Fobia de cobras e aranhas é passada aos filhos pelos pais

Fobia de cobras e aranhas é passada aos filhos pelos pais

Atualizado: Terça-feira, 1 Fevereiro de 2011 as 2:30

Você entra em pânico só de pensar em cobras, apesar de nunca ter visto uma pessoalmente? Fica sem fôlego ao ver uma pequena aranha no quintal de casa? Pois saiba que, ao contrário do que muita gente pensa, as pessoas não nascem com as fobias. O medo irracional, aquele que paralisa e é injustificável, seria ensinado às crianças pelos pais, segundo pesquisa da Universidade Rutgers, na Inglaterra. “A fobia é o medo acentuado de alguma coisa e causa ansiedade e grau elevado de sentimento negativo”, diz Ana Lúcia Castello, psicóloga clínica e consultora do Hospital Infantil Sabará.

O estudo apresentou a bebês de 7 meses dois vídeos, um ao lado do outro. O primeiro com cobras e o segundo com imagens de animais não ameaçadores, como um elefante. Ao mesmo tempo, os pesquisadores colocaram sons ora de vozes amedrontadas, ora de vozes felizes. As crianças passaram mais tempo olhando para as serpentes quando ouviam as falas de medo. Num segundo experimento, os cientistas mostraram nove fotos a crianças de 3 anos e pediram que apontassem determinados itens. Os meninos e meninas identificaram cobras mais rapidamente do que flores ou outros animais, como sapos e centopéias. “Nós temos a capacidade de detectar rapidamente possíveis riscos, como cobras e aranhas, e associá-los a coisas negativas”, diz Vanessa LoBue, da Universidade Rutgers.

De acordo com o relatório, publicado no Current Directions in Pscychological Science, é mais fácil que humanos e macacos aprendam a temer coisas possivelmente ameaçadoras do que aquelas que não representam nenhum perigo. Os pesquisadores descobriram que as pessoas podem associar um pequeno choque elétrico tanto a imagens de serpentes e aracnídeos quanto a fotos de flores e cogumelos. Mas a associação é mais duradoura com os animais perigosos e não é inerente, ou seja, não nasce com a criança.

A psicóloga Ana Lúcia Castello explica que ter medo é normal e faz parte das respostas do ser humano para as situações com as quais ele não consegue lidar. “Você não vai pular de um prédio de 10 andares”, exemplifica. O problema é o temor acentuado, irracional. Para evitar que o seu filho desenvolva fobias, a especialista aconselha a não superprotegê-lo e sempre mostrar que não é preciso entrar em pânico – mesmo diante das situações perigosas.

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