Milagre Celular

Milagre Celular

Atualizado: Segunda-feira, 5 Julho de 2010 as 11:54

Nos últimos dias assisti um milagre. Durou trinta segundos, passou num intervalo comercial num canal de TV, uma propaganda da Vivo. Tudo começa com uma menininha recebendo a notícia, dada pelo pai, sobre a separação dele e da mãe dela. O problema que se levanta na conversa dos dois é sobre a distância, com a separação o pai não estará mais presente. Qual a solução? Simples, o pai dá um celular Vivo para a filha e, daí em diante, uma sucessão de cenas diferentes, sempre com a menininha vivendo sua rotina e o celular na mão para falar com o Pai a qualquer hora, tudo produzido com riso e graça. Pronto, problema resolvido.

Aquilo que terapeutas, conselheiros e pastores não têm conseguido em meses e até anos, a Vivo conseguiu em 30 segundos! Separações, divórcios e crises conjugais são situações sempre complexas, doídas, sofredoras. Abrem feridas difíceis de fechar, expondo a vulnerabilidade de pais, filhos e amados próximos a família. Produzem orações amarguradas, desabafos descontrolados, declarações indignadas, silêncios enlouquecedores. Mas um celular, na visão meramente consumista, tem poderes terapêuticos, por que não dizer milagrosos.

A realidade das separações é inquestionável. Pelos mais diferentes motivos famílias estão sendo desfeitas. Porém conformar-se não é o melhor caminho. Se não ofende a inteligência, comerciais como o da Vivo ofendem o coração. Os sentimentos daquela menininha, ou de qualquer filho que se descubra em meio ao furacão da separação dos pais, clamam por respeito, ombro, colo, afeto. Não clamam por um objeto, uma coisa.

Um celular não substitui a presença de um pai. Celular não carrega no colo. Celular não joga banco imobiliário. Celular não joga futebol. Celular não ajuda a fazer lição de casa. Celular não abraça. Celular não carrega de cavalinho. Celular não aconselha. Celular não enxuga lágrimas. O que faz um celular? Vibra, mas não sabe o que é torcer. Toca, mas não sabe o que é louvor. Fotografa, mas não sabe o que é sorrir. Conecta-se, mas não sabe falar com o céu.

Enquanto não descobrirmos o sentido da vida, viveremos uma vida sem sentido. A propaganda da Vivo inverte todos os valores quando torna o celular solução para um drama familiar. A medida que avançam as gerações assistimos mais e mais decadência, empobrecimento moral e completa banalização de tudo o que é respeitável, de boa fama. Grupos com os mais diversos interesses, lobbys de todos os lados, leis no mínimo estranhas, querem dar sentido para comportamentos que afrontam tudo que diz a mensagem judaico-cristã. Quais têm sido os resultados? Aumentos. Muitos aumentos. Da dependência química, da violência, da promiscuidade, da alienação, da revolta, do esfriamento das relações.

Filhos arrebentados por conflitos familiares, não precisam de um Vivo, precisam de pais ao vivo. Esqueça o milagre celular, ele não existe, não faz sentido, é só enganação. Precisamos de milagre na célula, a família. Célula mater que já foi respeitada e honrada por nossa sociedade. Uma família saudável não deveria ser, mas hoje tornou-se um milagre. Milagre pelo qual vale a pena sonhar e lutar. Dobre os joelhos, recarregue a bateria da fé. Em Cristo, todas as conexões da sua família podem ser restabelecidas.

Paz.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: ''Adolescência Virtual'', ''Por que esta geração não acorda?'', ''Caminhos'' e ''Aliança''

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