Filme com Clive Owen discute os desafios de um pai solteiro

Filme com Clive Owen discute os desafios de um pai solteiro

Atualizado: Sexta-feira, 17 Dezembro de 2010 as 11:09

Criar um filho sozinho, sabemos, é tarefa repleta de desafios. Para o jornalista Simon Carr teve ainda um a mais: após a morte repentina de sua esposa, ele se viu diante da paternidade como nunca tinha sentido antes. Acostumado a uma rotina de muito trabalho e pouco convívio com os filhos, Simon precisou assumir, inclusive, parte da educação das crianças.

Tudo aconteceu há 15 anos mas agora, com o lançamento do filme Os Garotos Estão de Volta, a história de Simon pode ser conhecida por todo o mundo. O longa foi exibido no ano passado nos cinemas dos Estados Unidos e da Europa e chegou no Brasil em novembro, só em DVD para locação. Baseado no livro lançado em 2000, o longa é um relato da experiência vivida por ele, e vem ganhando notoriedade entre os críticos de cinema. Para Simon, foi fundamental compartilhar o que viveu. "O mundo familiar é como um experimento e eu senti que a minha experiência precisava ser contada".

A esposa de Simon, Susie, tinha apenas 35 anos quando descobriu o câncer já em fase terminal. Os médicos lhe davam apenas mais um ano de vida e Simon, pensando em um local mais saudável, mudou-se com a família da Inglaterra para o seu país de origem, a Nova Zelândia.

Além do dilema de um pai com pouca intimidade com os filhos assumir a criação deles sozinho, o livro e o filme também abordam, claro, a questão da morte com as crianças. Simon teve de dar a notícia da morte da mãe ao filho Alexander quando o menino tinha apenas 5 anos de idade. Ele não sabia ao certo o que dizer e optou por ser sincero: "Sim, pequeno, eu sinto muito mas ela faleceu". A tragédia deu a Simon uma outra chance também com Hugo, o filho mais velho, fruto do primeiro casamento. Para ajudar a cuidar do irmão menor, o menino de 12 anos decidiu ir morar com o pai.

Nos primeiros momentos, o dia a dia era o esperado de um cotidiano com três homens sozinhos em uma casa: difícil e neste caso, um pouco peculiar. Dias comendo pizza, pulos na banheira, corridas noturnas com as crianças, entre outras loucuras faziam parte da filosofia "sempre dia do sim" de Simon. "Éramos uma família vivendo sem uma mãe", diz. Tudo que nós, quando crianças, queríamos dos nossos pais e é o que dá o tom de humor para o filme. Há também cenas de dar arrepios, como a que o pai permite que o menino ande no capô do carro em movimento.

O recurso da educação "mais fácil" ou, digamos, "alternativa", encheu Simon de culpa. Mas não parece ter afetado o futuro dos meninos: Hugo tem 26 anos, faz o seu PHD em Londres, enquanto Alex, de 20, está na universidade. Mesmo assim, o jornalista se viu na obrigação de contar ao mundo a sua história de superação, para inspirar outros pais que passam pela mesma situação. "O problema é que quando uma mãe morre, o nosso mundo fica destruído de uma forma que não é possível consertá-lo. Mas é com essa realidade que nós temos que aprender a viver". E qual é a dica de Simon para os pais solteiros? "Você precisa ser verdadeiro consigo mesmo. Não confie em tudo o que os especialistas dizem", diz.

Por: Julia Benvenuto

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