Fobia escolar e os conflitos de personalidade na infância

Fobia escolar e os conflitos de personalidade na infância

Atualizado: Quinta-feira, 12 Junho de 2008 as 12

Transtorno é considerado caso sério na psiquiatria e precisa de tratamento; sintomas podem complicar o relacionamento da criança com a mãe e o mundo

Criança que falta muito à escola por sintomas físicos vagos e que sempre prefere ficar em casa pode sofrer de fobia escolar. O coordenador da Residência de Psiquiatria Infantil da Faculdade de Medicina da UFMG, professor José Raimundo Lippi, explica que a fobia escolar reflete conflitos de personalidade na infância e está associada, na maioria das vezes, às relações familiares e, em alguns casos, à estrutura e ao apoio escolar. O transtorno afeta cerca de 3% das crianças em todo o mundo e atinge, principalmente, aquelas com o coeficiente de inteligência acima da média, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O psiquiatra detalha que a fobia escolar acontece, geralmente, nos casos de proteção materna excessiva que desencadeia a dependência infantil, responsável por uma hostilidade da criança em relação aos pais com quadros de ansiedade. Esta reação hostil acaba sendo uma forma de busca de liberdade da criança para se afastar da proteção da mãe. "A situação se completa quando existem contra-hostilidade e explosões de raiva da mãe com a criança. O problema pode se agravar, ainda mais, se ocorrer sentimentos de culpa materna", explica Lippi, que também é diretor do Ciope - Centro Interdisciplinar de Orientação Psicopedagógica.

Qualquer situação capaz de aumentar a relação de dependência entre mãe e filho pode agravar a situação, por exemplo, uma doença, uma mudança de casa ou uma troca de escola. "Quando a criança lê a insegurança na mãe ela pode passar a sentir medo. Caso esse medo tome proporções muito maiores, ele se transforma em fobia", conta Lippi.

A maior parte das mães superproteroras não consegue perceber que está agindo dessa forma. Esses modelos de mães projetam nos filhos as angústias que tiveram quando criança. Elas não querem que os filhos passem pelas mesmas situações que passaram, mas também não possuem a medida certa de agir. "A criança fica querendo fugir, ser independente, mas, ao mesmo tempo, a escola não oferece a proteção com a qual ela está acostumada. Cria-se, então, um conflito familiar. Neste caso, o tratamento psiquiátrico deve ser realizado com mãe e filho", indica.

A outra ponta do processo de fobia escolar acontece quando a escola oferece situações provocadoras de insegurança e medo para a criança. Colegas muito agressivos, professores rígidos e irritados e falta de apoio em momentos difíceis podem desencadear o transtorno escolar em crianças sensíveis e predispostas.

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