Era uma vez um casal de caipiras...

Era uma vez um casal de caipiras...

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 9:44

A história é mais ou menos assim: o casal de velhinhos caipiras observa a noite do sobrado do sítio, sentando cada um numa cadeira de balanço rangendo, rec, rec, rec.

A velhinha comenta: "Amanhã fazemos cinqüenta anos de casados, né meu velho?". E a cadeira rangendo: rec, rec, rec.

O velho responde: "É... Pois é, minha velha. É mesmo." E a cadeira: rec, rec, rec.

A velhinha insiste: "Cinqüenta anos não são cinqüenta dias, né meu velho?" A cadeira ainda rec, rec, rec.

O velho confirma: "É... Pois é, minha velha. Não são mesmo". E a cadeira: rec, rec, rec. A velhinha sugere, enfim: "Podíamos matar um porco no almoço amanhã, né meu velho?" Rec, rec, rec.

O velho, após minuto de reflexão: "Pra que é que a gente vai castigar o porco por causa disso?"

Dizem que casamento é como fortaleza sitiada. Quem está fora quer entrar, quem está dentro quer sair.

Mas não há relacionamento mais enriquecedor e valioso do que o relacionamento conjugal.

É claro que, como tudo na vida, é preciso cultivá-lo, ajudá-lo a desenvolver-se. Caso contrário, enfraquece e morre.

Recebi, de um dos jovens da igreja que pastoreio, um calendário - desses que possuem os meses numerados de um lado e uma grav ura ou mensagem publicitária do outro. O calendário presenteado traz, no verso, uma reflexão intitulada "Loja de Deus".  Ei-la: "Caminhando pela rua vi uma loja que se chamava Loja de Deus. Entrei e encontrei um anjo no balcão. Perguntei: 'Anjo, o que vendes?' E o anjo respondeu: 'Todos os dons de Deus'. Quis saber o preço, ao que ele replicou: 'Tudo é de graça'. Vi, então, jarros e vidros diversos contendo amor, alegria, fé, esperança, sabedoria e outros dons divinos. Disse-lhe que desejava comprar todos e ele os arrumou num pequenino pacote. Sem entender, indaguei: 'Como é possível tantos dons caberem num pacote tão pequeno?' E o anjo explicou, sorrindo: 'Acontece que na loja de Deus não oferecemos frutos, só sementes".

É bastante sugestivo que tal texto esteja registrado justamente no verso de um calendário, onde contamos os dias que passam. 

É muito importante que recordemos sempre o desafio lançado a nós de, a cada dia,  cultivar as virtudes e os dons. Cristo chegou a contar uma parábola na qual alertava os seus discípulos acerca do perigo que há em enterrar os dons ao invés de usá-los.

Amor, alegria, fé, esperança, sabedoria são virtudes para serem cultivadas e regadas.

Diariamente. A cada nova etapa, a cada novo momento, a cada nova manhã. Se houver descuido ou negligência, murcham, secam e morrem.

Alguém já me contou que, ao voltar à sua sala de trabalho após as férias, deparou-se com uma planta abandonada, esquecida num canto. Foi só voltar a cuidar dela que a planta reviveu, encheu-se de vigor, ficou renovada.

A vida é assim. Feita mais de sementes do que de frutos. Colher é bom. Mas é necessário que, antes, aprendamos a semear e cuidar.

A vida a dois precisa desse cultivo também.

Ou acabaremos achando que não vale a pena matar um porco para comemorar.

Pr. Carlos Novaes é escritor e pastor da Igreja Batista Barão da Taquara, no Rio de Janeiro.

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