Monitorar a internet dos filhos: Invasão de privacidade ou proteção?

Monitorar a internet dos filhos: Invasão de privacidade ou proteção?

Atualizado: Quinta-feira, 17 Novembro de 2011 as 3:51

Um autêntico programa de espionagem no computador dos filhos. Assim pode ser definido o mouse com escuta ambiental através de chip GSM, um verdadeiro sonho de consumo de pais excessiva ou compreensivelmente preocupados com o que sua prole anda vendo e fazendo na internet. O dispositivo permite ainda ouvir as conversas que acontecem enquanto o computador está sendo utilizado.

Tudo o que é preciso fazer é deixá-lo conectado à USB do computador, pois funciona normalmente como um mouse óptico. E o melhor: ainda que o computador esteja desligado, ele continua fornecendo energia ao mouse. Além disso, possui bateria interna para continuar funcionando mesmo estando desconectado.

O aparelho nada mais é que um poderoso microtransmissor GSM (escuta secreta) que emite conversas e sons de um determinado local. Basta ligar – de outro telefone, celular, fixo, Skype ou orelhão – e ele atende automaticamente, sem emitir qualquer tipo de sinal. O equipamento, fabricado com tecnologia militar alemã de ponta, avisa quando há conversas no local.

O microfone do mouse espião é supersensível e o alcance de captação de áudio é de 5 a 10 metros, mas o monitoramento não tem limite de distância – pode ser feito de outra cidade ou país. Claro que já está sendo usado não apenas para “controlar” os pequenos. Muitos estão lançando mão dessa tecnologia para vigiar o cônjuge e funcionários.

Contra o método A psicóloga Alexssandra Freitas não aprova esse tipo de equipamento. “Como mãe, não utilizaria esse equipamento com os meus filhos. Como psicóloga, não aprovo. Acredito que esse tipo de subterfúgio criaria um distanciamento ainda maior entre pais e filhos, em vez de aproximar e possibilitar o diálogo entre eles”, argumenta.

Ela ainda acrescenta: “Por outro lado, compreendo a preocupação dos pais em relação ao uso da internet, mas não acredito que a instalação de um mouse com esse recurso amenizaria o problema.”

A especialista afirma que o acompanhamento diário e o diálogo são os recursos mais adequados nesse tipo de situação. “O simples fato de existir esse tipo de produto no mercado já faria com que os jovens, desconfiados da possibilidade de sua instalação nos seus computadores, procurassem as famosas lan houses, acessando sites inadequados e proibidos por seus pais, levando-os para um ambiente distante do aconchego e da segurança de seus lares”, pondera Alexssandra, que frisa: “O ideal é que, no ambiente familiar, haja diálogo e cumplicidade suficientes para abordar assuntos que são fruto da curiosidade dos jovens. Assim, os pais podem ficar mais bem informados dos passos de seus filhos, sem que para isso precisem utilizar um recurso tão invasivo”.

Agência Unipress Internacional

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