Fraldinhas encardidas e bonecos inseparáveis atenuam angústia das crianças

Fraldinhas encardidas e bonecos inseparáveis atenuam angústia das crianças

Atualizado: Sexta-feira, 18 Junho de 2010 as 10:32

Os famosos paninhos, fraldinhas, travesseiros, bichinhos, bonecos, qualquer desses objetos encardidos que as crianças teimam em ficar levando pra lá e pra cá, e esfregando no rostinho, no nariz, no braço ou, seja lá onde for, são absolutamente saudáveis do ponto de vista emocional, segundo a psicóloga e psicanalista infantil Silvana Rabello.

Chamados objetos transicionais, eles são utilizados pela criança para atenuar a angústia de ficar longe da mãe, quando a mistura natural entre mãe e filho dos primeiros meses de vida começa a ser desfeita dentro dela. Essa é uma fase importante do desenvolvimento e algumas crianças exigem um auxílio maior nesse período.

As crianças vivem agarradas aos objetos que escolheram para representar a mãe enquanto fazem as elaborações psíquicas para aguentar o afastamento. "Algumas crianças começam a ter os seus objetos transicionais. A fraldinha, a chupetinha são aquelas coisas que elas precisam ter controle pelo amor de deus! Isso, não me tire. Ela precisa ter controle sobre alguma coisa. É a fraldinha clássica, suja, que a criança tem um chilique se some, se lava. É um ursinho, é alguma coisa que é um objeto muito íntimo", explicou.

Silvana Rabello disse que a criança usa o objeto para fazer tudo o que gostaria de fazer com a mãe. Se pudesse, colocaria a mãe debaixo do braço e carregaria para qualquer canto, para não largar nunca mais, nem para ir dormir nem para tomar banho.

"Então, à medida que a criança vai perdendo esse controle da mãe é até muito interessante, muito saudável, que a criança vá elegendo alguns objetos que viram um grude e com o que ela começa a brinca, brincar até de mandar embora. De jogar no lixo, de pegar de volta, de brigar", ressaltou.

De acordo com a psicanalista, fazendo isso, a criança começa transferir um pouco da angústia para esses objetos, vivendo uma situação um pouco mais controlada por ela. Para organizar psiquicamente que não pode controlar a mãe, ela precisa de um tempo para aprender a lidar com isso. E é comum que essa elaboração gere bastante angústia.

Silvana Rabello é psicanalista, doutora em psicologia clínica, especialista em clínica de criança, professora da PUC-SP

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