Idosos que não querem cuidar da saúde

Idosos que não querem cuidar da saúde

Atualizado: Sexta-feira, 7 Outubro de 2011 as 10:03

Tenho escutado o relato de filhos que se queixam que seus pais não querem cuidar da própria saúde. Mesmo com problemas de saúde, eles insistem em não adotar estilos de vida saudáveis, não fazem dieta, consomem álcool em excesso, fumam, não querem ir ao médico e nem fazem uso da medicação prescrita. Alguns usam justificativas do tipo: “Fazer isto pra que se um dia vou morrer de qualquer jeito?” ou “Só Deus sabe qual é a minha hora, independente do que eu fizer” ou ainda “Prefiro morrer logo a viver muitos anos sem poder fazer as coisas que gosto”.

Os filhos ficam impotentes frente a estas situações. Um idoso lúcido, independente e autônomo tem o controle de sua própria vida e condições de tomar decisões sobre o que fazer. Alguns frisam isto com veemência, afirmando para os filhos: “O(a) pai(mãe) aqui sou eu, portanto filho não pode mandar em mim!”. É uma situação um tanto delicada, pois, se analisarmos a situação com cuidado, ambos têm sua parcela de razão: os pais, por afirmarem que têm o poder de decidir acerca de sua própria vida e que os filhos têm que respeitá-los; os filhos, por se preocuparem com o estado de saúde dos pais e insistirem que os mesmos adotem um estilo de vida mais saudável. Como resolver este impasse? Como sempre, com diálogo e respeito de ambas as partes.

Os filhos realmente devem tentar ajudar os pais, mas existe um limite: até onde o idoso permite ser ajudado. Em relação à atividade física, uma boa saída seria o filho convencer o idoso a praticar uma atividade física com ele (uma caminhada, pro exemplo). Acompanhados a atividade pode ser mais prazerosa para ambos. Orientá-lo sobre hábitos prejudiciais (como, por exemplo, uso e álcool e tabaco) pode ser importante, mas de nada irá adiantar se o idoso não tiver vontade de abolir estas práticas de seu cotidiano. É importante que o filho mostre ao idoso o quanto é importante para ele ir ao médico (tanto para prevenir doenças quanto para fazer um controle daquelas que já se instalaram), além de acompanhá-lo às consultas e pedir informações ao médico. Porém, por outro lado, tentar obrigar o idoso a adotar hábitos saudáveis pode não produzir resultados satisfatórios. Sentindo-se compelido, por exemplo, a ir ao médico ou fazer dieta, o idoso pode desenvolver uma aversão e recusar-se com mais veemência a fazer as duas coisas.

Seguem algumas dicas para os filhos de pais nessas condições e para os idosos que se recusam a aderir a algum tratamento.

Filhos:

Neste sentido, procurem fazer o que realmente pode ser feito em prol do idoso, porém respeitando suas decisões. Imposições podem ser interpretadas pelo genitor idoso como falta de respeito e ser motivo para desavenças. Caso ele demande, marque consulta, exames e o acompanhe nestes eventos, porém sem forçar situações. A culpa não é sua se o idoso optar não aderir a um tratamento essencial à sua qualidade de vida, portanto, não cultive um sentimento de culpa que pode ser muito prejudicial para você! Crenças negativas do idoso podem não ser apenas teimosia ou pessimismo frente à vida, mas sim refletir um quadro de depressão ou uma insatisfação frente às perdas associadas ao envelhecimento e iminência de morte (que pode aumentar à medida que a idade avança e alguns sintomas de doença começam a aparecer).

Idosos:

Nunca é tarde para investir em sua própria saúde! Mesmo que pareça que não lhe resta muito tempo de vida, que é difícil mudar hábitos antigos ou que os tratamentos são muito custosos, vale a pena investir em sua saúde e quem sabe assim aumentar seus anos de vida ou vivê-los com mais qualidade. Procure compreender a atitude de seu filho não como uma intromissão, mas como um sinal de que alguém gosta de você e se preocupa com seu bem-estar. Caso esteja difícil largar o álcool e o cigarro, procure ajuda profissional ou de grupos como os Alcoólicos Anônimos. Caso você não quer procurar um médico com medo de um possível diagnóstico de algo mais grave, vença seu medo, pensando que, independente do que seja, pode ser mais fácil se for descoberto precocemente e tratado desde o início. Tenha uma relação satisfatória com seu médico e não hesite em tirar suas dúvidas, mesmo as que pareçam mais irrelevantes (do tipo: “Posso tomar minha cervejinha enquanto estiver fazendo uso da medicação?”). Ir ao médico e tomar remédios não necessariamente é sinal de doença ou motivo de vergonha, pode ser indício de prevenção e de cuidado com sua saúde.

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