Irmãos, administrando as diferenças

Irmãos, administrando as diferenças

Atualizado: Terça-feira, 19 Abril de 2011 as 10:42

Uma das maiores dificuldades de criar filhos é lidar com as diferenças. Sim, por que eles nascem diferentes, mesmo que nasçam todos na mesma ‘ninhada’! Não, não são as diferenças físicas que importam, são as diferenças de personalidades, aquelas que vêm gravadas no código genético de cada um e aparecem desde o momento em que nascem.

A primeira manifestação dos meus três aqui mostrou logo de cara quem era quem e como eles se comportariam mais tarde. Mario nasceu quietinho, bonzinho, reclamou um pouco e logo se aninhou no colo da mãe. Diogo nasceu bravo, gritou a plenos pulmões, reclamou a beça. E Laura, bom, a Laura enganou a gente e só mostrou a que veio uns dias depois. Mas isso também faz parte, porque ela continua surpreendendo.

Mas aí eles vão crescendo, vão se desenvolvendo e as diferenças vão aparecendo naturalmente – e elas são muitas. Um começa a andar mais cedo, o outro dá mais risadas, o terceiro demonstra mais habilidade motora com as mãos. Um gosta disso, o outro daquilo e o terceiro não gosta.

Por exemplo, a Laura saiu andando primeiro que os meninos. Eles olhavam pra ela andando, admirados. Logo, Mario deu seus primeiros passos também e achamos que o Diogo iria ficar frustrado porque ainda não conseguia andar. Ele só começou a andar quase dois meses depois do Mario. E acho que ver os irmãos andando fez com que o Diogo se superasse.

Por outro lado, Diogo bateu palmas muito antes dos outros dois e segurava a mamadeira com uma mãozinha apenas desde miúdo. O Mario é superbonzinho, mas é cabeça dura, não gosta de dar o braço a torcer. Acho que ele tinha 2 aninhos quando o colocamos de castigo pra pensar, numa cadeira, por que tinha empurrado alguém. E dissemos que ele poderia sair do castigo só depois que pedisse desculpas. E ele ficou lá sentado por duas horas.

Essas habilidades, essas aptidões vão se apurando. Laura é extremamente habilidosa e arrasa em qualquer esporte. Diogo desenha superbem. E Mario, quando quer uma coisa, sai de baixo. Mas fico apreensivo quando vejo que um sabe ler e os outros ainda não, que um consegue desenhar um dinossauro e os outros não, que um marca gols no futebol e os outros não. Fico com medo que fiquem frustrados, angustiados com seus próprios limites. Na verdade, gostaria de evitar que da frustração surja o sentimento de incapacidade, de que “não posso”, “não sei”, “não sou bom o suficiente”.

Procuro não demonstrar essa preocupação, procuro não valorizar os momentos em que percebem suas fraquezas. Na verdade, procuro incentivar que superem aquele limite. Mas com o tempo percebi que essa é uma preocupação minha, uma angústia minha, coisa de pai e mãe, talvez.

Percebi que eles lidam com isso muito bem. Podem reclamar, ficar chateados quando deparam com uma situação, mas depois esquecem, superam, encaram e vão em frente. Eles sabem lidar com as próprias diferenças melhor do que eu que estou vivendo aquilo de fora, como pai e não como irmão.

O melhor exemplo é o Diogo. Ele não gosta tanto de futebol nem de esporte com bola. O Mario adora bola e a Laura é a boa de bola. Diogo acompanha os irmãos, joga futebol, basquete, participa. No começo, ele ficava chateado porque não conseguia jogar tão bem, mas pra não ficar pra trás teve de se superar. E já o vi dar umas arrancadas à la Kaka pra botar a bola na rede.

As diferenças vão sempre existir. Espero que eles continuem lidando com elas numa boa.

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