Faça o café dos pequenos ficar mais gostoso

Faça o café dos pequenos ficar mais gostoso

Atualizado: Quinta-feira, 11 Março de 2010 as 12

Tem criança que pula da cama faminta e corre para a mesa do café da manhã, mas tem a turminha teimosa que torce o nariz para os cardápios mais elaborados.

Daí, haja aviãozinho para contornar a situação. Porém, como é a primeira refeição do dia, o café da manhã é essencial para a saúde e crescimento dos pequenos e não pode ser negligenciado. Motivos para isso não faltam.

Além de fornecer a energia necessária para um dia inteiro de travessuras e estudos, ele equilibra as funções do organismo impedindo que haja uma sobrecarga nas demais refeições e evita problemas como desnutrição e obesidade.

"O alimento é o combustível do corpo. Quando pulamos esta refeição, ficamos mais cansado e sem disposição. Como o organismo das crianças está em formação, precisa de ainda mais combustível do que o dos adultos, e o café da manhã garante que nutrientes importantes estejam no cardápio", explica a nutricionista do Centro de Pediatria da Unifesp, Giovana Longo.

Cardápio completo

A especialista salienta que o café da manhã ideal para uma criança é composto por:

- Uma fonte de proteína: leite e derivados

Uma fonte de carboidrato: pães e cereais

-Um regulador: frutas

Atitudes que funcionam

A nutricionista explica que existem os adultos podem investir em recursos que ajudam a despertar o interesse das crianças pela comida. É essa conscientização na infância que vai gerar adultos com hábitos mais saudáveis e uma melhor qualidade de vida.

1) Culinária colorida

As crianças percebem o mundo pelas sensações. Para elas, as cores, os sons e as formas são superimportantes nesta fase de desenvolvimento, por isso, os alimentos e talheres coloridos são fortes aliados na hora de convencê-las a comer pela manhã:

"uma salada de frutas no prato de um personagem de desenho animado, uma vitamina de duas cores no copinho em forma de avião ou um sanduíche recheado de cores e aromas funcionam como um chamariz para a comida", explica.  

2) Saiba apresentar a comida

Os adultos não devem desistir de incluir nutrientes importantes na alimentação dos filhos, apenas pelo fato de que foram recusados uma vez.

O segredo é dar cara nova ao alimento. Isso mesmo, camuflá-lo no prato. "Se a criança não gosta de leite, tente uma vitamina. Se o problema é com os legumes, coloque-os em uma sanduíche todo decorado. A criança precisa descobrir que comer aquilo é gostoso. Não adianta falar dos benefícios para a saúde de uma maneira adulta, use a criatividade e conquiste o paladar dos pequenos", diz Giovana.

3) Comece bem o dia

Que tal fazer a primeira refeição do dia com toda a família reunida? Com todos em torno da mesa, não há maneira melhor de demonstrar a criança que o café da manhã é importante para todos, além disso, a conversa e a confraternização da ocasião fortalecem os laços de família.

"Para quebrar esta rejeição ao café da manhã, o ideal é que os pais façam dele um momento gostoso, cheio de conversa e confraternização. Se o pai ou a mãe não comem pela manhã, a criança vai entender que esta refeição não é tão importante assim e também não vai querer", explica a especialista.  

4) Criando super-heróis e princesas

Desperte o interesse dos pequenos pelo café da manhã, usando argumentos de forma lúdica. Para os meninos, vale dizer que eles ficarão fortes como o Ben 10 ou o Homen Aranha, pois o ideal de força e masculinidade está presente nos garotos desde a infância e isso os convencerá a comer.

Já as meninas, são mais sensíveis e precisam estabelecer uma relação de alegria e prazer com a hora do café. "Comparações positivas com princesas e ídolos ajudam a fazer das refeições uma brincadeira saudável", diz Giovana.  

5)Inteligência que vai no prato

Uma arma infalível contra a rejeição das crianças em relação ao café da manhã é a inteligência. A competição é uma marca dos pequeninos e no universo infantil, ir mal na escola ou ser menos paparicado pelos professores que os demais colegas é sinal de fraqueza, por isso, a especialista sugere:"explique à criança que sem o café da manhã, ela vai ficar menos disposta e o rendimento na escola pode piorar. Ela não vai querer perder para o coleguinha".

O que não se deve fazer

-Chantagens: estímulos negativos geram uma relação ambígua entre a criança e a comida, fazendo com que o ela encare o alimento como uma forma de se obter algo material e isso não deve acontecer em hipótese alguma: "a criança não pode ver a comida como um caminho para se chegar ao objeto desejado. Premiações e recompensas não são bem vindos", alerta.

-Industrializados: muitos pais acabam exagerando na dose de produtos industrializados na tentativa de melhorar a alimentação dos filhos.

O problema é que em muitas vezes além de mais calóricos e pobres em vitaminas, os industrializados são ricos em açúcar e causam a sensação enganosa de saciedade nos pequenos. Além de não matar a fome, eles prejudicam a saúde: "os produtos são bonitos e chamativos, mas não suprem a necessidade nutricional do organismo de uma criança", explica a nutricionista.

O que a falta do café da manhã pode causar nas crianças?

De acordo com a nutricionista do Centro de Pediatria da Unifesp, pular o café da manhã pode trazer consequências graves para as crianças, como:

-Obesidade: "como a criança deixa de comer logo pela manhã, ao longo do dia vai tentar compensar a falta de nutrientes em outras refeições. É um mecanismo natural que leva a obesidade", explica.

-Desnutrição: "se a criança não tomar um café da manhã adequado ou deixar de comer neste horário pode também, quando não compensa em outras refeições, ficar anêmica e até desnutrida", diz Giovana.

-Falta de atenção: os alimentos são essenciais para o aprendizado. Sem eles, a memória e a concentração ficam mais lentas, prejudicando os estudos.

-Dificuldade de crescimento: crianças que não se alimentam corretamente podem enfrentar problemas para desenvolver a estatura: "os ossos e os demais tecidos não têm combustível suficiente para crescer e acabam estacionando", explica Giovana.  

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