Filho não salva casamento

Filho não salva casamento

Atualizado: Terça-feira, 22 Novembro de 2011 as 3:52

É uma ilusão pensar que um filho pode salvar o casamento. Na verdade, ele pode até agravar a relação, se não for desejado por ambos. É o que explica a psicóloga Luciana Leis, especialista em reprodução assistida.

Segundo ela, o pensamento da mulher é que o filho é um elo para sempre. A esperança é de que o marido não se separe, para não deixar de ter contato com a criança. “Alguns maridos ficam juntos por causa do filho (não todos). Mas com isso, o homem acaba tendo um sentimento contrário em relação à mulher, como raiva e tristeza. Ela tem que entender que ele estar por perto, não significa estar junto”, comenta Luciana.

Esta atitude de tentar manter o relacionamento por causa de um filho, além de trazer consequências ruins para o homem, pode também afetar a mulher e a criança. “A  mulher corre o risco do marido se voltar a ela trazendo angústia e tristeza. E a criança pode se sentir ignorada, porque eles não o desejaram como filho, mas sim como um elo que, no fim, não deu certo”.

A criança dará alguns sinais de que não está sendo emocionalmente correspondida pelos pais. “O sintoma pode aparecer de qualquer forma, como começar a ser agressiva, fazer xixi na cama, ir mal na escola, entre outras atitudes para chamar a atenção dos pais”, esclarece a psicóloga.

Hora certa Quando um filho é desejado e o casal está preparado para a presença de um terceiro elemento em casa, a relação conjugal muda para melhor. “Não que um filho venha para unir ou separar um casamento. Em uma relação onde os dois ou um dos dois não quer uma criança, isso pode sim trazer um problema para o casamento. Nem todos os homens e mulheres querem abrir mão de algumas coisas das suas vidas para cuidar de um bebê”.

O importante é o casal saber o real motivo de estar junto, sem que isso tenha alguma relação com o filho. “Todo casamento pode ter crise, não para separação, mas sim para o crescimento. Um filho não poder ser desejado, por exemplo, para a mulher provar que é capaz de gerar ou porque os amigos em comum já têm filhos; para não ficar de fora de um grupo social. Uma criança deve ser desejada e amada pelo simples fato dela existir”, finaliza Luciana.

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