Jovens usam fone de ouvido até dormindo

Jovens usam fone de ouvido até dormindo

Atualizado: Segunda-feira, 14 Dezembro de 2009 as 12

Na rua, na academia, na escola, em tudo quanto é canto você vê gente ouvindo música com fone de ouvido, não é mesmo? E alguns colocam a música tão alta que dá para a gente ouvir o que está tocando.

Música boa é música alta, diz um jovem.

Fazemos tudo ouvindo música, diz a outra adolescente.

Os fones de ouvido viraram mesmo companheiros inseparáveis. A hora do recreio, é hora de ouvir música ? até em dupla.

Esqueci o fone de ouvido na casa da minha avó e fiquei dois dias sem ele. Nossa, foi horrível, conta Zara Veasey, 14 anos.

Um passeio pela sala de aula e lá estão eles nas mesas. Por enquanto, em silêncio.

Se eu descuido um pouquinho, lá está o fone de ouvido ligadinho no celular, conta a professora Sônia Regina, professora.

Em casa, na hora do almoço, a parceria continua. "Você não vai tirar o fone nem para comer?", pergunta a mãe, Ana Vazey, para a filha Zara.

Com essa constância toda, deve fazer mal. Se fossem umas horas por dia, mas é constante, comenta a mãe Ana Veasey.

Eu já percebi que não consigo ouvir tão bem de um lado quanto de outro, revela Bruna Dutra, 14 anos.

Na Europa, um estudo sobre os níveis dos ruídos alertou as autoridades para o fato de que 10 milhões de jovens poderiam ficar surdos por causa do uso dos tocadores de MP3. A pesquisa mostrou que de 5% a 19% das pessoas que usam o fone sofrerão danos permanentes se ouvirem música em volume alto, por mais de uma hora por dia, por cinco anos.

O Fantástico fez um teste no Brasil. Bruna e Zara, as duas com 14 anos, foram levadas à fonoaudióloga. Depois dos testes, a confirmação: Bruna está ficando com um problema no ouvido direito.

"Quantas horas você ouve por dia?", pergunta a fonoaudióloga Márcia Sozuki.

"Eu durmo com ele", responde Bruna.

"Eu vou controlando no equipamento até saber esta intensidade, até conseguir ouvir os estímulos", explica Márcia.

Depois dos testes, a confirmação: Bruna está ficando com com problemas no ouvido direito.

Você deveria apresentar valores entre 0 e 10 decibéis [a medida da audição], no máximo. Seus pontos já estão em 20, 25. Está no limite superior da normalidade, provavelmente do tocador de musica, disse a fonoaudióloga.

Os fones surgiram nos anos 50, mas ficaram populares mesmo a partir da década de 80, com os tocadores portáteis. Apareciam até nos videoclipes da época.

O otorrinolaringologista Ektor Onichi foi a uma escola para medir a intensidade do que o pessoal anda escutando.

Acima de 85 decibéis pode causar perda de audição. Acima de 105 decibéis é mais ou menos uma britadeira, revela o especialista.

Na rua, mais estudantes e seus fones.

No caso de uma jovem chegou até 90, está acima do que consideramos ideal. Nem sempre ouço nesse volume. É que eu estava no ônibus e estava fazendo barulho, explica a jovem. 

É aí que está o problema. Para compensar o barulho do metrô e do ônibus, o ouvinte aumenta o volume.

Esses ambientes onde mais se usa fone são exatamente os lugares errados, alerta o especialista.

A música pode até ficar boa, mas a audição vai ficar ruim, constata o especialista.

No consultório, doutor Ektor Onichi teve uma boa noticia para Bruna, a adolescente que adora ouvir música, mas descobriu que está ficando com um problema no ouvido: Ela pode continuar utilizando o tocador, desde que tome cuidado. Desde que respeite o tempo de exposição e o volume. Assim, não tem problema nenhum continuar ouvindo a música dela.

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