Melhores empregos não estão na área de comunicação e informática

Melhores empregos não estão na área de comunicação e informática

Atualizado: Terça-feira, 23 Fevereiro de 2010 as 12

Há um mito de que os melhores empregos estão na área informacional, que inclui os segmentos de telecomunicações e informática. Segundo o professor do Departamento de Sociologia do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Ricardo Antunes, isso acontece em razão da alta demanda por profissionais, o que geraria grandes oportunidades.

"Quando fazemos uma análise científica, vemos que as condições concretas mostram um quadro muito diferente, marcado por uma profunda alienação do trabalho", afirmou o professor.

Segundo Antunes, o "infoproletariado" lida com uma tecnologia avançada, entretanto as condições de trabalho são precárias, com jornadas extenuantes e sem direitos elementares.

Atividades

Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o setor informacional se divide em atividades como telecomunicações, informática, edição de programas, processamento de dados, atividades de bancos de dados, produção, distribuição e projeção de filmes, rádio e televisão e atividades de agências de notícias.

De acordo com Antunes, há uma polarização no segmento. Em um extremo, podem ser encontrados trabalhadores que atuam no desenvolvimento de softwares e, em outro, operadores de telemarketing.

"Os programadores de software são vistos como uma elite do cybertrabalho, desfrutando de alguns privilégios, como uma suposta autonomia. Ainda assim, nesse segmento as condições de trabalho são muito intensificadas e o profissional é sobrecarregado por uma pesada cobrança", disse Antunes.

Telemarketing

Na outra ponta, o setor de telemarketing não para de crescer e tem aproximadamente 1 milhão de trabalhadores, sendo que cerca de 70% são mulheres.

"Muitos jovens encontram nos call centers seu primeiro emprego, com a ilusão de que encontrarão ali condições de trabalho adequadas. Mas depois de alguns meses, o maior sonho desses trabalhadores é abandonar o telemarketing", explicou Antunes. "Há um controle muito rígido do fluxo de trabalho, imposto pela regulação rigorosa do tempo médio de atendimento", completou.

Pesquisa

Os dados estão no livro Infoproletários - Degradação real do trabalho virtual, que traz ensaios de 11 autores brasileiros e estrangeiros, com base em pesquisas científicas sobre aspectos diversos do trabalho no setor informacional, que compõe a nova morfologia do trabalho no Brasil.

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