Manual para evitar afogamentos de crianças

Manual para evitar afogamentos de crianças

Atualizado: Quinta-feira, 19 Novembro de 2009 as 12

Com os dias de calor chegando, as crianças passam mais tempo fora. E, quando têm uma piscina por perto, é lá mesmo que querem ficar. Mas é preciso que você fique atento. Semana passada, um garoto de 1 ano e 8 meses caiu na piscina da casa do avó, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e ficou quase 8 minutos sem respirar. O que salvou o pequeno foi a ajuda que os bombeiros ofereceram por telefone ao avô, que iniciou os primeiros socorros no neto. Mesmo socorrido, o menino entrou em coma, mas agora já passa bem e não apresenta sequelas.

Nem sempre, no entanto, histórias assim têm um final feliz. O que faz toda a diferença é a prevenção. Afogamento é a segunda causa de morte entre crianças de 1 a 14 anos no Brasil, perdendo somente para os acidentes de trânsito. Os riscos não são apenas para quem tem piscina em casa ou está passando férias na praia. As crianças, principalmente os menores de 2 anos, também podem se afogar na banheira, no vaso sanitário, em cisternas ou mesmo num balde cheio d'água.

Quando mergulhamos inesperadamente, um mecanismo de proteção chamado laringoespasmo, que consiste na contração das vias aéreas, é acionado pelo organismo. Isso impede que a água entre nos pulmões. Um adulto sabe que não deve inspirar dentro da água. Mas a criança, tão logo as vias respiratórias se abrem novamente, aspira mais forte ainda com a intenção de recuperar o fôlego. O que aumenta o risco de afogamento.

Cerca de 5 minutos sem respirar é o suficiente para causar danos permanentes no cérebro. Os afogamentos acontecem de forma rápida e silenciosa, por isso, todo cuidado é pouco.

Como Previnir?

- Em primeiro lugar, crianças e adolescentes devem ser supervisionadas por um adulto sempre, seja na piscina, no lago ou na praia. Não importa que o local do banho seja raso ou que eles saibam nadar, pois as crianças não têm consciência do perigo;

- Poços e reservatórios de água domésticos têm de ser trancados;

- Mantenha a porta do banheiro e a tampa do vaso sanitário sempre fechados. Se possível, lacrar a tampa com algum dispositivo de segurança;

- Baldes, banheiras e piscinas infantis devem ser esvaziados após o uso e guardados virados para baixo;

- Para dificultar o acesso, crie barreiras: as piscinas devem ser cercadas por portões de no mínimo 1,5m, de preferência, com cadeados ou travas de segurança. Além da grade, outras medidas complementares são capas próprias para piscina e alarmes. Em alguns estados norte-americanos, por exemplo, alarmes que disparam toda vez que alguém entrar na área da piscina (a não ser que sejam desativados com uma senha) são obrigatórios. Não deixe brinquedos ou qualquer tipo de atrativo perto da piscina;

- Bóias e brinquedos infláveis não são seguros o suficiente, pois podem estourar ou esvaziar. Na praia, no lago e até mesmo na piscina, o ideal é usar um colete salva-vidas;

- Na praia, lago ou cachoeira, ensine as crianças a respeitar as placas de segurança, os salva-vidas e as condições da água. Os maiores devem ser orientados a nadar sempre acompanhados.

Primeiros Socorros

O atendimento deve ser o mais rápido possível. O ideal é que os pais e as outras pessoas que cuidam da criança conheçam técnicas de reanimação cardiopulmonar (RCP). Em primeiro lugar, a criança deve ser colocada em uma superfície reta e rígida (como uma mesa ou o chão, por exemplo). As técnicas consistem em quatro etapas, que são resumidas nas primeiras letras do alfabeto:

a) Airway (via aérea, em inglês): desobstrução das vias aéreas por meio de manobras específicas;

b) Breathing (respiração, em inglês): popularmente chamada de respiração boca a boca, a técnica consiste em expirar o oxigênio dentro da boca ou do nariz da vitima;

c) Circulation (circulação, em inglês): massagem cardíaca;

d) Drugs (drogas, em inglês): administração de medicamentos

Além disso, tenha um telefone e o número da central de emergência sempre à mão. Enquanto uma pessoa tenta reanimar a criança, a outra deve chamar por socorro. Convém também ensinar as crianças maiores a ligar para o telefone de emergência e passar as informações corretamente.

Fontes: Criança Segura; Cid Pinheiro, pediatra do Pronto Socorro do Hospital São Luiz

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