Jovens e mulheres lêem mais do que a média nacional

Jovens e mulheres lêem mais do que a média nacional

Atualizado: Terça-feira, 3 Junho de 2008 as 12

O maior índice de leitura no Brasil é registrado entre os jovens e as crianças. O diagnóstico é da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada hoje (28) pelo Instituto Pró-Livro. Enquanto a média nacional é de 4,7 livros ano/habitante, entre a população de 5 a 10 anos o índice sobe para 6,9. O público de 11 a 13 anos chega a ler 8,6 livros por ano, enquanto de 14 a 17 anos o número é de 6,6. As mulheres também saem na frente: elas lêem 5,3 livros por ano, enquanto o índice entre eles é de 4,1. O alto índice de leitura entre os jovens está ligado à fase escolar.

O estudo aponta que dos 4,7 livros lidos por ano, 3,4 obras são indicadas pela escola e apenas 1,3 é uma escolha espontânea. O universo da pesquisa foi de 172,7 milhões de pessoas, das quais 95,6 milhões foram consideradas leitoras, o que significa ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses. Desse total, 54% deles são estudantes que lêem as obras indicadas pela escola.

''A pesquisa mostrou que depois da fase escolar há um distanciamento da leitura. A escola precisa trabalhar um pouco mais na tarefa de criar leitores que gostem de ler e que continuem a ler depois que saem da escola, para uma leitura não só pragmática'', avalia o coordenador da pesquisa, Galeno Amorim.

As crianças apontam o prazer como o principal significado da leitura. Mas para a maioria dos entrevistados, o livro é uma fonte de conhecimento (42%). Só 8% citam a atividade como prazerosa ou interessante. As mães são indicadas como as maiores incentivadoras do hábito, ficando à frente dos professores.

Para garantir que o livro não saia da vida do brasileiro após a fase escolar, o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, acredita que é preciso fazer um ''adestramento'' das crianças para que o hábito seja consolidado. ''Um momento decisivo para a leitura é como ela é apresentada para as pessoas nos primeiros anos. Ela não pode ser apresentada como obrigação'', defende.

Dos leitores que declararam gostar da atividade e realizá-la com freqüência, 79% têm formação superior, 78% têm renda familiar acima de 10 salários-mínimos e 69% são moradores de regiões metropolitanas.

''Hoje o índice de escolaridade é muito maior do que nas décadas anteriores, então a expectativa é que os índices de leitores continuem subindo. A pesquisa dá uma grande mensagem: houve avanços importantes nesse período, mas precisamos continuar caminhando para chegar lá'', acredita Galeno.

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