Filhos? Planejar e poupar não faz mal a ninguém

Filhos? Planejar e poupar não faz mal a ninguém

Atualizado: Sexta-feira, 21 Maio de 2010 as 9:15

Quando engravidou, a jornalista carioca Maria Fernanda Delmas percebeu que muitas das dicas recebidas e trocadas com outras gestantes e mães não estavam escritas em lugar algum. Quando sua filha, Bia, completou 6 meses, Fernanda resolveu reunir as informações que circulavam boca a boca no livro Olha quem está poupando, da editora Campus.

Profissional treinada para enxergar as notícias no mundo da economia e dos negócios, Fernanda fez um mapa dos gastos para tentar minimizar os sustos que muitas mães de primeira viagem, como ela, levam. "Vacinas e farmácia foram uma surpresa. Tem mês em que chega a R$ 500 o gasto com vacinas, se você quiser dar tudo que não tem na rede pública", diz. "Farmácia é outra. Sou rata de promoção em farmácia, procuro mesmo, na internet, e vou atrás", diz. No livro, Fernanda faz um raio-X das despesas que a família passa a ter, da gravidez ao segundo ano de vida da crianças.

É verdade. Eu costumo dizer que se a farmácia aqui perto de casa tivesse programa de milhagem, eu já teria várias passagens gratuitas para o Rio de Janeiro.

Ao mostrar despesas necessárias e outras nem tanto assim, a jornalista quis oferecer o básico que todos precisamos: informações para fazer escolhas. "Quem sou eu para definir as prioridades de cada um, mas tem muito exagero. Eu estava preocupada, por exemplo, em ter uma cadeira de amamentação porque estava lá, em toda revista de decoração, que era necessário. A cadeira nem caberia no quarto da minha filha. Minha solução foi uma almofada de amamentação que eu levava para qualquer canto da casa".

O livro compila também a parafernália de que um bebê precisa. Ao juntar o prazer da maternidade com a necessidade de planejar para não estressar, Maria Fernanda oferece uma ajuda muito útil lembran do não só que "tudo tem um jeito", mas que você, mãe, precisa de um tempinho também. E isso, eu digo, não tem preço.

No livro, ela acrescentou dados de uma pesquisa da consultoria Invent sobre os gastos domésticos por filho de acordo com o perfil de renda de famílias brasileiras.

Uma criança de 2 anos numa família com renda mínima de R$ 6 mil, por exemplo, pode custar até R$ 21.900 por ano, incluídos aí os gastos com festinha de aniversário, babá, escola, alimentação, viagens, cinema, luz, água e até poupança. Uma criança maior – 5 a 10 anos – custa uns R$ 28 mil por ano. Isso tudo varia muito em função das prioridades, do dinheiro disponível, do custo de vida da cidade onde a família mora…ela alerta.

Mas, como sabiamente diz Maria Fernanda, não é para ninguém cortar os pulsos nem desistir da nobre missão de ter uma pequena criaturinha em casa. "Elas valem cada centavo".

Aqui, algumas dicas da autora.

Decoração, enxoval e afins

"Na hora de comprar as coisas do bebê, você vai se deparar com uma lista sem-fim de itens ‘absolutamente necessários’ – isso na visão das lojas e revistas de decoração… Antes de sair comprando tudo, pare, respire, converse com outros pais e avalie se aquilo tudo terá realmente serventia no seu caso… Quem começa a pensar cedo no enxoval tem tempo e disposição para olhar um milhão de lojas, comparar preços e achar aquelas coisinhas que são exatamente a sua cara… Conheço muitos casais que, em tempos de dólar mais barato, programam viagens aos Estados Unidos somente para trazer o enxoval".

O quartinho

"A poltrona de amamentação é um conforto e pode ser cômoda para muitas mães… Mas em minha casa também não cabia… A sentença veio da minha irmã que é mãe de três filhas: ‘Amamentar vai ser onde tiver televisão’… Ganhei dela uma mega-almofada de amamentação, que cumpriu muito bem seu papel".

