Indisciplina pode ser sinal de Hiperatividade

Indisciplina pode ser sinal de Hiperatividade

Atualizado: Quinta-feira, 12 Junho de 2008 as 12

Agitação e procura por diversas atividades costumam ser normais, principalmente, em crianças que estão aprendendo a ler e escrever e ingressam na escola. Porém, quando essa intranqüilidade pode indicar uma patologia? Crianças com dificuldade de concentração, que conversa e se movimenta constantemente e que não consegue envolver-se com apenas uma atividade ou brincadeira pode apresentar o chamado Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade (TDAH).

"O TDAH é uma doença que afeta de 3 a 5% da população escolar infantil, comprometendo o desempenho, dificultando as relações interpessoais e provocando baixa auto-estima. Na escola é que a criança hiperativa vai demonstrar as características que definem a doença", ressalta e pedagoga e psicopedagoga Denise Weber. Além dos sintomas citados, crianças com o problema têm dificuldade em seguir regras, instruções e são impulsivas.

Outro mito que cerca o transtorno, segundo Denise, é de que a criança não consegue prestar atenção em nada. "Na verdade, elas prestam atenção a tudo. O que não possuem é a capacidade para planejar com antecedência, focalizar a atenção seletivamente e organizar respostas rápidas". Os sintomas costumam ser mais visíveis em crianças dos seis aos 10 anos, com duração de no mínimo seis meses e geralmente se instala até os sete anos de idade. Associa-se, ainda, com dificuldade escolar e problemas de relacionamento com outras crianças.

"O distúrbio é de origem genética, causado pela pouca produção de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que é uma classe de neurotransmissores responsável pelo controle de diversos sistemas neurais no cérebro, incluindo aqueles que governam a atenção, o comportamento motor e a motivação. No TDAH, os baixos níveis de catecolaminas resultam em uma hipoativação desses sistemas", explica Denise Weber. Traumatismo no parto e doenças ou acidentes ocorridos no início do processo de desenvolvimento do sistema nervoso central também podem ser causas do problema.

Para que o diagnóstico seja preciso, é importante que os pais e professores observem se os sintomas se estendem além da sala de aula. "Os sinais que só aparecem em um ambiente, como por exemplo, só em casa, só na escola, só quando sai de casa, devem ser investigados com mais cuidado, para se verificar se não são de origem psicológica. Os sintomas da indisciplina e da hiperatividade são semelhantes, mas a criança portadora do TDAH demonstra com mais precisão as características em idade escolar", esclarece a especialista.

A maneira mais eficiente para tratar o TDAH, explica Denise, é utilizando trabalho em grupo, com comportamentos adequados da escola e da família. "As pessoas que convivem com a criança precisam entender sobre o transtorno. É feita também uma abordagem individual com psicólogo e uso de medicamentos quando necessário".

O diagnóstico e tratamento precoce na infância são importantes para evitar problemas futuros na adolescência e na vida adulta. "Pensava-se que os sintomas diminuíam com o passar do tempo, mas pesquisas mostram que crianças hiperativas chegam à maturidade com padrão de problemas muito similar aos da infância, enfrentando dificuldades no trabalho, na comunidade e com a família", frisa a especialista.

Conviver com uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade demanda cautela por parte da família e escola. Algumas atitudes podem ajudar na melhora da aprendizagem:

- Usar métodos que permitam autocontrole (cronograma, agendas).

- Favorecer ambiente com menor distração possível,

- Fracionar tarefas em períodos curtos e com descanso,

- Estimular o esforço e recompensar o comportamento adequado,

- Dar instruções positivas,

- Usar ajuda de imagens como livros, quadros e desenhos para manter a atenção.

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