Fanáticos ou adoradores?

Fanáticos ou adoradores?

Atualizado: Quarta-feira, 22 Julho de 2009 as 12

A preocupação dos pais recai sobre o fanatismo. O que leva seu filho viciado, sem nenhuma perspectiva de futuro e sem responsabilidade assumir um compromisso quase diário com a Igreja? De um dia para o outro só fala em Deus, só ouve música evangélica, deixa de ir à boates e bares, cita trechos bíblicos como quem recita um poema... Foi assim com Gabriel Fonseca, 23 anos. A mudança radical ocasionou sérios problemas familiares. "Não sou contra religião. Sou contra o fanatismo. E por um momento pensei que meu filho estivesse fanático", conta sua mãe que é católica. Hoje a família de Gabriel respeita sua decisão, reconhece que houve uma mudança significativa em sua vida depois de sua conversão, mas ainda procura entender o que o levou tornar-se crente. "Nunca imaginei isso do meu filho. Mas se ele se sente bem, então eu apoio", diz a mãe. Para Gabriel, a mudança "é fruto do poder do Espírito Santo. Só Ele pode transformar vidas". Ele conta que se sente bem melhor agora. Aprendeu a tomar decisões com mais segurança, a agir com mais cautela. "Antes eu era muito imediatista e egocêntrico. Queria aproveitar tudo ao mesmo tempo e só me dava mal, pois não me realizava em nada". Gabriel relata, ainda, que largou os vícios do cigarro, da bebida e do sexo casual sem esforço e afirma que não sente falta de nenhum deles. "Hoje eu consigo dominar meus impulsos e vejo que sou mais forte do que um maço de cigarro, ou de uma garrafa de wiski, que antes me dominavam... Descobri outros prazeres que me completam realmente".

O que é visto como fanatismo para os pais é colocado como uma atividade prazerosa para os praticantes. Os evangélicos vão aos cultos, pelo menos, duas vezes na semana. E o fazem não como uma obrigação religiosa ou um ritual praticado tradicionalmente pela família, mas como algo natural. Essa freqüência assídua é o motivo dos receios familiares. Afinal, o que a Igreja oferece de tão bom para levar o filho a participar constantemente? O antropólogo José Zuchiwschi explica que há uma tendência natural do ser humano em suspeitar de tudo o que é novo e causa mudanças significativas. "Numa época em que milhares de seitas e movimentos religiosos pipocam por todos os lugares, e uma guerra está sendo deflagrada por motivos ideológicos, é natural que os pais queiram saber por onde os filhos andam e o que eles estão aprendendo".

Os bispos Robson e Lúcia Rodovalho, Igreja Sara Nossa Terra, concordam que qualquer excesso denota desequilíbrio e precisa ser revisto. Para eles, a igreja não é uma questão de religião. "Costumamos afirmar que a igreja é uma comunidade terapêutica, o lugar mais seguro da terra. Não é um lugar onde nos escondemos, mas onde procuramos proteção. Muitos vêm, se identificam com o estilo e permanecem. A mesma coisa é quando se vai num bar, gosta do ambiente, da comida, das músicas, das pessoas que vão ali e então passa a freqüentá-lo constantemente. Isso não é um tipo de fanatismo?! Só que não está ligado a religião! As pessoas nos acusam, mas o que será que elas fazem que podemos chamar de fanatismo também?", argumentam.

O reverendo Guilhermino Cunha, no seu livro "O Terceiro Milênio e a Nova Ordem Mundial" afirma que a Igreja está entrando numa nova era e por isso necessita de novos paradigmas para poder prevalecer. "O evangelho é o mesmo, o que muda é a forma com é apresentado. A igreja precisa se modernizar, precisa se atualizar, caso contrário fica para trás. Internet, rádios, tvs e outros veículos estão exortando a violência e a corrupção de valores. Por que não utiliza-los para o bem?!", defende. Isso explica o crescimento da indústria fonográfica e das inúmeras mídias voltadas especificamente para o público evangélico.

Postado por: Felipe Pinheiro

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