Escolha profissional dos filhos

Escolha profissional dos filhos

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 9:23

Confusos, divididos e até sem ter a menor ideia de que caminho seguir. São essas as reações de muitos jovens quando chega o momento de decidir que profissão escolher. A situação piora ainda mais se os pais não aceitam a carreira escolhida. Mas será que eles têm esse direito? Até que ponto a opinião dos pais deve ter peso na decisão do filho?

Segundo a psicóloga Alexssandra Freitas, a escolha profissional não raramente é questionada ao longo de toda a vida. “Muitos adultos se questionam sobre suas escolhas, refletindo se foram as mais acertadas. Tal assunto torna-se ainda mais delicado entre os jovens. Eles mal acabaram de sair da infância, ainda não se encontram no mundo dos adultos e se veem tendo que escolher quem serão. Nessa fase repleta de transformações na vida, é muito complicado escolher uma profissão entre inúmeras possibilidades, atender as suas próprias necessidades e ainda às expectativas dos pais”, analisa. 

Alexssandra, que é também orientadora vocacional, ressalta que é muito comum que no meio de tantos fatores a serem avaliados, os jovens escolham uma profissão que desagrade aos pais, que costumam interferir diretamente na escolha deles. “Os pais acreditam que, como adultos, podem decidir melhor. Alguns, satisfeitos com a própria profissão, querem que seus filhos sigam seus passos. Outros, cuja satisfação não é tão grande assim, não querem de jeito nenhum que os filhos sigam o mesmo caminho. Há os que querem que os filhos tenham a estabilidade financeira que não tiveram; outros, o prazer no cotidiano do trabalho. Na verdade, os pais têm o direito de opinar nesse momento, mas não de interferir diretamente na escolha, pois esta deve ser única e exclusivamente do jovem que irá viver o seu cotidiano no trabalho e na vida”, frisa.

A psicóloga explica que os pais devem saber que, mesmo indiretamente, as histórias familiares contribuem para a escolha dos filhos, pois estas constroem a visão de mundo do jovem. “Isso influencia na repetição ou não do modelo familiar, dependendo de como esse jovem se identifica com este”, esclarece. Para ela, é muito importante que os filhos dialoguem com seus pais, expressando o porquê de sua escolha. “Mas, às vezes, nem mesmo eles sabem explicar e não têm certeza. Nesse momento crucial, no qual o adolescente realiza sua primeira importante escolha na vida, muitas vezes torna-se necessária a ajuda de um psicólogo especializado em orientação vocacional”, ressalta.

A especialista explica que há dois tipos de orientação profissional: a tradicional - em que o adolescente responde a uma série de testes psicométricos e obtém uma resposta padronizada, sem a sua participação ativa (o que não ajuda em seus conflitos internos) - e a de abordagem clínica. “Há técnicas específicas que ajudam o jovem a elaborar seu projeto de vida e a refletir sobre os fatores primordiais para que sua escolha se encaixe nesse projeto, como o autoconhecimento de suas características pessoais, a descoberta de suas habilidades e interesses, informações sobre as profissões e o mercado de trabalho. Dessa maneira, o jovem estará mais consciente e confiante para escolher sua profissão, pois terá uma participação ativa e reflexão acerca de seus conflitos internos. Assim, a probabilidade de acerto será bem maior do que o que escolher sozinho”, conclui.

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