Jovens abrem mão do dinheiro na hora das compras, optando pelo cartão de débito

Jovens abrem mão do dinheiro na hora das compras, optando pelo cartão de débito

Atualizado: Quinta-feira, 3 Abril de 2008 as 12

Não há dúvida de que o cartão de débito ganhou espaço no bolso dos jovens. No lugar das cédulas de papel, é ele quem mais sai da carteira na hora de pagar as contas e as compras. O "dinheiro de plástico" se tornou uma forma simples, segura e cômoda para comprar, já que se trata de um pagamento à vista, com a facilidade de não precisar ir ao banco para sacar dinheiro da conta corrente. E por falar nisso, como você administra o uso do seu cartão de débito? Consegue controlar os gastos sem ver o dinheiro indo embora?

A auxiliar de eletrônica, Ariana Gomes do Nascimento, 23 anos, usa o cartão de débito há quatro anos para pagar despesas de roupas, restaurantes e "baladas". Para ela, não há melhor opção de pagamento. "O débito é prático e ao mesmo tempo exato. Não preciso contar moedinhas na hora de pagar a conta", explica. Tanta praticidade, porém, facilita que o dinheiro saia da conta mais rápido do que deveria. Com isso, as dívidas no final do mês aumentam sem que você perceba que gastou demais.

Ariana já foi vítima de sua própria desorganização. Ela já precisou usar todo o limite do cheque especial para cobrir a conta estourada pelos gastos exagerados com o cartão de débito. "Tive de ir ao banco conversar com a minha gerente para diminuir o limite do cheque especial. Só assim consegui equilibrar o orçamento", conta.

Para o consultor financeiro e professor da FEI (Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial), Fernando Palazolli, o cartão facilita a vida do usuário. Com isso, a tendência é que ele o substitua cada vez em relação ao dinheiro. Em sua opinião, porém, sozinho, o cartão de débito não pode ser culpado pelo descontrole do usuário. " É preciso ter responsabilidade e noção do seu orçamento para manter as finanças em ordem sem recorrer ao cheque especial, que é caro", explica.

Equilibrar o orçamento por meio de uma planilha de gastos é a melhor saída para quem quer administrar melhor seu dinheiro e não se endividar com o cartão de débito. Palazolli reforça que tudo isso é muito simples. Basta listar o total de sua receita e também todas as suas despesas, classificando-as em três grupos: essenciais, necessários e supérfluos. Com essa relação ficará mais fácil analisar o que é realmente essencial e eliminar o restante. "A parte mais difícil é escolher o que será retirado do orçamento, mas é preciso cortar os excessos", alerta.

A Turismóloga, Isis Fiorante Soria, 26 anos, aprendeu a gastar menos após ter sofrido na pele as conseqüências de extrapolar no cartão de débito. Ela comprava demais e de uma hora para outra perdeu o emprego e se viu endividada. "Continuo a usar o cartão de débito para pagar a maior parte das despesas, mas, agora, todas elas estão numa planilha, o que me permite visualizar quanto e quando posso gastar", conta.

Quanto e como gastar?

Na opinião de Palazolli, quanto mais cedo se aprender a poupar, melhor preparado o jovem estará para administrar suas finanças ao longo da vida. Portanto, mesmo que o valor de sua bolsa-auxílio seja baixo e a maior parte dele sirva para bancar a faculdade, você precisa se organizar. No fim das contas, pode até descobrir que vão sobrar uns trocados no final do mês.

"Se o estudante recebe R$ 1.000 de bolsa-auxílio e paga uma mensalidade de R$ 700 na faculdade, poupar entre R$ 50 e R$ 100 mensais já é uma alternativa saudável para o bolso", explica Palazolli. Para o especialista, independente do salário do indivíduo, é fundamental fazer uma reserva de dinheiro, respeitando metas que se pretende atingir em curto, médio e longo prazo.

Para ajudar você nesta tarefa, o consultor aconselha a leitura de livros que tratem sobre o tema orçamento pessoal e familiar, além de recomendar a participação em cursos rápidos para melhorar sua compreensão sobre o assunto. "Os livros ensinam a criar maneiras de controlar os gastos com exemplos do cotidiano e como se reeducar financeiramente", defende.

Na opinião do especialista, acompanhar a movimentação da conta corrente é outro exercício diário que deve ser feito pelos jovens para que não deixem seu saldo ficar negativo. "O segredo do sucesso é controlar os gastos com responsabilidade e ponderar o uso excessivo do débito", conclui Palazolli.

veja também