Filhos obesos devem ser separados de pais negligentes, defendem especialistas

Filhos obesos devem ser separados de pais negligentes, defendem especialistas

Atualizado: Segunda-feira, 30 Agosto de 2010 as 10:20

Filhos obesos devem ser separados de pais negligentes, defendem especialistas em saúde infantil do Reino Unido. A separação das crianças da família deve acontecer quando os pais rejeitam ajuda, falham nas consultas médicas e se descuidam na dieta prescrita aos filhos para que eles percam peso, informou o site português Público.

A negligência não é medida pelo peso da criança, mas sim a atitude empenhada ou não dos pais, dizem os especialistas. Segundo o psicólogo português Eduardo Sá, "os pais devem entender que têm responsabilidades sobre as crianças". Ele diz que o problema apontado não é o excesso de peso, mas sim a obesidade mórbida.

- Se não providenciarem os cuidados, o bem-estar das crianças, seja por ignorância ou por negligência, eles [pais] irão comprometer todo o desenvolvimento dos filhos.

Eduardo Sá aponta como cuidados básicos proporcionar uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos obrigatória "assim como ir à escola". Pais que não têm atenção com a  saúde dos filhos, não têm condições para desenvolver a parentalidade, diz Sá.

O presidente da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, de Portugal, Armando Leandro, afirma que "em uma situação de perigo, por questões de obesidade", a criança pode ser separada dos pais caso estes não contribuam ou neguem o problema.

Armando ressalta que, antes de medidas mais drásticas, devem ser promovidas estratégias e ações de prevenção, como "informação e sensibilização sobre as implicações negativas da obesidade na saúde e na realização da crianças" e, sobre "os meios de superar e evitar" o excesso de peso.

Ele afirma que, em algumas situações, caso os pais sejam considerados incapazes de cuidar com responsabilidade da saúde de seus filhos e, não existam outras medidas mais eficazes para restringir a liberdade do exercício das responsabilidades parentais e do direito da criança de estar preferencialmente com seus pais", o jovem pode ser colocado em uma instituição.

Armando Leandro frisa que é necessário "bom senso" e equilíbrio ao tomar tal decisão, já que mesmo com o apoio institucional, o regresso da criança ou do jovem à sua família deve ser realizado "o mais rápido possível". Caso não existam meios da volta  da criança para casa, "outros projetos de vida devem ser realizados", diz ele.

Separar as crianças obesas de seus pais negligentes, que não cuidam da alimentação, nem do tratamento de seus filhos e, assim, colocam em riso a sua saúde, foi defendida por um grupo de especialistas do Reino Unido, em um artigo publicado no British Medical Journal. Na equipe está Russel Viner do UCL Intitute od Child Health de Londres.

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