocês usam para escolher a criança?

Abigail: Priorizamos a criança não tenha chance de ser adotada, cujo perfil não se enquadre para outras famílias. São crianças negras, acima de seis anos, com alguma deficiência física ou mental. Esses são os nossos filhos que Deus nos presenteou.

Guia-me: Vocês enfrentaram alguma dificuldade com a burocracia para adotar? Foi fácil em todos os casos?

Abigail: Não tivemos nenhuma dificuldade nas adoções devido à situação da criança, por ser rejeitada duplamente, pela família e pela sociedade, e pelo seu perfil que não se enquadra para outras famílias.

Guia-me: Vocês adotaram crianças com que tipo problemas?

Abigail: Quatro com Síndrome de Down e com sérios problemas cardíacos, dois deficientes mentais totalmente dependentes, três com convulsões, dois com hidrocefalia e três com microcefalia. Três que tinham Síndrome de Down faleceram em 2006.

Guia-me: Vocês planejam adotar mais filhos?

Abigail: Sim, só que no momento não temos espaço e estamos esperando que algum se case. Eu brinco com meus filhos para casarem rápido, pois tem uma fila grande de crianças esperando para serem adotadas.

Guia-me: Como é realizada a cura das feridas da alma dessas crianças?

Abigail: Através das orações e do amor verdadeiro que sentimos por eles. A estrutura familiar fala muito ao coração de cada um e traz a segurança que eles nunca tiveram.

Guia-me: Você acredita que ser mãe de tantos filhos é uma missão que o Senhor te Deus?

Abigail: Eu acredito que é um privilégio ser escolhida por Deus para ser mãe, não importa a quantidade de filhos.

Guia-me: Todos os filhos são convertidos?

Abigail: A maioria sim, mas todos estão sendo educados dentro dos princípios da palavra de Deus. Cremos que, no devido tempo, o milagre acontecerá.

Guia-me: Quais as dificuldades com a educação, estabelecimento de regras e disciplina na casa?

Abigail: Não temos dificuldade nem com educação nem no cumprimento das regras. Todos fazem suas tarefas da escola e ajudam nas tarefas de casa, cada um tem sua obrigação. Temos uma escala de tarefas que são cumpridas por todos, do menor até o maior.

Guia-me: Alguém te ajuda com as tarefas domésticas?

Abigail: Todos ajudam e temos uma senhora que é remunerada para a lavação da roupa.

Guia-me: Você se considera diferente das donas-de-casa que têm menos filhos? Por quê?

Abigail: Sim, pois acho que sou da moda antiga. Sem querer generalizar, as mães de hoje não são mais donas-de-casa, estão longe de viver o verdadeiro papel.

Guia-me: Como a família é sustentada? Quem ajuda?

Abigail: Somos sustentados por doações. Quem ajuda são amigos e a comunidade, anjos que Deus levantou para nós ajudar.

Guia-me: Como as pessoas podem ajudar a família Rosário?

Abigail: Podem nos telefonar - (47) 3473-1100 - para saber a necessidades do momento ou fazer um depósito (Banco do Brasil Conta Corrente 12056-1 - Agência 3539-4 ou Bradesco conta 0025063-5 - Agência 2232-2). Roupas, calçados, produtos de limpeza e higiene e medicamentos são sempre bem-vindos. 

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