Crianças alérgicas

"Uma lata de leite de soja para crianças com até 1 ano de idade custa entre R$ 40 e R$ 45, enquanto o leite comum pode ser comprado por R$ 15 ou R$ 20. Esses leites especiais, incluindo os hipoalergênicos e os completamente sem lactose, podem chegar a custar R$ 100, caso se trate de uma emergência e você não tenha tempo de fazer uma boa pesquisa de preços".

Regras de ouro do plano de saúde

"A carência para o parto é de 10 meses. Ou seja: se você não tem plano, tem de virar cliente de um com cobertura obstétrica pelo menos um mês antes de engravidar".

Só um pouquinho de suor

"A não ser que a mulher seja uma verdadeira atleta, grande parte dos médicos recomenda que a grávida faça exercícios mais leves… Já viu que é jogar dinheiro fora continuar pagando aquele plano completo da academia, que pode chegar a R$ 500 por mês. Quando acaba a licença-maternidade, é preciso equilibrar os cuidados com o bebê, a amamentação, o trabalho, a vida de mulher e a ginástica. É melhor já negociar um plano mais simples ou procurar uma academia mais barata nessa fase de transição".

Obstetra - ou Deus, enquanto você estiver grávida

"Um bom médico pode estar conveniado a um plano de saúde, atender na rede pública ou em um consultório caríssimo. Cada opção tem seu preço, sejam horas na sala de espera ou um cheque considerável no fim da consulta. Planejando seu tempo e seu dinheiro, você poderá garantir que terá o obstetra que escolheu".

Vida de consultório

"As consultas médicas na agenda de uma grávida não se resumem às idas ao obstetra. Você vai experimentar uma série de transformações no corpo que exigirão acompanhamento de outros especialistas". (Um dos exemplos é o do dermatologista).

Está chegando a hora…

"Iminência do parto e consumo racional caminham em sentidos opostos. É o momento perfeito para empurrarem para você coisas (tipo fotos da barriga, sobre cursos de pais, de filmagem/fotografia do parto, de lembrancinhas para maternidade e do custo extra da antessala no quarto) nas quais você não teve tempo de pensar".

A hora "H"

"Para não ter surpresas logo na hora em que você não quer pensar em dinheiro, confira com seu plano de saúde os limites de reembolso".

Um parto fora do plano pode custar R$ 6 mil ou até R$ 12 mil, incluindo a internação. E depois tem a opção de congelar o cordão umbilical, que pode custar uns R$ 4 mil mais R$ 500 por ano de manutenção num banco privado.

Pediatra - ou Deus, enquanto você tiver filho pequeno

"Médico do plano de saúde ou particular? Aqui vão algumas questões para você pensar. Os planos de saúde podem oferecer excelentes médicos, mas as salas de espera também podem ser mais lotadas. Fora do plano, há pediatras caríssimos, e outros nem tanto. E alguns planos fornecem reembolso parcial de consultas. Mais importante do que saber se a sala de espera fica muito cheia é ter a certeza de que o pediatra costuma atender a chamados nas horas mais inconvenientes. Antes de tomar uma decisão, faça pesquisa de mercado e marque quantas entrevistas achar necessárias. Se seu coração pender para uma escolha fora do seu orçamento, sempre valerá a pena ponderar se é possível fazer aquela negociação com você mesma: deixar de jantar fora ou comprar menos roupas pode significar a economia necessária para pagar uma consulta. Lembre-se de que o sacrifício é algo mais pesado no primeiro ano, quando o bebê precisa ir todo mês ao pediatra. Depois, as consultas vão se espaçando e se tornam anuais".

Espetadelas

Se os pais se valerem de todas as vacinas gratuitas do governo, ainda assim precisarão gastar R$ 2 mil nos primeiros dois anos para cumprir todo o calendário. Se derem todas as vacinas em rede privada, vão desembolsar uns R$ 3.500.

Por: Isabel Clemente

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