Internet x Pais

Internet x Pais

Atualizado: Quinta-feira, 2 Abril de 2009 as 12

Veja as recomendações dos especialistas para que a linguagem virtual usada no MSN, orkut e torpedos de celular não afaste você do seu filho

Há um grande paradoxo no crescimento das redes sociais virtuais (Como o Orkut, o MySpace e o Facebook, por exemplo) e na expansão de ferramentas como o MSN Messenger e outros programas de conversa em tempo real, sem falar nos celulares superequipados. Eles criaram múltiplas possibilidades de interação, permitindo aos jovens teclar com amigos do mundo todo. A comunicação dentro da família, no entanto, entrou em curto-circuito. Além da falta de intimidade com as tecnologias utilizadas pelos filhos, os pais dessa geração, que já nasceu conectada, reclamam do emaranhado de abreviações e sinais gráficos, que simplesmente exclui os mais velhos das conversas.

Não que esse seja um fenômeno do nosso tempo: desde sempre, os adolescentes buscaram a individualidade. 'Faz parte do processo questionar os pais e buscar apoio nos amigos. Dentro do grupo, há códigos próprios de escrita, fala e modos de vestir. Quem não se lembra da 'língua do pê' ou dos diários escritos em linguagem cifrada?', argumenta Iris Tempel Costa, mestre em psicologia do desenvolvimento, de Porto Alegre. A diferença é que os jovens de hoje lançam mão de novas estratégias para isso. Mas não é aceitável que a tecnologia crie dificuldades intransponíveis de comunicação entre as gerações. O primeiro passo cabe aos pais: familiarizarem-se com as novidades.

Conhecer para compartilhar

Para a massoterapeuta Anna Mirtes Magalhães, 42 anos, de São Paulo, conversar com a filha, Gabrielle Quandt de Freitas, 17, por MSN virou rotina. No começo, Anna pediu ajuda à garota e sofreu um bocado. 'De tentativa em tentativa, consegui entender cada um dos programas que ela usa e hoje participo de tudo', diz. Mesmo sem ter perfil no Orkut e sem acessar os programas de mensagem instantânea, a administradora de empresas Nilza Reple, 48 anos, de São Paulo, pede para ver os recados e as fotos que suas filhas gêmeas Isabela e Gabriela, 13 anos, postam no Orkut. Ela também pergunta quem são os amigos adicionados na rede social delas. 'Não tenho paciência para participar dessas redes, mas faço questão de saber como minhas filhas estão utilizando essas ferramentas', diz.

Os níveis de interação com a tecnologia variam, mas os especialistas são unânimes em afirmar que ter algum conhecimento sobre os principais programas e sites acessados pelos filhos é fundamental. 'Até mesmo a falta de habilidade dos pais serve como gancho para uma interação maior. A mãe pode pedir ajuda ao filho e, assim, abrir espaços de interação, compartilhando experiências. O exercício traz ganhos para todos', afirma a psicopedagoga Maria Irene Maluf, de São Paulo.

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