Irmãos gêmeos: iguais ou diferentes?

Irmãos gêmeos: iguais ou diferentes?

Atualizado: Segunda-feira, 8 Fevereiro de 2010 as 12

Os filhos inauguram muitas situações. Tudo parece novo, muda de cor, ganha contrastes, intensidades; filhos criam histórias inéditas que, muitas vezes, são velhas conhecidas; histórias que os pais viveram com seus pais e que se repetem, espontaneamente.

Ao nascerem, algo se renova na vida, e nos vemos neles. Algumas vezes, o referencial que temos para compreender nossos filhos é a intuição, pura e simples. Outras vezes, nosso passado e a lembrança da criança que fomos servem de parâmetro na convivência e educação dos filhos. O que sabemos sobre nós mesmos também pode definir, de certo modo, o que enxergamos neles.

Quando são gêmeos (ou trigêmeos) somos levados a pensar que são iguais. Afinal, nasceram ao mesmo tempo, da mesma mãe, do mesmo pai, no mesmo lugar e foram gerados a um só tempo. São pessoas separadas, distintas, mas ao mesmo tempo tão parecidas...

E nesse emaranhado, iniciam-se as comparações. Comparações que pretendem conferir às crianças características próprias : " João é muito mais agitado que Mário"; " Ana é mais doce...Joana é brava e intolerante." Maria gosta mais de sossego e Paulo e José gostam de bagunça e barulho."

E não há como evitar esse tipo de manifestação, cujo pior efeito se dá quando está implícito um julgamento de valor.

Sabemos que comparações desse tipo, não são a melhor forma de identificar nossos filhos, até porque podem provocar nos irmãos sentimentos de competitividade e ciúme, tendo por conseqüência o comprometimento da auto-estima.

Além disso, ao serem comparadas, as crianças são colocadas em um lugar ou em uma posição rígida, como se não pudessem circular entre a gama de características que possuem. Sentem-se levadas a se comportar, em alguns casos, de um modo oposto aos irmãos, para se diferenciar ou serem vistas como pessoas singulares. Em outros casos, podem experimentar um sentimento de inferioridade por não serem iguais.

Então, uma vez que as comparações são inevitáveis, como lidar com elas?

O que os pais podem fazer, quando isso acontece, é aproveitar a oportunidade e reforçar para os filhos que não existe pior ou melhor, menos ou mais. Cada um tem características interessantes e qualidades próprias - e é natural que seja assim!

Um exemplo de como as comparações podem se tornar uma oportunidade é o caso de Maria e Clara, gêmeas de sete anos:

Maria compôs uma música e, ao apresentar aos adultos, imediatamente provocou comentários sobre Clara não ter feito o mesmo, o que causou um certo desconforto nas meninas. Os pais aproveitaram a situação para deixar claro que quem tinha habilidade para música era Maria, mas lembrou a todos e, especialmente a Clara, que possuía outras habilidades.

Dessa forma, acolhendo seus filhos e os valorizando como realmente são, os pais os ajudam a enfrentar as constantes comparações a que estarão sujeitos no decorrer da vida. Essa atitude favorecerá o aparecimento de recursos internos para que eles mesmos não caiam na armadilha de usar os irmãos como espelho para se perceberem.

Crianças gostam de muitas coisas, comportam-se de modos distintos, e tem reações das mais diversas. E isso significa dizer, que podem ser de dois (ou mais) jeitos diferentes, dependendo das circunstâncias e da situação que estão vivendo, daquilo que estão sentindo e desejando, ou das necessidades que manifestam.

Filhos não são iguais, mas, também não são necessariamente opostos! Polaridades existem em uma única pessoa. Todos podem ficar bravos, alegres, carinhosos, arteiros...

Entre os gêmeos não é diferente! Podem ter afinidades ou diferenças, como quaisquer outros irmãos, amigos, primos, etc.

por: Sâmara é psicoterapeuta e Cláudia é psicanalista e psicopedagoga. Elas coordenam um grupo de pais sobre a criação de gêmeos

Fonte; Crescer

Postado por Nany de Castro

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