Entrevista: Mohamed Ali Kassab, proprietário da Rosa de Sarom

Entrevista: Mohamed Ali Kassab, proprietário da Rosa de Sarom

Atualizado: Quarta-feira, 14 Maio de 2008 as 12

Entrevista com Mohamed Ali Kassab, proprietário da Rosa de Sarom.

Por Myrian Rosário

Jovem, surfista, descolado, Mohamed Ali Kassab, presbítero e supervisor de células da Igreja Bola de Neve, é um exemplo de cristão bem-sucedido no meio secular. Proprietário da grife de moda praia Rosa de Sarom, Moha, como é mais conhecido, não perde as oportunidades de proclamar a sua fé e faz moda de qualidade que já conquistou celebridades e capas de algumas das mais importantes revistas do Brasil e do mundo. Seus biquínis e maiôs também fazem sucesso em desfiles nas emissoras de televisão.

Descubra como esse servo de Deus conseguiu com que uma grife paulista conquistasse alguns dos points mais badalados do litoral brasileiro, como Búzios, no Rio de Janeiro, e Praia do Forte, na Bahia. Sua marca pode ser encontrada até em outros países e o nome do Senhor é anunciado com uma mensagem bíblica que vai impressa nas embalagens de todos os seus produtos.  

Guia-me: Quando e como você começou a trabalhar com moda?

Mohamed: Trabalho com moda desde 1989. Abandonei em 94, retornei em 98 e continuo até hoje.

Guia-me: Por que moda praia?

Mohamed: A praia é onde eu queria ter nascido e morado minha vida toda. Amo o mar e a praia.

Guia-me: Quais são as dificuldades que você encontra nesse mercado por ser evangélico?

Mohamed: A moda e a cultura brasileira estão muito ligadas ao ceticismo popular, crenças, imagens, religião, esoterismo e eu faço uma moda longe destes padrões. Manter uma coleção fora de tudo isso é um desafio, pois o mercado pede. Mas Deus é maravilhoso e é o maior criador, assim fica fácil agradar.

Guia-me: Seus produtos são bem aceitos pelas "irmãs"? E pelo público em geral?

Mohamed: Faço parte do Bola de Neve desde o início e, como você sabe, todos ali amam a praia e se identificam muito com a marca. Mas o mais interessante é a minha moda caiu na graça de todas que conhecem. Por um período tivemos uma loja em Búzios, o que foi muito bom para a afirmação da marca como uma grife que podia disputar com as maiores do país. Ainda temos uma franquia na praia do Forte na Bahia. Conseguimos também agradar um eixo não evangélico ou gospel. Aliás, a proposta sempre foi atingir o mundo todo e ainda poder levar uma mensagem. Colocamos uma mensagem na embalagem: "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor" e sempre somos questionados quanto ao significado do nome, aí podemos nos aprofundar nas Escrituras. No início tínhamos algumas dificuldades de aceitação, pois os clientes ficavam receosos achando que era uma marca evangélica. Eles estavam certos, mas depois viram que era uma marca evangélica com estilo.

Guia-me: Fale um pouco sobre o sucesso da sua empresa na mídia .

Mohamed: Já estivemos em capas e editoriais de revistas de moda secular como Vogue, Claudia, Plástica & Beleza, Trip, Fluir, Lounge e revistas Veja Rio e Veja São Paulo. Por três vezes fomos convidados a participar de programas de TV ( Super Pop, da Luciana Gimenez) o que foi muito bom para a marca. Fomos capa de duas revistas australianas, uma de moda e outra de esportes. Temos muitos parceiros na Europa e América Central.

Guia-me: O que os mais tradicionais acham disso? Eles te recriminam ou discriminam por fazer biquínis, já que determinadas denominações não aceitam esse tipo de traje?

Mohamed: Nunca fui recriminado por nossos irmãos e acredito que não seja, já que o que criamos são roupas para que as mulheres e os homens se vistam para irem à praia.

Guia-me: É mais fácil ser jovem e servir a Jesus hoje?

Mohamed: Servir a Jesus será sempre igual, o que temos hoje é uma maior facilidade de alcançar os jovens através da linguagem. Muitas igrejas têm um ministério jovem que foi criado para que esta linguagem seja passada. O Bola de Neve é uma demonstração do que Deus quer fazer com os jovens. Hoje temos uma maior facilidade para alcançá-los.

Guia-me: Qual é a importância do ministério jovem que vai aos points onde a galera está?

Mohamed: Alcançar a fatia da população que mais sofre com os prazeres do mundo, como sexo e drogas. Por muito tempo, os jovens se distanciaram de Deus. A história está sendo mudada.

Guia-me: Na sua opinião, quais são os maiores desafios da igreja hoje?

Mohamed: Desmistificar a figura do evangélico. Muitos acham que ser evangélico é se fechar em uma redoma de vidro. Sou cristão, surfista, jogo futebol, saio com amigos, vou à praia. Jesus dançava, eu também posso. Fazemos tudo o que Jesus nos permite.

Guia-me: É possível combinar vocação (trabalho) com devoção (fé e crenças) em prol do reino de Deus?

Mohamed: Tanto possível como necessário. Se você é um formador de opinião, então forme.

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